Não poderia ser diferente.
Ele, João Campos, é prefeito do Recife, filho e bisneto de político.
Ela, Tábata Amaral, é deputada federal por São Paulo.
Ambos são filiados ao Partido Socialista Brasileiro, o PSB, um partido de centro esquerda.
À cerimônia, realizada ontem à tarde, na igreja dos Carneiros, em Tamandaré, compareceram importantes personagens do meio político.
A começar pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin.
Ministros do Governo Lula, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores, secretários municipais e o vice-prefeito do Recife, Victor Marque, na expectativa de assumir a titularidade do cargo.
Uma presença chamou a atenção da mídia estadual e nacional: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O Xandão foi como que uma surpresa preparada por João Campos.
Não foi anunciado com antecedência e quando foi visto na igreja, acompanhado da esposa Viviane Moraes, depressa os sites e jornalistas que assinam blogs muito lidos estamparam a notícia:
"Alexandre de Moraes se faz presente ao casamento de João Campos!"
Bolsonaristas e outros representantes da direita reagiram nas redes sociais, indignados. O Alexandre não é muito querido entre os simpatizantes de um certo ex-presidente, que está preso.
Está atrás das grades porque cometeu crimes e foi condenado por um colegiado.
Mas alguns preferem acreditar que o Xandão é o principal ou o único responsável pela sentença pesada.
Para muitos democratas de verdade, porém, Alexandre é um herói.
Embora tenha sido nomeado para o STF por Michel Temer, o ministro caiu na graça dos simpatizantes da esquerda.
Setores progressistas gostam do Alexandre de Moraes e até o idolatram.
É provável que a presença do representante do Supremo no casamento tenha jogado mais alguns bolsonaristas para Raquel e conquistado eleitores do centro e da esquerda para João Campos.
Um político, como é o prefeito do Recife, ao casar com uma deputada federal teria que pensar cada detalhe da cerimônia.
Foram 500 convidados e os noivos devem ter estudado cada nome como se estivessem se preparando para uma partida de xadrez.
José Múcio Monteiro, Silvio Costa Filho, Geraldo Alckmin, Marília Arraes, Sivaldo e Cayo Albino, Álvaro Porto e Sandra Paes... Cada nome teve um peso, representou uma cidade um segmento da sociedade.
Alexandre de Moraes, a surpresa, foi a "cereja do bolo", até a governadora Raquel Lyra deve ter sentido a jogada inesperada.
Se todas essas escolhas, principalmente a do ministro do STF, vão ter influência nos humores do eleitorado, nas pesquisas, na campanha, isso só vamos saber mais na frente.
Foi uma jogada ousada e inteligente. Mas é apenas uma entre tantas, outras ainda virão.
Independente da política, do olhar para a campanha que está próxima, os noivos estavam felizes.
O olhar de cada um revela que eles se gostam de verdade. Que sejam felizes no casamento, na política e na vida.

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