Está claro que o candidato do PSB, João Campos, representa uma mudança.
Já a governadora Raquel Lyra é a continuidade.
Os dois são de famílias tradicionais da política, não passaram por grandes dificuldades na vida, como milhões de pernambucanos.
A trajetória de vida dos dois o torna burgueses, fazem parte da elite.
Mas cada um montou um palanque diferente para disputar a eleição e por aí podem ser encontradas diferenças.
Raquel tem suas origens no interior, tendo sido prefeita de Caruaru, cidade que também foi governada pelo pai e o avô.
Tem formação em direito, foi delegada da Polícia Federal e entrou na política filiada ao PSB.
Foi deputada estadual e secretária estadual, ligada ao Partido Socialista Brasileiro.
A família de Raquel Lyra sempre foi progressista. João Lyra Filho (avô), João Lyra Neto (pai) e Fernando Lyra (tio) fizeram política no antigo MDB, partido que fez oposição à ditadura.
A governadora, porém, parece ser mais pragmática. Em 2022 disputou o governo sem se posicionar com relação à disputa pela presidência, mesmo com o perigo do fascista Jair Bolsonaro se eleger novamente.
Ao vencer a eleição, com uma ajudinha do destino, Raquel montou a equipe sem abrir espaço para a esquerda e nomeando bolsonaristas para cargos importantes.
Vai disputar a reeleição tentando repetir a estratégia de quatro anos atrás: sem declarar voto em Lula porque teme desagradar a direita de Pernambuco, que está em peso ao seu lado.
Sua vice, Priscila Krause, é da direita por herança, pois seu pai, Gustavo Krause, serviu aos governos militares e foi prefeito do Recife nomeado pelos que chegaram ao poder via golpe de 1964.
Raquel é apoiada por Mendonça Filho, Coronel Meira, Gilson Machado, Clarissa Tércio, Pastor Eurico e os irmãos Ferreira de Jaboatão.
Dos bolsonaristas, só perdeu Fernando Rodolfo, que pesa menos do que os outros citados.
Para completar a governadora ainda vai ter um direitista como candidato ao senado, o deputado federal Dudu da Fonte (PP).
O outro candidato ao senado é Túlio Gadelha, tão esquerda de verdade quanto Padre Kelmon representa a Igreja Católica Apostólica Romana.
Raquel Lyra governadora parece com aquela que foi prefeita de Caruaru.
Deu canetada de todo tamanho os primeiros anos seguindo o princípio de Maquiavel, que dizia: "o mal deve ser feito todo de uma vez e o bem aos poucos".
E, logicamente, as maldades foram praticadas nos dois primeiros anos, ficando os dois últimos, principalmente este da eleição, para as bondades.
É assim que ela chega forte para a reeleição, mesmo tendo pela frente um adversário de peso.
João Campos, engenheiro, é filho de Eduardo, que foi deputado federal e governador de Pernambuco por dois mandatos.
Eduardo Campos era tão habilidoso como político (além de bom gestor) que quando disputou a reeleição praticamente não teve oposição em Pernambuco.
Depois ele botou até Jarbas Vasconcelos no seu palanque.
João é bisneto de Migue Arraes, o único político a se eleger três vezes governador de Pernambuco.
Era uma liderança com tanto sentimento do povo que ganhou um apelido que diz tudo: "Paia Arraia".
Mas João não tem só o DNA político de Miguel Arraes e Eduardo Campos. Também é bom gestor.
Foi eleito prefeito do Recife com 24 anos e seu trabalho teve tamanha aprovação da população que ele se reelegeu com quase 80% dos votos.
A chapa montada pelo socialista para disputar a reeleição estadual está mais de acordo com a tradição das esquerdas de Pernambuco.
Tem como vice o advogado Carlos Costa, irmão de Silvio Costa Filho, um político de centro.
Para o senado foi que o ex-prefeito do Recife ousou: escolheu dois candidatos lulistas, mais à esquerda, Humberto Costa e Marília Arraes.
Praticamente não há um direitista em Pernambuco ao lado de João Campos, das lideranças com mandato aos anônimos.
Nas redes sociais, os que gritam palavras de ordem e exibem o coração roxo são bem parecidos com os eleitores de Flávio Bolsonaro.
Aliás muitos não se acanham e defendem o voto em Flávio e Raquel.
Esse sentimento saiu do mundo virtual para o palanque. Túlio Gadelha foi fazer um discurso, vestido com uma camisa com estampa de Lula e teve de ouvir a turma gritar: "É 22!".
Não sou eu que digo que Raquel é a candidata da direita, que ela está próxima do bolsonarismo. é a realidade que comprova.