Nunca nas eleições presidenciais um candidato que ficou atrás no primeiro turno virou o jogo na etapa decisiva da eleição.
No domingo, 25 de outubro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva quebrou esse tabu.
Perdeu no primeiro turno, com uma diferença de 2 milhões e 100 mil votos.
Venceu três semanas depois com uma frente de 4 milhões e 400 mil votos.
Uma surpresa, para muitos; uma virada que parecia impossível acontecendo.
Como Lula conseguiu essa façanha, aos 81 anos de idade?
O petista, após o revés no primeiro turno, deu uma entrevista dizendo ser bom de "mata mata" e antecipou que ganharia a eleição.
Sábio, o presidente ouviu pessoas mais jovens que estavam ao seu lado, como a deputada federal eleita Ana Elisa e o deputado federal reeleito André Janones.
Esses dois e outros fizeram o líder político do Partido dos Trabalhadores entender a importância da comunicação digital.
E a campanha sofreu mudanças radicais no segundo turno.
Alterações que surtiram efeito.
Aliada à comunicação nas redes sociais, a militância mobilizou as ruas de uma maneira extraordinária.
Foram manifestações imensas, como a que foi feita em São Paulo no sábado, véspera da eleição.
Tanto essa agitação nas ruas surtiu efeito, que o candidato do PT venceu na capital paulista com 55,50% dos votos, contra 45,50% do adversário.
Mas a mobilização não se restringiu à Sampa, aconteceu também no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba e nas capitais do Nordeste.
Do outro lado, o representante da extrema-direita e seus aliados cometeram graves erros.
Nikolas Ferreira gravou um vídeo no interior baiano que foi um "tiro no pé.
O próprio Flávio, no debate da Globo, errou feio. Ao atacar a idade de Lula, ao debochar do acidente de trabalho em que o presidente perdeu um dos dedos da mão, quando tinha 17 anos.
Ao fazer chacota, o filho de Bolsonaro chegou a zombar da fala e da audição do petista.
O problema de voz do líder da esquerda é consequência de um câncer na laringe.
Lula reagiu com altivez ao ataque grosseiro, a falta de sensibilidade e de humanidade.
Atraiu a simpatia de milhões de idosos e de outros milhões de deficientes.
No domingo, a mobilização do povo para votar foi impressionante.
Pessoas lotaram ônibus que vieram do Sudeste para o Nordeste, num esforça enorme de apoio ao presidente.
Milhares encheram os barcos, na região Norte, numa procissão marítima nunca vista a caminho das urnas. Flávio Bolsonaro também se lascou quando disse que Belém, capital do Pará, é uma cidade que "fede". Fafá de Belém reagiu e gravou um vídeo que viralizou na internet. O mesmo fez a atriz Dira Paes, querida em todo o Brasil.
Resultado é que o filho de Bolsonaro perdeu no Pará e no Amazonas, que se irmanaram contra o ataque à região.
As cenas de velhinhos e velhinhas votando em cadeira de rodas, de idosos sendo levado pelos braços para as seções eleitorais foram de fazer chorar.
Ficar de "salto alto", cantar vitória antes do tempo é um grave erro.
O candidato do PL chegou a escolher ministros antes da hora. Seus aliados, como Nikolas Ferreira, Tarcísio de Freitas e Pablo Marçal fizeram previsões desastrosas, de vitória da direita por 6/7 milhões de voto.
No final Lula teve 3,5% de vantagem. Mais de 4 milhões e 400 mil votos à frente.
Depois da eleição o derrotado fugiu. Consciente de que se ficasse aqui, sem foro privilegiado, terminaria na cadeia, porque sabe muito bem o que fez "no verão passado".
O bolsonarismo não morreu. Tem muitos representantes no Congresso, elegeu governadores e integrantes do clã, como Jair Renan, Michelle e Carlos Bolsonaro.
Mas a derrota que a seita sofreu para um homem velho, debilitado, vai corroer o extremismo por dentro.
E Lula, aos 81 anos, tem a lucidez de um homem de meia idade, vai governar como sempre fez, com um olhar para os que precisam, os mais pobres, os invisíveis ignorados pela direita.
A história vai passar de pai para filhos, chegará ao conhecimento dos netos e netas.
Lula sai ainda mais gigante, é o verdadeiro mito, a lenda, um herói.
O outro não passa de um mentiroso, um criminoso fujão. Que fique pra lá, não faz falta.