A Jovem Guarda não foi criada por Roberto Carlos, embora o artista tenha sido o principal nome do programa da TV Record, que depois virou movimento musical.
Os artistas da Jovem Guarda em sua maioria eram pobres, de pouca escolaridade, o que em parte explica a falta de engajamento em política e causas sociais.
Praticamente todos eles faziam músicas românticas, ingênuas, como se não existissem outros temas para cantar a não ser os ligados ao amor.
Quando a Rede Record resolveu criar o programa de música jovem, na década de 60, os diretores da emissora pensaram no nome de Erasmo Carlos para apresentá-lo, com o nome de "Festa de Arromba".
Mas no teste de vídeo realizado Roberto agradou mais a Paulo Machado de Carvalho, proprietário do canal de televisão.
Ele decidiu que RC seria o apresentador, acompanhado de Erasmo e Wanderléa.
Então o nome "Festa de Arromba", que era uma canção de Erasmo que estava tocando muito na época, perdeu o sentido.
O publicitário Carlito Maia (que mais na frente seria um dos fundadores do PT) foi quem propôs o nome Jovem Guarda, segundo ele tirado de um discurso de Lenin, o líder comunista.
Paulo Machado e Roberto acharam estranho, não gostaram muito.
Mas terminou ficando esse mesmo e o programa estreou em agosto de 1965, conseguindo pouco mais de 15% de audiência no domingo à tarde.
Com o lançamento da música "Quero Que Vá Tudo Pra o Inferno", no final do ano, o Jovem Guarda e os artistas que faziam o programa se tornaram mais conhecidos.
Em meados de 1966, o musical da Record tinha índices de audiência próximos de 40%.
"Quero Que Vá Tudo Pra o Inferno", portanto, foi um divisor de águas.
A música tocou seis meses sem parar em todas as emissoras de rádio do Brasil.
Foi sucesso também na Argentina, Cuba, Uruguai, Venezuela, na Itália e nos Estados Unidos.
Cantores como Fagner, Alceu Valença, Zé Ramalho, Djavan e Nana Caymmi (que na época estava morando no exterior), adolescentes, em 1965, registraram forte impressão a respeito da música de Roberto e Erasmo.
Os católicos reagiram e Roberto ficou mal visto na igreja.
Até mesmo alguns artistas não gostaram, como Wando, que ainda não era conhecido. "Esse cara não pode fazer isso", disse o romântico", indignado com uma música em que o cantor mandava tudo pra o inferno.
Hoje a canção parece inocente, mas escandalizou muito, quando foi lançada.
Em 1968 o programa Jovem Guarda acabou e o movimento musical perdeu força.
Muitos dos artistas da época, porém, ainda estão aí, velhos, mas queridos, lembrados pelos das gerações passadas e até por alguns jovens.
Os grandes nomes da Jovem Guarda foram Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléa, Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys, Trio Esperança, Leno e Lilian, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Ronnie Von, Os Incríveis, Eduardo Araújo, Martinha, Rosemary, Os Vips e Vanusa.
Artistas como Reginaldo Rossi, Odair José, José Augusto, Paulo Sérgio, Sérgio Reis e The Fevers tiveram forte influência da Jovem Guarda.
*Texto baseado num trecho do livro "Roberto Carlos Outra Vez", do jornalista e professor universitário Paulo César Araújo.