JOGADOR QUE SUBSTITUIU PELÉ NA COPA DE 62 VIVE EM HOSPITAL COM ALZHEIMER

O Brasil foi bicampeão mundial de futebol na copa de 1962,  disputada no Chile.

Nessa edição do torneio, Pelé, revelado em 1958 na conquista da Suécia, jogou apenas duas partidas porque se machucou.  

Seu substituto foi Amarildo, que deu conta do recado, inclusive marcando três dos gols da seleção brasileira.

Amarildo, que nasceu numa cidade do interior do Rio de Janeiro ainda vive.

Aos 86 anos, o craque do passado está esquecido e doente, internado num hospital com Alzheimer.

Antes teve câncer e sofreu três AVCs isquêmicos, em 2023.

Amarildo fez parte do timaço do Botafogo da década de 60, que tinha também Garrincha, Didi e Zagallo.

*Fotos: Extra Esportes.

CASO DE HELOÍSA RODRIGUES REPERCUTE EM TODO O PAIS


Por conta de reportagem no programa Fantástico, o caso da biomédica Heloísa Rodrigues, de 28 anos, ganhou mais visibilidade e está sendo comentado em todo o Brasil.

A jovem denuncia há tempos que sofre agressões e abusos sexuais desde criança, sem que a mãe nunca tenha feito nada para defendê-la.

Revoltada, Heloísa luta na justiça para ter o direito de não usar o nome da mãe em seus documentos.

No Fantástico, a biomédica disse que  o pedido foi feito para tentar apagar as memórias de uma infância marcada por violência física, abusos sexuais e anos de sofrimento, que resultaram em diversas denúncias e processos judiciais.

MUDANÇA DE NOME

Na justiça, Heloísa, que foi registrada como Larissa, conseguiu a mudança de nome.

Permanece a luta para excluir o nome da mãe da certidão de nascimento e dos demais registros civis.

Questionada no Fantástico se preferia não ser filha de ninguém a continuar sendo registrada como filha da mulher que a criou, respondeu sem hesitar que sim.

Ela disse que manter esse vínculo nos documentos faz com que reviva lembranças dolorosas em situações cotidianas.

"Eu vou em lugares em que preciso confirmar o nome da mãe, preciso escrever o nome dela. Em hospital vem o nome dela na pulseira",  desabafou.

VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA

Durante a entrevista, Heloísa Rodrigues  revelou que as agressões começaram ainda na infância e se intensificaram após a separação dos pais, quando ela estava para fazer cinco anos.

Um dos episódios mais marcantes, segundo ela, aconteceu quando a mãe ateou fogo à cama onde ela e o pai estavam.

Documentos obtidos pelo Fantástico' mostraram que as denúncias começaram ainda quando ela era criança. 

Em 2010, registros do Conselho Tutelar apontam que a jovem procurou o órgão para denunciar maus-tratos contra os irmãos.

No mês seguinte fez uma nova denúncia envolvendo agressões contra uma das irmãs.

A mãe chegou a assinar um termo de responsabilidade junto ao Conselho Tutelar. 

ABUSO SEXUAL

Além das agressões físicas, Heloísa afirma ter sido vítima de abusos sexuais desde os nove anos de idade. 

Relatou o primeiro episódio à mãe, mas não recebeu acolhimento.

Em 2017  a vítima reuniu vídeos, áudios e outros materiais e publicou um relato nas redes sociais. 

A denúncia chegou ao Ministério Público de São Paulo e deu origem a uma investigação criminal. A mãe foi ouvida apenas como testemunha.

De acordo com a reportagem, dois homens foram condenados. 

Um recebeu pena de 31 anos e oito meses de prisão por violência sexual contra as três irmãs. Outro foi condenado a nove anos e quatro meses por violência sexual contra duas das irmãs mais novas. 

Ambos recorreram e estão em liberdade.

NEGATIVA DA JUSTIÇA

Após deixar a casa da mãe, em 2021, Heloísa iniciou o processo para alterar sua identidade civil. 

A ação foi acompanhada por laudos psicológicos e depoimentos de testemunhas. 

Embora a Justiça tenha autorizado a mudança do prenome e a retirada do sobrenome materno, o pedido para excluir o nome da mãe dos registros oficiais foi negado.

Na decisão, o magistrado entendeu que não existe previsão legal para apagar a maternidade biológica dos documentos, por considerar que esse vínculo representa um fato histórico e biológico, independentemente da qualidade da relação entre mãe e filha.

A defesa de Heloísa recorreu da decisão e afirma que o Direito brasileiro já reconhece diferentes formas de  parentesco. De forma que podem ser discutidas alterações dos documentos em situações excepcionais envolvendo histórico comprovado de violência.

MEDIDA PROTETIVA

Em 2025  a biomédica apresentou uma nova denúncia contra a mãe, desta vez por violência doméstica, perseguição e suposta participação nos abusos relatados ao longo dos anos. 

A Justiça concedeu uma medida protetiva determinando que a mãe permaneça a pelo menos 500 metros de distância da filha. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Entrevistada pela reportagem do Fantástico a mãe de Heloísa, que não teve seu nome revelado,  negou todas as acusações de maus-tratos, conivência com abusos sexuais e qualquer recebimento de dinheiro para permitir contato da filha com homens. 

Ela também afirmou que a filha inventava histórias desde a infância para morar com o pai.

Num vídeo que divulgou no Instagram, Heloísa disse que homens que não cumprem o papel de pai podem ter seus nomes retirados dos documentos dos filhos.

O mesmo, no seu entendimento, deve ser aplicado as mulheres que falham como mães.

PESQUISA DO INSTITUTO MÚLTIPLA DÁ LIGEIRA VANTAGEM A RAQUEL LYRA


Pesquisa do Instituto Múltipla, que teve o resultado divulgado nesta segunda-feira, pelo jornalista Nill Jr. mostra Raquel Lyra (PSD) e João Campos empatados tecnicamente, com vantagem numérica da governadora.

Raquel tem 44% de intenções de voto, contra 40% de João.

Ivan Moraes, do PSOL, pontuou com 1%. Não opinaram 1% dos entrevistados. Indecisos são 7%. Votam branco e nulo 8%.

É um resultado discrepante, em relação a uma outra pesquisa recente, do Instituto Simplex, que apresentou a governadora com 40,3%, enquanto João somou apenas 27,9%.

Neste segundo caso, com mais de 12 pontos de vantagem, não se poderia falar em empate técnico.

Pela pesquisa do Instituto Múltipla, Raquel Lyra tem uma rejeição um pouco maior do que a de João Campos.

Segundo a pesquisa, 33% dos eleitores pernambucanos não votam na governadora em nenhuma hipótese. A rejeição do ex-prefeito do Recife é de 29%.

A pesquisa contratada pelo blog de Nill Jr. foi registrada na Justiça Eleitoral.

Foram realizadas 900 entrevistas entre 24 e 26 de junho. A margem de erro do levantamento é de 3,3% para mais ou para menos.

PREFEITO CAÍQUE INVESTE NAS BANDAS DE MÚSICA DE ANGELIM


O dia 7 de setembro está se aproximando e a prefeitura investe nas bandas   de música da cidade, para que essas possam fazer bonito  na data em que se comemora a independência do Brasil.

No sábado passado o prefeito Caíque entregou instrumentos de sopro e percussão aos músicos das bandas Adeilson Felix, da escola Miguel Calado, e a da Banda Show Municipal de Cultura.

Foram caixas, atabaques, baquetas, pratos, tenor, coletes e peles hidráulicas, instrumentos que irão fortalecer as duas bandas.

Caíque considera importante investir na cultura musical dos angelinenses.

"Vem aí o dia 7 de setembro e o investimento que estamos fazendo,  com novos equipamentos,  contribuem ainda mais a formação dessa juventude talentosa que irá  participar do desfile da data da independência", disse o prefeito de Angelim, após as entregas dos instrumentos musicais.

*Com informações e foto de Marcos Moura (Blog do Sr. Cariri).

ALUÍZIO ALVES E IVO DE SOUZA - DOIS ÍCONES DO RÁDIO DE GARANHUNS

Aluízio Alves
Ivo de Souza e Solon Gomes

Um perfil do Instagram intitulado "Recortes Garanhuns" produziu recentemente dois vídeos interessantes.

Um lembra de Ivo de Souza, radialista da antiga Difusora, que era uma celebridade em sua época.

Ivo tinha muito carisma e costumava fazer campanhas filantrópicas para ajudar a população carente, num tempo em que ainda não tinha sido criados os programa de governo para socorrer os mais pobres.

O radialista morreu em 1973 de forma trágica. Garanhuns parou quando ele morreu carbonizado, conforme registra o vídeo do perfil do Instagram citado.

O outro vídeo do Recortes Garanhuns relembra Aluízio Alves, que também trabalhou na Difusora, depois Rádio Jornal.

No segundo vídeo tem o radialista entrevistando Ivo Amaral, com uma fala incrível do ex-prefeito do município.

RONDA

Natural de Correntes, Aluízio foi o grande nome do rádio local nos anos 80, 90 e primeira metade dos anos 2000.

O programa Ronda Policial, com duas edições diárias, tinha em torno de 80% de audiência, com enorme alcance em todos os municípios do Agreste Meridional.

Aluízio Alves nos deixou em 2007.

Tanto Ivo quanto Aluízio dão nomes a ruas e avenidas de Garanhuns, na área da Boa Vista/Cohab II.

HISTÓRIAS

Aluízio Alves deixou muitas histórias, que ainda hoje são relembradas por pessoas que conviveram com ele.

Aqui no blog já publiquei uma delas.

Aconteceu o seguinte:  um policial militar da cidade resolveu implicar com a Rádio Jornal. 

Aplicou nada menos do que 14 multas no carro de reportagens da antiga Difusora. 

Aí chega ao município, para uma visita, o então governador Joaquim Francisco que tem uma entrevista agendada com Aluízio. 

O radialista inicia a conversa com rasgados elogios ao governante, enaltecendo inclusive as blitzes realizadas no trânsito. 

Aproveita e cita o número de multas exorbitantes do carro da rádio. Tudo isso no ar. 

Joaquim pede para ver as notificações, chama o ajudante de ordens e dentro de poucos minutos, enquanto prossegue a entrevista, todos os policiais envolvidos com o trânsito estão reunidos no quartel. 

Resultado: todas as multas foram tiradas, o PM que estava implicando com a emissora foi identificado e posteriormente transferido para Cabrobó ou Orobó, um lugar desses.

Solon Gomes, na foto junto com Ivo de Souza, também foi um nome muito importante na radiofonia garanhuense.

*Fotos: Da página do Facebook "Garanhuns - História, Arte, Política e Curiosidades".

CANDIDATO DA OPOSIÇÃO PODE TIRAR MILEI DO PODER NA ARGENTINA

Axel é amigo de Lula

O presidente Javier Milei, da Argentina, corre sério risco de não conseguir se reeleger no próximo ano.

Nas últimas pesquisas realizada no país vizinho quem lidera é um opositor de Milei, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof.

Ele é peronista e tem posições políticas próximas do presidente Lula.

Milei, que esteve no Brasil sábado passado para apoiar candidatos do PL e ofendeu autoridades brasileiras, faria melhor em se preocupar com a sua própria casa.

Buenos Aires tem sido palco de manifestações gigantes contra o governo e numa das últimas pesquisas realizadas na Argentina o provável candidato peronista está quase 11 pontos à frente do atual presidente.

A ESTRELA DE XUXA BRILHA NOS CÉUS DE SÃO PAULO


Xuxa Meneghel levou 50 mil pessoas a um estádio de futebol, em São Paulo, no sábado passado, na estreia da turnê "O Último Voo da Nave".

Aos 63 anos, a estrela se apresentou em forma, desfilando sucessos que marcaram sua carreira  durante décadas.

Disse que estava no palco não para vender discos e sim para fazer as pessoas felizes.

Muitos que eram crianças quando a apresentadora se tornou a "rainha dos baixinhos" assistiram o show.

Tinha crianças, pais, avós.

Nas redes sociais Xuxa recebeu críticas.

Quase todas por conta do etarismo e porque ela não compactua com os políticos da extrema-direita.

Ela disse que não é cantora e admitiu estar velha. Está melhor do que quando era jovem, um corpo perfeito para uma sessentona, bonita, sábia.

A turnê da rainha vai percorrer várias capitais brasileiras.

BRASIL REAGE AO TOSCO PRESIDENTE DA ARGENTINA

No sábado o presidente da Argentina, Javier Milei, esteve no Brasil e cometeu ilegalidades  que  afrontam até a inteligência de um estudante do ensino fundamental.

O extremista da direita do país vizinho esteve na convenção do PL e pediu votos para o candidato do partido à presidência do Brasil.

Um estrangeiro que interfere no processo eleitoral brasileiro, um cara que se acha no direito de decidir por nós o melhor para o país.

Como se não bastasse o desrespeito à legislação, o menino maluquinho de Buenos Aires atacou o presidente de uma nação estrangeira e um representante da Suprema Corte do Brasil.

Chamou Lula de presidiário e o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca".

Ainda que o fossem não poderiam ser tratados dessa forma, ainda mais por um sujeitinho de outro país.

Lula não é presidiário, é presidente do Brasil eleito pelo voto popular. Derrotou o candidato da direita, em 2022, quando obteve em torno de 60 milhões de voto.

O líder político petista já foi eleito três vezes, o que dificilmente Milei conseguirá na Argentina com seu governo desastroso que empobrece cada vez mais a população do país.

Presidiário é Jair Bolsonaro, condenado por formação de quadrilha, tentativa de golpe de estado e mais três crimes.

Lula foi preso duas vezes na vida. Uma por liderar greves por melhorias de vida para a classe trabalhadora, no período da ditadura militar.

A outra por decisão de um juiz suspeito que não apresentou provas, tanto que o tal magistrado foi julgado parcial pelo STF.

Esse mesmo Supremo agora atacado por Javier Milei em seu discurso tosco.

O processo contra Bolsonaro não foi político e Alexandre de Moraes desde que chegou ao STF, indicado pelo presidente Michel Temer, atua de forma dura, mas sempre dentro da lei, respeitando a Constituição.

Um estrangeiro chamar um ministro da Suprema Corte do Brasil de "lixo careca" não é só uma ofensa.

É um golpe baixo até para essa figura folclórica que infelicita a América do Sul.

Brasileiro que se preze, mesmo que  não seja eleitor de Lula, não pode permitir que esse argentino ridículo venha cantar de galo no nosso país.

Ele é que é um lixo. Que fique bem longe de nós, até que a população de Buenos Aires e de toda a Argentina o jogue de volta à privada da qual nunca devia ter saído. 

O Governo fez certo em chamar de volta ao Brasil o nosso embaixador na Argentina.

Ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, agiu de forma honrada ao defender o colega de Casa, Alexandre de Moraes.

Se não nos curvamos nem aos Estados Unidos do do arremedo de ditador,  Donald Trump,  imagine à Argentina dessa figura grotesca que é Javier Milei.

Eles foram  derrotados no futebol, perderam  a copa e vão perder também na política, porque o Brasil e Lula são maiores de que esses ridículos tiranos.

Fora Milei e os traidores da Pátria!

UMA CRÔNICA PARA TEREZA


Evaldo Gouveia e Jair Amorim, dois dos melhores e maiores compositores do Brasil, compuseram a música "Tango para Tereza".

A canção ficou conhecida na interpretação magistral de Ângela Maria, grande voz da MPB.

Hoje alguém pôs a rodar

Um disco de Gardel

No apartamento

Que tristeza me deu..

E Ângela segue cantando o tango, numa interpretação belíssima.

Neste domingo não ouvi Gardel, nem Ângela Maria, Maria Bethânia, Gal ou Chico Buarque.

Ouvi sim um trecho de Sampa, com Caetano Veloso. É que meu filho mais velho, Luís Fernando, está em São Paulo com as filhas e lembrei da metrópole, da Ipiranga e São João.

Mas Tereza entra na crônica porque ao acaso vi esta foto da minha mulher, companheira de 38 anos de jornada conjunta.

Ela já começou a fazer a contagem dos dias que faltam para fazer 60 anos.

Se estivermos bem e com algum trocado, vamos comemorar. Com os filhos, os netos e netas, um almoço ou jantar.

Essa mulher da roça, que fui buscar num dia de domingo e a encontrei incrivelmente bela, lavando roupa num barreiro, já viveu muitas ao meu lado.

Deu-me três filhos, me entregou todo amor do mundo, cuidou de mim quando veio a doença e até os médicos eram pessimistas (ou realistas) com meu caso.

E aqui estou, 20 anos depois do primeiro susto. Ainda escrevendo e esperando festejar os 60 anos da esposa, namorada, amante, mãe, uma mulher que parece ter saído das páginas de Graciliano Ramos para garantir o brilho no olhar.

HOJE AINDA TEM FESTIVAL, COM BATUQUE DELLAS NO PALCO DA CULTURA POPULAR


O sábado (25) foi marcante em Garanhuns, com as ruas se enchendo de alegria quando do cortejo do Boi da Macuca.

No palco da Praça Mestre Dominguinhos, à noite, os shows de encerramento na Praça Mestre Dominguinhos.

Destaque para a apresentação de Alceu Valença, o grande homenageado do FIG este ano.

O Festival de Inverno termina neste domingo, com o grupo Batuque Dellas, de Minas Gerais, no Palco de Cultura Popular Ariano Suassuna, no centro da cidade.



ATRAÇÕES PARA 2027

E o FIG já tem 10 atrações garantidas para o próximo ano.

O prefeito Sivaldo Albino anunciou os nomes, na Praça Mestre Dominguinhos.

Já estão confirmados para o Festival de Inverno de 2027 a banda Barão Vermelho, Capital Inicial, Pablo, Simone Bitencourt e Joelma.

Também Batista Lima (natural de Serra Talhada), o grupo Menos é Mais (Distrito Federal), Raça Negra, Mari Fernandes e Alexandre Pires, que fez o grande show da 34ª edição do evento.

NA DITADURA AGNALDO TIMÓTEO COMPÔS MÚSICAS DE TEMÁTICA HOMOSSEXUAL

Na época da ditadura militar a repressão não era apenas política, mas também moral.

Cantores românticos como Odair José, Waldick Soriano, Wando e até Lindomar Castilho tiveram canções proibidas por questões morais.

Até meados dos anos 70 não era possível, por exemplo,  fazer qualquer referência à homossexualidade numa música.

"Bárbara", música de Chico Buarque, teve a expressão nós duas cortada da letra, por ser uma citação ao relacionamento entre Ana de Amsterdã e Bárbara, duas mulheres.

Já Odair José teve inteiramente vetada a canção "O Desespero", em 1974,  por também fazer menção a um relacionamento homossexual. 

“Você diz a todo instante / que eu não sou, meu bem / aquilo que aparento ser / diz até que não sou homem bastante / pra conseguir do meu lado ter você...”.

Essa estrofe, imagine,  fez com que a música não passasse pela censura. 

OUSADIA

Agnaldo Timóteo, porém, conseguiu driblar os censores ao estrear como compositor,  com a música "A Galeria do Amor".

A canção foi feita em homenagem à galeria Alaska, reduto gay no Rio de Janeiro da década de 70.

Uma ousadia e tanto de Agnaldo e sua música tocou muito nas rádios, na época. Nem todo mundo sacou que "A Galeria de Amor" exalta o amor entre pessoas do mesmo sexo, mas a letra é bastante clara.

"Numa noite de insônia saí, procurando emoções diferentes e depois de algum tempo parei, curioso por certo ambiente, onde muitos tentavam encontrar o amor numa troca de olhar.  Na galeria do amor é assim, muita gente a procura de gente, a galeria do amor é assim, um lugar de emoções diferentes, onde a gente que é gente se entende, onde pode se amar livremente". 

Nos anos seguintes (76 e 77), Timóteo gravou mais duas músicas de temática homossexual "Perdido na Noite" e "Eu Pecador".

O artista reconheceu a ousadia dessas composições na época em que foram feitas, mas comentou que não poderia ter deixado de expressar o sentimento de milhares de pessoas.

Agnaldo Timóteo falou sobre o tema ao jornalista e escritor Paulo César Araújo, que registrou as informações no livro "Eu Não Sou Cachorro Não", lançado em 2002.

CINCO CANÇÕES ANTOLÓGICAS QUE MERECEM UM ESTUDO

Ayla Gabriela e Seu Jorge 
no filme "Geni e o Zepelim"


GENI E O ZEPELIM

Algumas músicas são antológicas, não podem ser esquecidas e merecem ser estudadas.

São muitas as canções memoráveis, mas para não escrever um tratado cansativo demais vamos nos limitar a cinco, de autoria de artistas bem diferentes.

Chico Buarque de Holanda tem muitas canções que merecem uma análise. "Construção" é uma delas, para uns a melhor composição da música popular brasileira até hoje.

A letra é mesmo perfeita, com construções linguísticas que só poderiam mesmo sair da mente de um cara genial como Chico.

Mas a minha relação começa com "Geni e o Zepelim", outra sacada inteligente do melhor compositor brasileiro de todos os tempos.

A música conta uma história tão interessante, aborda tantas questões, que vai inspirar um filme com o mesmo nome.

"Geni e o Zepelim" tem como principal personagem um travesti.

Ninguém dava valor a pobre criatura.

Um dia, porém, a cidade é invadida por uma enorme nave e seu ocupante poderoso deixa todos assustados.

Ele, no entanto, misteriosamente, promete poupar o lugar, desde que Geni lhe sirva por uma noite.

E então acontece um desfile das autoridades (os podres poderes) atrás da travesti, fazendo apelos para que ela salve a cidade.

"O prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão".

A letra da música é completa,  os versos são embalados por uma melodia bonita e Chico Buarque, sem tantos recursos vocais,  se saiu muito bem na interpretação dessa canção.

É PRECISO

Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha, morreu em 1991, num desastre de automóvel.

O artista, nos 45 anos que esteve conosco, compôs grandes canções.

Embora não seja a mais conhecida, não tenha tocado muito nos rádios (na época era o principal meio de divulgação de uma música) "É Preciso" é uma das canções mais significativas de Gonzaguinha.

É uma música autobiográfica, na qual o compositor relembra sua vida quando criança, num subúrbio do Rio de Janeiro.

Fala de Dina, da mulher que o criou, da labuta diária numa casa,  dos sonhos de criança.

São quase 8 minutos de poesia e reflexão, num canto triste e bonito que entra pela alma,

"Ô Dina é preciso olhar essa vida, além desse filme no Cine Colombo, saber dessa lama na festa no mangue".

Luiz Gonzaga Júnior foi claro: A vida é muito mais do que a gente vê, está muito além dessas pedras, dessas ruas, lá fora tem um mundo a ser explorado, embora ele possa te decepcionar.

O DIVÃ

Na década de 60, quando Roberto Carlos consolidou sua carreira, muitos imaginavam que ele era apenas cantor.

O compositor, a cabeça por trás da grandes canções,  seria Erasmo Carlos.

O próprio Erasmo, num programa de televisão, deixou prosperar essa versão, o que deixou Roberto chateado.

E os dois passaram um tempo afastados.

A verdade é muitas músicas da dupla, mesmo quando assinadas pelo dois, nasceram da cabeça de Roberto. É o caso de "Sentado à Beira do Caminho", "Amigo" e certamente "O Divã", uma das melhores canções do rei.

Claro que essa música tem muito mais de Roberto do que de Erasmo, pois é confessional, biográfica.

Pela primeira vez o artista, então com pouco mais de 30 anos, falou do acidente de trem que lhe esmagou uma perna, quando tinha apenas 6 anos de idade.

Lembra do pai, da mãe, dos irmãos, da casa modesta, em que estava seguro, "não temia trovoadas".

O arranjo de "O Divã" é um caso à parte e só o violão que sustenta a canção,  do início ao fim, enriquece não apenas os versos de Roberto, mas toda a música popular brasileira.

Cena do filme "Vidas Secas"

TRISTE PARTIDA

Em 1964 Luiz Gonzaga musicou os versos de "A Triste Partida", poema do cearense Patativa de Assaré.

A música foi um grande sucesso e é uma das mais significativas do repertório do Rei do Baião.

É praticamente um tratado sobre o Nordeste, o drama das secas, a necessidade de famílias inteiras deixarem sua terra por conta da estiagem.

São quase 9 minutos de versos cortantes, narrando as necessidades na terra seca, a viagem, o que foi deixado para trás, a vida difícil na cidade grande.

"Faz pena o nortista, tão forte e tão bravo, viver como escravo no Norte e no Sul". 

É assim que termina "A Triste Partida", num tom triste, mas como uma denúncia da situação social de uma parte importante do país.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES

Em 1968, ano em que a ditadura editou o AI-5 e suprimiu de vez as liberdades democráticas, Geraldo Vandré participou de um festival da canção com uma música que incendiou o país.

"Caminhando" (Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores) é nitroglicerina pura, um chamado à luta, com os versos mais duros já colocados numa música para falar do exército.

"Nos quartéis lhes ensinam antigas lições, de morrer pela pátria e viver sem razão".

A música de Vandré irritou os generais, foi censurada e virou hino de resistência.

Até hoje anima protestos estudantis.

Não é só um protesto. É uma canção inspirada, linda, um gesto de rebeldia impregnado de amor.

FESTIVAL DE INVERNO ESTÁ CHEGANDO AO FIM E JÁ TEM ATRAÇÕES PARA 2027

Alceu Valença e Padre Fábio de Melo

A 34ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns está chegando ao fim e vai deixar saudades.

Na Praça Mestre Dominguinhos os shows deste sábado serão com Alceu Valença, homenageado no FIG pelos seus 80 anos, o Padre Fábio de Melo e as bandas Biquíni e Roupa Nova.

Desde o dia 9 deste mês que o Festival vem movimentando a cidade, com o principal polo do evento lotado na maioria das noites e também intensa movimentação no Pau Pombo, Teatro do Sesc, Centro Cultural, Seminário São José e Parque Euclides Dourado. 

O Festival de Inverno de Garanhuns do próximo ano já tem algumas atrações confirmadas para a Praça Mestre Dominguinhos.

Alexandre Pires, que este ano fez o grande show do FIG, estará de volta em 2027.

Também já estão com presenças garantidas a cantora Simone Bitencourt, o cantor Pablo, as bandas Capital Inicial e Barão Vermelho.

*Fotos: Blog do Jamildo

MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO ENCERRA 6ª EDIÇÃO DO PROGRAMA GESTAR


O encerramento da 6ª edição do programa Gestar, promovido pela prefeitura de São João por meio da secretaria de assistência social, foi marcado por muita emoção, afeto e acolhimento. 

Evento aconteceu nesta última sexta-feira (24). 

Realizado com um chá de bebês coletivo, o encontro coroou a jornada das mamães com gestos simbólicos e práticos: cada uma recebeu um kit maternidade e as tão aguardadas fotos reveladas do ensaio fotográfico, eternizando sorrisos e olhares de gratidão.

Para a secretária de ação social, Ana Luiza, os últimos meses representaram muito mais que encontros semanais – foram períodos de intenso aprendizado e cuidado, onde a equipe dedicou-se a oferecer suporte integral às futuras mães. 

Ela destacou que o programa foi um espaço seguro para trocar experiências e construir conhecimento sobre a maternidade, preparando cada mulher para a nova fase com mais confiança e menos solidão.



A TURMA DO DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA

Li um texto assinado por Júlio Belchimor Pinto, advogado, e achei perfeito. Compartilho aqui com vocês.

Desde que publiquei o caso da pastora e pré-candidata do PL filmada dando tapas e arremessando uma pedra contra um trabalhador, algumas pessoas perguntaram: o que Flávio Bolsonaro tem a ver com isso? Tudo.

Renata Vieira circula no bolsonarismo, posa com seus líderes, recebe apoio político e repete sua liturgia: Deus na legenda, violência na prática e perseguição imaginária assim que aparece uma câmera.

O sofá não cabia no elevador. A civilidade também não coube na candidata.

Depois dos tapas e da pedrada registrados em vídeo, veio o roteiro clássico: ela virou vítima, o trabalhador virou agressor e a confusão ganhou uma conspiração política ainda sem prova pública. No bolsonarismo, cada flagrante já nasce acompanhado de um álibi ideológico.

Esse episódio revela o tipo de sociedade vendido por Flávio Bolsonaro, sua família e seus aliados: autoridade para os de cima, humilhação para os de baixo; trabalhador tratado como serviçal; agressividade confundida com coragem; arrogância apresentada como liderança; Bíblia usada como biombo para qualquer brutalidade.

“Deus, Pátria, Família e Liberdade”, proclamam. E, quando o móvel atrasa, acrescentam tapa, pedra e mordida na panturrilha.

A pastora talvez seja apenas uma pré-candidata. Politicamente, porém, já está diplomada. Recebeu o título máximo do bolsonarismo: agride, inventa uma perseguição e se proclama mártir.