GILVAN LEMOS É TÃO IMPORTANTE PARA SÃO BENTO QUANTO ALCEU VALENÇA


Os dois são-bentenses muito ilustres são sem dúvida nenhuma Alceu Valença e Gilvan Lemos.

O cantor é conhecido nacionalmente e também no exterior. É um ícone da música popular brasileira.

Já o escritor, apesar da importância de sua obra literária, muitos desconhecem, provavelmente até na sua própria terra.

Gilvan escreveu o primeiro romance com pouco mais de 20 anos.

Esse livro de estreia, "Noturno Sem Música", só foi publicado mais de cinco anos depois de escrito, quando o autor já tinha completado 28 anos.

No livro é possível ver São Bento do Una na maioria das páginas. A cidade ainda bem pequena, com seus tipos populares, o comércio, as queijarias, o calor, o banho no açude no tempo das chuvas.

Tímido, Gilvan Lemos não fazia marketing dos seus livros e "Noturno Sem Música" quase passou despercebido.

Até que Osman Lins, grande escritor pernambucano, natural de Vitória de Santo Antão, escreveu num jornal de grande circulação uma crítica favorável ao romance.

A ficção do autor são-bentense depois recebeu um prêmio literário importante do estado.

Outro romance de Gilvan em que a terra natal está presente é "Jutaí Menino", este um livro de escritor mais maduro, a meu ver mais bem elaborado, um dos melhores dos mais de 20 que ele escreveu.

A meu ver a obra de Lemos tem influências de Érico Veríssimo, José Lins do Rego, Graciliano Ramos e de autores estrangeiros, como Dostoiévski. 

Outros livros importantes do escritor natural da cidade do Agreste, que viveu a maior parte de sua vida no Recife, são O Anjo do Quarto Dia, A Lenda dos Cem, Os Pardais Estão Voltando,  Emissários do Diabo e A Noite dos Abraçados.

No final de 2017 o jornalista e escritor Thiago Corrêa lançou uma biografia de Gilvan Lemos, publicado pela editora CEPE.

Segue um pequeno trecho de "Jutaí Menino":

Para a próxima festa de reis, Gumercindo não mandaria pintar a casa toda. Pintaria apenas a frente, quebrando, assim uma tradição que vinha sendo mantida há muitos anos e que era seguida religiosamente pela maioria da população de São Bento. Não pintar a casa para a Festa de Reis significava grande desleixo ou precaríssimas condições financeira. 

Gilvan, por certo, merece ser lembrado. É tão importante nas artes quanto Alceu. Mas a timidez o impediu de ficar tão famoso. E a literatura por certo não tem o mesmo apelo popular da música.

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