Mas a dupla famosa não compôs somente versos românticos melosos, como alguns pensam.
É de Roberto e Erasmo a música que projetou Gal Costa, considerada um verdadeiro hino contra o preconceito.
"Meu nome é Gal e desejo me corresponder com um rapaz que seja o tal. Meu nome é Gal e não faz mal que ele não seja branco, não tenha cultura, de qualquer altura eu amo igual", diz a canção, gravada com sucesso pela cantora baiana, no início de sua carreira.
Outra música com a assinatura de Roberto e Erasmo, poderia ter sido feita por artistas de ideias socialistas e não por compositores bem comportados, conservadores, como sempre se mostraram.
"Somos uma multidão de iguais. Não se escreve o nome de um homem Em tudo o que ele faz, mas onde ele põe suas mãos estão as digitais. Não importa qual a cor do homem, como ele se veste, de onde vem, dentro de um castelo ou de um barraco, ele é alguém, com o que tem. Da semente ao trigo quantos são pra fazer chegar à mesa o pão?".
"Todo Mundo é Alguém", de 1988 não chega perto da música "Construção", de Chico Buarque, mas os autores disseram ter criado a letra pensando no trabalhador, principalmente o da construção civil.
Erasmo e o parceiro fizeram também canções ecológicas e pelo menos uma refletiu os tempos brabos da ditadura.
Estamos nos referindo a "É Preciso Dar um Jeito Meu Amigo", gravada pelo Tremendão e que faz parte da trilha sonora do filme "Ainda Estou Aqui".
Outra música de Erasmo e Roberto Carlos que passa pela crítica ao preconceito é "Mundo Deserto", dos anos 60, gravada com muita garra por Elis Regina.
CENSURA
A dupla de compositores teve problemas com a censura?
Sim, mas com uma canção de amor.
"Amada Amante" nasceu da cabeça de Roberto para homenagear Cleonice Rossi.
Nos primeiros tempos os dois viveram um "amor proibido". Ela era mais velha do que o cantor, desquitada (ainda não havia divórcio no Brasil) e tinha uma filha.
Antes de casarem na Bolívia (aqui no país o casamento não era possível na época) eles foram como que amantes, da forma que foi celebrada na música.
A censura implicou com o verso "que manteve acesa a chama, que não se apagou na cama, depois que o amor se fez".
Música só foi liberada quando modificada. Ficou assim: "Que manteve acesa a chama, da verdade de quem ama, antes e depois do amor".
Até mais bonito, não é? Os autores conseguiram driblar a censura e fizeram muito sucesso, elogiando a figura da amante.
Quase 50 anos depois Chico Buarque iria escandalizar a família tradicional e os hipócritas, ao colocar a figura da amante em primeiro plano, numa canção.
"Quando teu coração suplicar ou quando teu capricho exigir, largo mulher e filhos e de joelhos vou te seguir", disse o autor de A Banda em "Tua Cantiga", que recebeu críticas dos setores conservadores.
*Na foto da capa de um dos seus discos, Erasmo Carlos, que morreu em novembro de 2022.

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