O DIA EM QUE ODAIR JOSÉ FOI VAIADO PELO PÚBLICO DE CAETANO VELOSO

Caetano Veloso e Odair José


Na década de 60 os principais artistas da MPB reagiam à Jovem Guarda, por considerar os integrantes do movimento musical alienados.

Achavam que produziam uma música americanizada e não aceitavam o uso de guitarras nos shows.

Até uma passeata contra a guitarra foi realizada pelo representantes da chamada música popular brasileira.

Gilberto Gil participou, Caetano Veloso não.

Na década seguinte os medalhões da MPB, a maioria de formação universitária, pessoas de classe média, se voltaram contra o artistas chamados de cafonas, caso de Agnaldo Timóteo, Fernando Mendes e Odair José.

A crítica musical, elitista, desprezava os cafonas e só comentava discos de cantores e compositores do nível de Chico Buarque, Ivan Lins, Milton Nascimento João Bosco e Gonzaguinha.

Mas os bregas, termo que só surgiu depois, vendiam mais discos do que os artistas cultuados pelos universitários e pela crítica.

Em 1973, durante um festival intitulado Phono 73, produzido por uma gravadora, Caetano Veloso resolveu convidar Odair José para se apresentar com ele no evento.

Quando os dois subiram no palco foram recebidos por uma estrondosa vaia, dirigida ao "cantor das empregadas".

Como tinha convidado o outro, Caetano ficou deveras irritado. E esbravejou contra a plateia. Jogou o microfone no chão e saiu do palco, antes dizendo, irônico:

"Não há nada  mais Z do que um público classe A".

Os bregas, caso de Odair, Fernando Mendes, Agnaldo Timóteo, Paulo Sérgio e Nélson Ned só passaram a ter reconhecimento - pelo menos de uma parte da crítica - após o livro "Eu Não Sou Cachorro Não", de Paulo César Araújo.

Nessa obra, o autor denuncia o preconceito contra os artistas populares, tanto por parte do público classe média, quanto da crítica e mesmo dos representantes da MPB.

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