JUÍZA QUE CONDENOU LULA É AFASTADA POR IRREGULARIDADES


A juíza Gabriela Hardt, parceira de Sérgio Moro na Operação Lava Jato, foi afastada do cargo por dois anos, pelo Conselho Nacional de Justiça.

Ela continuará recebendo o salário, mas perderá gratificações. Além do mais, a punição representa uma "desmoralização" do seu trabalho como magistrada.

Ficou feio para a juíza perante o Ministério Público, o Poder Judiciário e a sociedade.

Segundo dados do Portal da Transparência do CNJ, em junho de 2026 Gabriela teve remuneração bruta de R$ 77.983,48 e líquida de R$ 56.161,46. 

Os valores consideram penduricalhos, que variam mês a mês. O subsídio fixo da magistrada é de R$ 39.753,21.

A apuração contra Gabriela Hardt foi aberta pelo Conselho Nacional de Justiça em 2024 depois que uma fiscalização feita pela Corregedoria apontou supostas irregularidades no trabalho da juíza.

Magistrada validou um acordo que tinha o objetivo de criar uma fundação privada que seria abastecida com recursos da Lava Jato, a partir do pagamento de multas de empresas condenadas. 

Os valores chegariam a R$ 2 bilhões.

A aplicação da punição contra a magistrada foi aprovada por unanimidade. E, por 10 votos a 4, prevaleceu a sanção de dois anos.

Gabriela Hardt foi substituta do ex-juiz Sergio Moro nos processos da Lava Jato. 

Em 2019, ela condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do sítio de Atibaia. A decisão foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal.

Gabriela também foi acusada de plagiar uma sentença de Moro no processo. 

DISCUSSÃO

Em 2018, ao colher depoimento de Lula, que na oportunidade era ex-presidente, a juíza engrossou para o lado do líder petista.

Vamos relembrar uma parte do diálogo entre a juíza e Lula:

A juíza iniciou o interrogatório perguntando ao ex-presidente se ele sabia do que estava sendo acusado no processo, ao que Lula prontamente respondeu: “Não. Gostaria que a senhora pudesse me explicar qual é a acusação”. 

Após Hardt explicar brevemente que Lula responde por supostos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o ex-presidente rebateu: “Eu imagino que a acusação que pesava sobre mim é que eu era dono de um sítio em Atibaia”.

 “Não, não é isso que acontece. É ser beneficiário de reformas que foram feitas”, interrompeu a juíza, dizendo que a acusação “passa pela relação” de Lula ser o dono do sítio. 

Doutora, eu só queria perguntar, primeiro um esclarecimento, porque eu estou disposto a responder toda e qualquer pergunta. Eu sou dono do sítio ou não?”. 

“Isso é o senhor que tem que responder, não eu, doutor, e eu não estou sendo acusada neste momento”, devolveu a juíza.

“Não, quem tem que responder é quem me acusou”, rebateu Lula. 

A juíza então subiu o tom e disse que, se Lula continuasse agindo daquela forma, haveria “um problema”.

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