*Do jornalista Tom Cavalcanti:
Namorador, Gilberto Gil nunca resistiu a um rabo de saia. Entre as muitas idas a São Paulo, para gravar os programas da TV Record, o músico encantou-se com uma colega de emissora, também despontando para a música e mãe de três filhos.
Já separado de Belina, ele pediu a mão da moça em casamento, que dispensou maiores formalidades.
Na semana seguinte, Gil e Nana Caymmi já estavam morando juntos.
O casamento durou um pouco mais de dois anos. Para Nana, de temperamento avesso ao dele, uma eternidade.
“Você acha pouco? O máximo para um casamento são sete anos. Depois dali, a magia acaba, é preciso reciclar”.
Os dois mantiveram uma boa convivência, sobretudo por causa da profunda admiração de Gil pelo ex-sogro, um de seus grandes ídolos na música.
A relação começou a azedar a partir do momento em que Gil aceitou o convite para ser ministro da Cultura no governo Lula.
Nana, liberal nos costumes, mas ultraconservadora quando o assunto era política, passou a dar declarações pouco elegantes envolvendo o nome do ex-marido.
Flora Gil tentou contornar o mal-estar convidando Nana para o aniversário de 66 anos de Gil, ainda ministro, em 2008. A ex não deu as caras em Brasília.
Em 2018, Nana entrou de cabeça na campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Os inimigos do capitão passaram a ser inimigos dela, incluindo a quase totalidade da classe artística.
Nana soltou os bichos para cima dos artistas lulistas ao redobrar os esforços para a eleição de Bolsonaro, após o atentado contra ele durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).
“É injusto não dar a esse homem um crédito de confiança. Um homem que estava fodido, esfaqueado, correndo pra fazer um ministério, sem noção da mutreta toda... Só de tirar PMDB e PT já é uma garantia de que a vida vai melhorar. Agora vêm dizer que os militares vão tomar conta? Isso é conversa de comunista. Gil, Caetano, Chico Buarque. Tudo chupador de pau de Lula. Então, vão pro Paraná fazer companhia a ele”.
*Esse texto faz parte do livro "Nem Tanto Esotérico", de Tom Cavalcanti.
**Nana Caymmi morreu em 2025, aos 84 anos.

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