“Meu filho não volta, mas existem os outros filhos.”
Eu perdi Rafael para uma dependência que começou diante de uma tela, alimentada pela promessa de dinheiro fácil, pela propaganda constante e por influenciadores que apresentam apostas como diversão, oportunidade e sucesso.
Vi meu filho mudar. Vi um jovem trabalhador perder o controle da própria vida enquanto empresas continuavam lucrando e anúncios continuavam alcançando milhões de pessoas como se não existissem famílias sendo destruídas do outro lado da tela.
Hoje, nada poderá trazer Rafael de volta. Mas eu me recuso a permitir que sua história seja esquecida ou tratada como uma tragédia isolada.
“Não dá para fechar os olhos e achar que não está acontecendo.”
Está acontecendo dentro das casas, nas escolas, nos celulares e entre jovens que acreditam que uma nova aposta poderá recuperar tudo aquilo que já perderam.
Meu alerta é para todas as mães e todos os pais: conversem com seus filhos. Observem as mudanças de comportamento, o isolamento, as dívidas e o desespero para conseguir dinheiro. A dependência em apostas é séria e precisa ser tratada como um problema de saúde pública.
Também faço um apelo às autoridades: parem de proteger um mercado bilionário enquanto famílias imploram por ajuda. Fiscalizem as empresas, restrinjam a publicidade e responsabilizem aqueles que enriquecem apresentando as bets como um caminho fácil para mudar de vida.
Meu filho não volta. Mas ainda existem milhares de filhos que podem ser protegidos.
O Brasil precisa agir antes que outras mães transformem a mesma dor em um novo alerta.
Texto adaptado a partir do relato público de Vânia de Souza Borges à Agência Pública.
*Fonte: Luz Manifesto
**Na foto da revista Brasil de Fato, no centro, Vânia ao lado do filho.

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