O PRIVILÉGIO DE VER ELIS E OUTROS ÍCONES DA MPB


Por Roberto Almeida

No final dos anos 70, quando era estudante de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, mesmo com a grana curta dava um jeito de assistir shows de bons nomes da MPB nos teatros do Recife.

No Teatro do Parque, localizado na Rua do Hospício, vi grandes artistas,  no início da carreira ou começando o caminho para a fama.

Lembro bem de Simone, toda de branco, jovem à época, alta, chamando a atenção pelo repertório, a voz, a altura de quem foi jogadora de basquete.

Ney Matogrosso, com uma presença de palco marcante, uma voz diferenciada e um toque especial no show, ao trocar de roupa no palco, sensualizando.

Recordo mais ainda de Gonzaguinha, também de branco, só ao violão, começando a apresentação com a antológica "É Preciso", que ainda hoje me emociona.

E o Santa Isabel?

No mais bonito teatro da capital pernambucana tive o privilégio de assistir show da Elis Regina.

Ela já tinha lançado "Falso Brilhante", álbum de 1975 que consagrou de vez seu nome na música popular brasileira.

É o disco em que ela gravou "Como Nossos Pais", de Belchior, um verdadeiro hino que atravessou gerações.

Mas quando Elis esteve no teatro da Praça da República, no Recife,  já tinha lançado o disco que inclui "Romaria", de Renato Teixeira, outra canção marcante na voz da cantora gaúcha.

No Santa Isabel também vi um show de Fagner quando quando ele estava começando a ficar conhecido.

Tinha lançado o disco "Eu Canto", com poema de Cecília Meirelles, que incluía a música "Revelação", canção que começou a tocar nas emissoras de rádio FM que surgiam na época.

Finalmente,  no mesmo teatro.  assisti uma apresentação de Ednardo, o homem do Pavão Misterioso.

Em 79 o cearense gravou a música "Manga Rosa", que abre o ótimo álbum daquele ano. Foi o repertório desse álbum que foi a base do show.


O som estava pra lá de alto, a minha primeira esposa, Judit Martins, estava grávida de Luís Fernando e apesar da barulheira dormiu quase todo o tempo.

Anos depois troquei a capital por Garanhuns e continuei a ver grandes artistas da música popular brasileira no palco, graças principalmente ao Festival de Inverno.

Assisti por aqui Gal Costa, Djavan, Ana Carolina, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Vanessa da Mata, Zeca Baleiro, Jorge Vercillo, Martinho da Vila, Chico César, Skank, Ney Matogrosso, Fagner, Alcione, Jota Quest, Jorge Aragão, Cássia Eller...

São tantos nomes, impossível lembrar de todos.

Friedrich Nietzsche, o filósofo, tem uma frase muito citada. Ele disse que sem a música a vida seria um erro.

Pra mim faz muito sentido. A música e as artes em geral fazem a vida melhor, preenchem o vazio dos dias, espantam o tédio e a melancolia, tornam mais prazeroso o presente, nos levam ao passado e nos dão perspectiva de futuro.

Por isso que carrego comigo os teatros do Recife e meus ídolos da juventude, os shows do FIG de quando eu podia estar na praça até às 4 da manhã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário