Juntos, os dois artistas criaram canções que se tornaram clássicas.
Caso de Al Capone, A Maçã, Medo da Chuva, Sociedade Alternativa, Gita e Tente Outra Vez.
São músicas com críticas ao status quo, questionamento da instituição do casamento, pregando o amor livre ou tentado explicar a divindade.
A parceria entre o cantor e o escritor durou até 1978, quando Raul lançou o álbum Mata Virgem, que traz músicas assinadas pelos dois.
Dois anos antes, em 76, Raul Seixas e Paulo Coelho assinaram uma das canções mais inquietantes da música popular brasileira.
O título já diz tudo: "Canto Para Minha Morte".
Os autores, nessa canção de letra fúnebre, que paradoxalmente traz melodia suave, bonita, fazem uma reflexão sobre o fim da vida e as possibilidades na hora da despedida.
"A anestesia mal aplicada, a vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida, o câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe, um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...", especulam os compositores.
Raul e Paulo parecem valorizar a dama mais indesejada de todas.
"Oh morte, tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e o homem. Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar, que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva e que a erva alimente outro homem como eu",
Raul canta: "Vou te encontrar vestida de cetim, pois em qualquer lugar esperas só por mim e no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar, vem, mas demore a chegar eu te detesto e amo morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida".
Possivelmente pelo tema macabro não fez muito sucesso e é desconhecida até mesmo por alguns fãs do maluco beleza.
*Fotos: Portal Terra

Eu considero a canção "CANTO PARA A MINHA MORTE", um verdadeiro HINO FILOSÓFICO do visionário Raul Seixas. Visto que, ela nos revela uma reflexão existencial e serena sobre a inevitabilidade da tal morte entre os seres pensantes que somos todos nós, os humanos que habitam o planeta terra. A letra aborda uma particularidade não como um fim definitivo, mas como um mistério fascinante, aceitando-a como parte natural de um festival periódico da vida humana. Aliás, toda obra de Raul convida a uma profunda reflexão filosófica sobre o valor de viver em que pese ele ter vivido por apenas 44 anos. A profunda e misteriosa canção desse gênio aborda a Inevitabilidade e o confidente : A letra trata a morte como uma presença constante e inevitável, questionando como e quando ela virá (e até citando formas banais de morrer, como um ESCORREGÃO). A morte é vista como o grande segredo da vida. A música transmite uma ideia de transformação contínua e imortalidade através da arte e da natureza. Em um dos versos, o desejo é que suas cinzas alimentem a terra para que dela nasça outro homem, reforçando o ciclo da vida. Espantosa e porque não dizer, FENOMENAL essa misteriosa canção do Maluco Beleza...
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