A ROSA DE CAPOEIRAS - Por Roberto Almeida

Embora morasse em Garanhuns há muitos anos, pertinho da Igreja São Sebastião, na Boa Vista, para mim sempre foi a "Rosa de Capoeiras", prima muito querida, meiga, um doce de pessoa.
Aos 65 anos conservava a beleza da juventude.
Seu pai, Hermes Calado, foi meu tio preferido.
Com ele fiz política e sempre estivemos do mesmo lado, no MDB, partido de oposição à ditadura militar.
Passei décadas no Recife, sem contato com Rosa, de quem fui muito próximo na infância e começo da adolescência.
Depois de sair pelo mundo voltamos a essa Garanhuns hospitaleira e cheia de encantos.
Não faz tantos dias assim estava com Terezinha, perto da loja de Ferreira Costa e encontramos a prima, que falou conosco com aquele carinho de sempre.
No domingo à noite Junior me informa que Rosa foi chamada pelo Pai.
Fiquei triste, pensando nela, no "meu tempo de criança", e as aspas são uma referência a música do Ataulfo Alves.
Já se foi Tio Hermes, Loló (mãe de Rosa), Maria Ester, irmã mais velha e Cid, um dos irmãos.
Beto, proprietário em Garanhuns de uma loja de eletrônicos, é o irmão mais novo da prima.
Terezinha conheceu Rosa já depois de muitos anos casada comigo.
Quando soube da notícia, comentou: "Ela era tão linda!". E recordou da última vez que conversamos com ela.
Minha mulher gostava da prima, não tenho dúvidas.
No Instagram, que permite a gente colocar um áudio, soltei a voz de Orlando Silva cantando "Rosa", composição de Pixinguinha.
São versos bonitos, num estilo que não se usa mais, exaltando e idealizando a mulher amada, de uma forma até mística.
"Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada e formada com ardor..."
Os versos de Pixinguinha bem podiam ter sido feitos para a "Rosa de Capoeiras".

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