E sempre recebeu críticas pela postura indiferente à política e falta de compromisso com causas sociais.
Roberto foi considerado dócil ao regime militar no Brasil e quando fez um show no Chile, com a presença do ditador Augusto Pinochet, ficou marcado.
Muitos nunca o perdoaram.
Na verdade o artista admite, até mesmo em suas canções, que não entende de política e prefere falar sobre o amor, que é sua praia.
Na música "O Progresso", de 1976, ele é bastante claro: "Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo".
Roberto Carlos, porém, teve algumas atitudes e compôs algumas canções que foram paradoxais com a sua omissão, ou mesmo posicionamento à direita.
Em 1971 Roberto e Erasmo fizeram duas músicas de temática social e política.
"Mundo Deserto", gravada por Elis Regina, aborda de maneira sutil a questão do preconceito de cor.
No mesmo ano a dupla compôs "É Preciso dar um Jeito meu Amigo", que reflete o clima pesado da época da ditadura.
A canção foi gravada por Erasmo e se tornou mais conhecida do ano passado para cá, por fazer parte da trilha sonora do filme "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2025.
Em 1971 Roberto parecia mesmo querer refletir sobre o que acontecia no Brasil.
Pois não é que neste ano ele gravou "Como Dois e Dois", uma música de Caetano Veloso dizendo que "tudo vai mal", isso em plena ditadura militar.
No final dos anos 60, o rei, como já era chamado, visitou Caetano em Londres.
O baiano tinha sido preso pelo governo militar e depois se exilara na Inglaterra.
Artista baiano chorou, com a visita.
E não é que em 71 (outra vez) Roberto e Erasmo lançaram um música dedicada a Caetano Veloso. "Debaixo dos Caracóis" dos seus cabelos, que depois seria gravada também pelo baiano.
No ano de 1974 Roberto gravou um disco nostálgico, que difere um pouco dos outros trabalhos, antes ou depois.
O LP (depois remasterizado em CD) traz clássicos de décadas passadas, como "Ternura Antiga", de Dolores Duran e "A Deusa da Minha Rua, de Newton Teixeira e Jorge Farah.
Esse álbum de 74 inclui "Despedida" e a conhecidíssima "O Portão. Em ambas alguns veem também um viés político.
As músicas teriam relação com partidas, exílios, retornos.
Faz algum sentido pois no mesmo disco "Eu Quero Apenas" e "É Preciso Saber Viver", são canções que exaltam a liberdade.
"A Estação", também do LP de 74, também é uma despedida. Mas Dona Laura uma vez confessou que a música foi feita pra ela.
Provavelmente o compositor pensou foi na mãe mesmo e não nos que estavam indo embora por conta do péssimo clima político do Brasil na época.
Esse artista apático, omisso, descompromissado com as lutas sociais e políticas foi investigado pelo SNI em 1978, imagine só.
No ano seguinte, porém, de acordo com reportagem publicada na antiga Revista Época, ganhou uma concessão de rádio do Governo Geisel.
Um dos seus maiores sucessos, "Jesus Cristo", foi usado nos porões do regime durante as sessões de tortura.
Neste caso, mesmo involuntariamente, o artista natural de Cachoeiro do Itapemirim serviu realmente à ditadura.

Quando eu cursava Letras na Unicap ( curso que não terminei ), uma aluna atreveu-se a perguntar ao professor de Literatura, Janilton Andrade, o que ele achava e Roberto Carlos. Resposta seca, simples e direta: pra quem tem mãe na zona, ele é ótimo. A coitada da aluna ficou em transe, enquanto a classe inteira ria.
ResponderExcluirProvavelmente Roberto Carlos involuntariamente agiu como os artistas que ao invés de irem se exilar em Cuba preferiram Londres!
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