ANOTAÇÕES SOBRE O FILME "O AGENTE SECRETO"


Em poucos dias de exibição, o filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, já levou mais de 300 mil pessoas ao cinema, somente no Brasil.

O longa tem agradado ao público e a crítica especializada.

É um trabalho realmente de muita qualidade do cineasta pernambucano, diretor de O Som ao Redor, Aquarius, Bacurau e Retratos Fantasmas.

"O Agente Secreto" foi indicado para representar o Brasil no Oscar 2026.

É cotado como Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Diretor, Atriz Coadjuvante e Roteiro.

Se vier pelo menos uma estatueta, numa dessas categorias, ótimo.

Independente do Oscar, o longa de Kleber Mendonça já faz história.

No prestigiado Festival de Cannes, na França, ficou com os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Wagner Moura).

Poderia citar muitos críticos de cinema que elogiaram o filme.

Mas basta um: Isabela Boscov. Há 30 anos ela escreve e fala sobre cinema e entende muito da sétima arte.

Isabela se rendeu completamente ao filme de Kleber Mendonça. Fez elogios rasgados no seu canal do YouTube.

Pessoalmente, gostei muito do longa, que conferi ontem à noite, no Eldorado Garanhuns.

É uma mescla de suspense, drama, policial e filme político.

A ditadura está onipresente na tela, embora de maneira acovardada não mostre a cara.

O cineasta mais uma vez faz declaração de amor ao Recife e a Pernambuco.

Direção e roteiro impecáveis.

De tudo que li não achei até agora nenhum comentário sobre Fernando, filho de Marcelo, que aparece já perto do final.

É interpretado por Wagner Moura, que faz também o pai, mas parece outra pessoa quando reaparece em cena.

Tive a impressão que Fernando, médico, é alienado, não tem a consciência política do pai.

Do qual não tem lembrança, pois à época da ditadura era criança.

Aparece pouco, mas o suficiente para perceber que não está a par do que aconteceu no Brasil dos anos 70.

Um dos pontos altos do filme é a apresentação do Recife como era em 1977. Reconstrução impecável, com os fuscas dominando o centro da cidade.

Outro ponto importante é a menção à "ricaça responsável responsável pela morte do filho da empregada".

Um recado à sociedade e à justiça, pelo que aconteceu com o pequeno Miguel, vítima de Sari Corte Real, ex-primeira dama de Tamandaré.

Não poderia, antes de terminar, deixar de citar a Tânia Maria, que interpreta a Dona Sebastiana.

A norte-rio-grandense rouba as cenas, quando aparece na tela.

Uma energia, aos 78 anos, que muita menina de 20 não tem.

Viva o povo e o cinema brasileiro!

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