Não sei porque os pernilongos da capital fizeram com que eu me lembrasse de uma música de Zé Ramalho, do início de sua carreira.
É uma canção de letra metafórica, como costumam ser as músicas do paraibano.
Mas é um som bonito, contagiante, na voz de trovador do artista de Brejo do Cruz.
As borboletas estão voando, a dança louca das borboletas, quem vai voar não quer dançar, só quer voar, a voar...
E as borboletas estão girando, estão virando a sua cabeça, quem vai girar não quer cair, só quer girar, não caia.
E as borboletas estão invadindo, os apartamentos, cinemas e bares, esgotos e rios e lagos e mares, em um rodopio de arrepiar.
Derrubam janelas e portas de vidro, escadas rolantes e nas chaminés, se sentam e pousam em meio à fumaça, de um arco-íris se sabe o que é.
E o que porra isso tem a ver com muriçocas? Perguntaria o leitor ou leitora indignado (a).
Não tem nada a ver mesmo.
As borboletas são bonitas e não incomodam. Viraram poesia na música de Zé Ramalho.
Muriçocas picam e podem trazer doenças. Mas voam e fazem um zumbido irritante.
Difícil suportá-las em casa, imagine você num hospital.
No momento, elas são uma dor de cabeça para o governo e infernizam a vida dos que estão no Getúlio Vargas.
São combatidas com raquetes elétricas e tornaram-se famosas.
Mais, neste momento, que as borboletas do cantador da Paraíba.
Já pensou se fossem as muriçocas invadindo, os apartamentos, cinemas e bares, esgotos e rios e lagos, mares e hospitais?
Deus nos livre! Ninguém merece.

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