ZÉ RAMALHO DA PARAÍBA E AS MURIÇOCAS DE PERNAMBUCO

 
Enquanto você se esforça pra ser
Um sujeito normal e fazer tudo igual
Eu do meu lado aprendendo a ser louco
Um maluco total, na loucura real (Raul Seixas)

Desde que vi o vídeo das muriçocas tirando o sossego dos pacientes e acompanhantes do Hospital Getúlio Vargas, no Recife, tenho a sensação de que os insetos voam sobre a minha cabeça.

Não sei porque os pernilongos da capital fizeram com que eu me lembrasse de uma música de Zé Ramalho, do início de sua carreira.

É uma canção de letra metafórica, como costumam ser as músicas do paraibano.

Mas é um som bonito, contagiante, na voz de trovador do artista de Brejo do Cruz.

As borboletas estão voando, a dança louca das borboletas, quem vai voar não quer dançar, só quer voar, a voar...

E as borboletas estão girando, estão virando a sua cabeça, quem vai girar não quer cair, só quer girar, não caia.

E as borboletas estão invadindo, os apartamentos, cinemas e bares, esgotos e rios e lagos e mares, em um rodopio de arrepiar.

Derrubam janelas e portas de vidro, escadas rolantes e nas chaminés, se sentam e pousam em meio à fumaça, de um arco-íris se sabe o que é.

E o que porra isso tem a ver com muriçocas? Perguntaria o leitor ou leitora indignado (a).

Não tem nada a ver mesmo.

As borboletas são bonitas e não incomodam. Viraram poesia na música de Zé Ramalho.

Muriçocas picam e podem trazer doenças. Mas voam e fazem um zumbido irritante.

Difícil suportá-las em casa, imagine você num hospital.

No momento, elas são uma dor de cabeça para o governo e infernizam a vida dos que estão no Getúlio Vargas.

São combatidas com raquetes elétricas e tornaram-se famosas.

Mais, neste momento, que as borboletas do cantador da Paraíba.

Já pensou se fossem as muriçocas invadindo, os apartamentos, cinemas e bares, esgotos e rios e lagos, mares e hospitais?

Deus nos livre! Ninguém merece.

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