É agradável. Caminhar pelas ruas de Garanhuns antes das 8 da manhã, curtindo o friozinho gostoso que faz logo cedo.
Sempre pedimos pão assado, queijo de manteiga, café com leite e macaxeira com carne de boi guisado.
Terminada a refeição, saímos pela Avenida Santo Antônio, olhando o movimento, as vitrines, comprando algum objeto ou utensílio para "comemorar" a saída de casa.
Às vezes um simples par de meias.
A vida boa é feita de gestos simples, as pequenas coisas podem nos dar um prazer tão grande que justificam a vida.
Na minha infância, passada também em Garanhuns, na Rua XV, eu saía menos ainda do que hoje.
Menino tímido, ficava em casa, numa rede, sonhando, lendo gibis, sem saber como era o mundo lá fora.
Havia AGA, IAC, bailes dançantes, mas essas alegrias ficavam para meus irmãos mais velhos.
Eu me contentava em ouvir um jogo do Náutico na voz de Ivan Lima, comentado pelo José Santana.
Eles já se foram, ainda estou aqui.
E dou graças a Deus.
Porque já estou com 68 anos, pude ver a cidade crescer, desabrochar junto com suas flores; pular de menos de 40 mil habitantes, na minha época de menino, para mais de 150 mil nos dias atuais.
Dou graças a Deus pelos filhos e netos, os amigos e amigas, os que me acompanham no blog e redes sociais.
Estou caseiro novamente, mas agora não pela timidez. Acho que a pandemia me deixou mal acostumado, a idade controla a inquietude, livros, filmes e a escrita me bastam.
Recife ficou pra trás. Capoeiras está perto e Garanhuns é o meu lugar.
Não preciso ir a São Paulo ou Belo Horizonte, porque esta é a cidade que está dentro de mim, por inteira; com seus parques, praças, o clima bom e pessoas a quem dou bom dia de domingo a domingo.


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