A GRANDEZA DA OBRA DE CHICO BUARQUE E BELCHIOR


Há uma quase unanimidade de que Chico Buarque é o maior ou melhor compositor da música popular brasileira.

Até Roberto Carlos já deu uma declaração pública neste sentido, embora nunca tenha gravado nenhuma canção do autor de A Banda.

Dos compositores surgidos nos anos 60 e 70, possivelmente só Gonzaguinha, Aldir Blanc e Belchior tenham elaborado letras comparáveis as de Chico.

Gonzaguinha, porém, se foi cedo demais, levando no acidente que o vitimou o talento e a indignação que caracterizou boa parte de sua produção.

Já o Aldir Blanc, foi essencialmente compositor, tendo sua obra ficado conhecida mais na voz de João Bosco, seu principal parceiro.

A Covid, esse mal terrível do século XXI, nos privou do Aldir, tendo ficado a Lei em seu nome para eternizar de vez seu nome entre os melhores compositores da MPB.

Belchior nunca foi colocado no mesmo patamar de Chico Buarque. Mas depois de sua morte isso foi feito.

Zuza Homem de Melo, que foi um dos grandes críticos musicais do Brasil, uma vez escreveu:

Belchior foi um dos mais cultos artistas da MPB. Possuía uma importância extraordinária no pop sobretudo pela canção "Como Nossos Pais". Aquilo foi uma revelação, e ele colocou o tema de maneira extraordinária. Elis Regina teve a percepção disso ao escolher a música para lançá-la no Falso Brilhante. 

Jornalista Euler de França Belém, que fez essa citação de Zuza, completou: "Impossível discordar do mestre Zuza Homem de Mello. Como Nossos Pais, uma das mais belas músicas do cancioneiro patropi é um retrato de todos nós, coloca Belchior no mesmo patamar de Noel Rosa, João Gilberto, Caetano Veloso e Chico Buarque.

Aos 77 anos, Chico continua produzindo. Sua obra é tão rica e tão ampla que ele recebeu o Prêmio Camões de Literatura, um dos mais importantes de Portugal.

O compositor carioca não precisa fazer mais nada, podemos até deixar pra lá sua produção literária, que seu nome está eternizado como compositor, com músicas que fizeram história como A Banda, Carolina,  Construção, Deus Lhe Pague, O que será?, Sinhá, Valsinha, Apesar de Você, Geni e o Zepelim, Olhos nos Olhos, Mulheres de Atenas, Cálice, Pedro Pedreiro, Gente Humilde, João e Maria e O Cio da Terra. 

Belchior pode ser comparado ao compositor de tantas obras primas?

Há diferenças básicas entre os dois artistas.

Pra começo de conversa Chico nasceu no Sudeste Maravilha, no Rio de Janeiro e é de família rica.

Seu pai, Sérgio Buarque, era sociólogo, historiador e escritor respeitado.

Otávio, o pai do compositor cearense, era um homem comum.

Antônio Carlos Belchior nasceu em Sobral, interior do Ceará, na época uma cidade pequena. Tinha 22 irmãos.

Quando saiu do Nordeste para o "Sul Maravilha", o cearense passou por dificuldades no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Assim, embora Belchior tenha sido uma pessoa que devorou livros por mais de 40 anos (a filha Vannick confessa a paixão do pai pela leitura numa entrevista ao irreverente Falcão) e falava sete línguas,  do ponto de vista intelectual percorreu caminhos diferentes de Chico Buarque.

Não há dúvida de que a obra do carioca é mais intelectualizada, embora não seja difícil compreendê-la.

Mas Belchior, apesar das letras longas, das citações literárias, conseguiu ser mais popular e agradar pessoas de todas as classes sociais.

O cearense compôs coisas que seriam impossíveis para Chico fazer.

Falar que dormiu nas ruas, criticar o preconceito dos sulistas em relação aos nordestinos, lamentar a falta de dinheiro, retratar o cidadão comum, revelar a falta de tato em lidar com questões financeiras, demonstrar o sentimento de solidão na cidade grande.

Belchior em obras como Fotografia 3 x 4, De Primeira Grandeza, Alucinação,  Notícia de Terra Civilizada, Apenas Um Rapaz Latino Americano, Tudo Outra Vez, Perfil de Um Cidadão Comum e Pequeno Mapa do Tempo, perseguiu todos os temas citados no parágrafo anterior e abordou outras questões que o incomodavam.

Ao passar suas angústias, se identificou com o cidadão comum, com os estudantes, com a classe média que consome arte e até com operários.

Mourinha do Forró, artista garanhuense, foi operário em São Paulo. Ele disse a mim, dias atrás, que Fotografia 3 x 4 lembra os seus tempos de Sampa. Gosta tanto da música que pretende gravá-la no seu próximo álbum.

Quantos não se veem nesta canção, ou em Como Nossos Pais, hino dos jovens dos anos 70, 80, 90 e de muitos dos tempos atuais?

Chico está aí, produzindo, como já registramos.

Belchior aos 60 anos resolveu parar, se afastar de tudo (até da família, como confessou a filha Vannick na entrevista citada), desprezou de vez o dinheiro e caminhou para a morte como o personagem de uma de suas canções. Foram 10 anos de isolamento, até partir de vez, sem avisar. 

Chico é razão. Belchior é pura emoção e sensibilidade.

Um comentário:

  1. "Até Roberto Carlos..." E quem é esse compositorzinho de uma temática só pra validar Chico como maior compositor do Brasil? Um alienado, que só sabe fazer dor de corno; a única coisa que sabe falar é "são muitas emoções"; apoiou a ditadura, consta até que entregou colegas ao Dops. Enquanto milhares de jovens da esquerda eram torturados e mortos e sequestrados, esse senhor decadente fazia música de "protesto" a favor de baleia!!! Cada uma! Já vi que tem gente neste glog que é fã desse vegetal!

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