O ATAQUE RACISTA FEITO AO MONSENHOR GERALDO BATISTA EM GARANHUNS


No ano de 2001, um dia que prometia ser de rotina e comunhão para o clero da diocese transformou-se em um marco de profunda reflexão

Como era seu costume, o Monsenhor Geraldo Batista de Lima dirigiu-se ao Seminário Diocesano São José para a reunião mensal. 

O ambiente, geralmente de fraternização, iniciou-se com a solenidade das Laudes, rezadas em conjunto por todos os padres — um momento de união espiritual antes dos trabalhos. 

Após a oração, o Monsenhor subiu para a sala de reuniões. Contudo, ao entrar no recinto, seus olhos pousaram sobre uma frase escrita no quadro, por um padre, uma ofensa velada e cortante: "Chegou o urubu de Batina". 

Carregada de malícia, a frase atingiu-o profundamente. O Monsenhor Geraldo, conhecido por sua postura digna e por não demonstrar facilmente suas emoções, sentiu o peso daquele desrespeito. 

Em um gesto de extrema serenidade e sabedoria, ele se aproximou do quadro e, com o giz, escreveu logo abaixo da injúria: "Sou urubu, porém não como carniça". 

Sem proferir uma única palavra, sem buscar confrontos ou explicações, ele pegou seu chapéu e sua pasta e deixou o seminário. 

A dignidade de sua resposta e a quietude de sua partida ecoaram mais alto do que qualquer discussão. 

Dom Irineu, o bispo da época, notou a ausência do Monsenhor durante a reunião, mas, por não saber do ocorrido, não compreendeu a gravidade da situação naquele momento. 

De volta à sua casa, a tristeza tomou conta do Monsenhor Geraldo. Embora sua natureza fosse de discrição, o incidente o feriu profundamente. 

Em sua solidão, ele buscou refúgio na fé. Rezou incessantemente a Nossa Senhora, pedindo forças para superar a mágoa e a injustiça. 

A partir daquele dia, ele permaneceu quase dois anos sem participar das reuniões do clero, em um período de recolhimento e cura interior. 

A ausência de um membro tão respeitado preocupou Dom Irineu, que decidiu ir pessoalmente a Capoeiras para entender o que estava acontecendo. 

Ao ser indagado pelo bispo, o Monsenhor Geraldo, com a voz embargada e um nó na garganta, finalmente revelou a verdade: "O senhor não sabe o que aconteceu". 

Ele narrou o episódio do quadro e a dor que carregou em silêncio. Dom Irineu ficou profundamente sentido com o relato. 

A amizade entre os dois era sólida, e o bispo, com sensibilidade, conversou longamente com o Monsenhor, convencendo-o a retornar ao convívio dos irmãos do clero. 

A volta do Monsenhor Geraldo foi um testemunho da força da oração e do perdão. Ele, que sempre confiou sua vida a Deus e à Santíssima Virgem, encontrou na fé o caminho para transformar uma ofensa em uma lição de dignidade e santidade.

*Foto com o uso de Inteligência Artificial. 

Texto do Ir. Edvan Mirosmar Souza Ferreira Silva.

*Reproduzido do Facebook de Severina Silva. 

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