O cara que rouba uma galinha, a mulher que no supermercado pega um produto para comer e não paga, o menino que na rua leva a bolsa de uma madame, a empregada que supostamente surrupiou o anel.
Os políticos que desviam dinheiro de emendas parlamentares, os empresários sonegadores de impostos, os espertos que compram imóveis com dinheiro vivo, os fraudadores do sistema financeiro, podem até ser chamados de corruptos.
Mas ladrão não, isso é coisa de pé rapado.
Veja que coisa: o Lula, presidente da República, é chamado de ladrão por qualquer pobre de direita.
Porque nasceu no Nordeste, foi operário, não fez curso superior.
Não nasceu em berço de ouro. Não tem origem nas tais elites.
Nunca acharam os produtos dos furtos desse cidadão.
Ninguém sabe de imóveis, fazendas, carrões, lojas e outros bens.
Mesmo assim insistem em acusá-lo sem provas, quando o órgão máximo da justiça brasileira já o isentou de qualquer crime.
Veja que o Flávio Bolsonaro, suspeito de rachadinhas quando deputado, dono de uma misteriosa loja de chocolates, que comprou dezenas de imóveis com dinheiro vivo, não é chamado de ladrão.
Mesmo agora, com esse envolvimento escancarado com o dinheiro sujo do Banco Master, permanecerá poupado por amplos setores.
Esse sujeito, como o pai, não nasceu rico.
No entanto se deu bem na política (toda família, aliás), trabalha pelos endinheirados, por isso não recebe tantas pancadas quanto o Lula.
Verdade que no momento sofre um bombardeio.
Tudo graças ao The Intercept, um site independente, que faz jornalismo de verdade, ao contrário da Globo, Folha, Estadão e outros veículos da grande mídia.
Com as revelações do The Intercept, a grande imprensa se viu obrigada a noticiar o escândalo. Divulgar o áudio comprometedor.
As turbulências, porém, devem passar. Mas na frente a mídia voltará suas baterias contra Lula e o PT, divulgando pesquisas que dão mais importância ao segundo turno que ao primeiro, sem explicar porque adotam esse critério.
Ladrão? O Flávio?
Nunca. Nem miliciano, sujo ou coisa parecida.
Mesmo que tenha pegado os milhões do Vorcaro insistirão que ele é honesto.
O epíteto de ladrão fica para quem pensa nos pobres; petista que quer dá vez a ralé.
No fundo as elites e seus serviçais apoiam o Justo Veríssimo, aquele personagem de Chico Anysio corrupto que odeia pobre.
Ele (o personagem) não é ladrão, apenas um cara autêntico e engraçado, como tem tantos por aí, no mundo real.

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