Governo de Pernambuco

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MORTE DO PEQUENO MIGUEL LEVA PREFEITO DE TAMANDARÉ A PERDER A ELEIÇÃO PARA CARRAPICHO

 
Isaías Honorato, o Carrapicho


Tamandaré é um dos municípios pernambucanos mais visitados pelos garanhuense, por ser próximo da Suíça Pernambucana e ter uma praia belíssima.


Em 2020,  Tamandaré ocupou espaço no noticiário nacional não por causa de suas águas mornas e verdes, mas por conta da morte do pequeno Miguel. Filho da empregada de Sari Corte Real, esposa do então prefeito da cidade do litoral sul, o menino caiu de um prédio de nove andares, no Recife e perdeu a vida.


Tinha apenas 5 anos de idade. Sari chegou a ser presa, por negligência, mas o dinheiro faz milagres e ela logo se safou.


O castigo para ela e Sérgio Hacker (PSB) veio nas urnas, no dia 15 de novembro de 2020. Socialista disputou a reeleição e foi derrotado por um homem simples, negro, que os moradores de Tamandaré chamam de Carrapicho.


Filiado ao Republicanos, Carrapicho teve 7.476 votos, contra 5.912 do prefeito endinheirado.


A derrota de Hacker está diretamente ligada a morte do pequeno Miguel, não há a menor dúvida disso.


Jornalista Magno Martins escreveu um artigo em seu blog, hoje, intitulado “O Carrasco dos Hacker”.


Vale à pena ler, como complemento desta matéria:


Alguns ditados são assimilados e viram dogmas que resistem a qualquer impugnação da sua validade. A justiça tarda, mas não falha, segue essa tradição como uma espécie de consolo. Para a família Hacker, envolvida no triste episódio da morte do garoto Miguel, de apenas cinco anos, que despencou de uma altura de 35 metros no Recife e morreu, depois de ser abandonado no elevador do prédio por Sari Corte Real, esposa do então prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), a justiça no campo da política, felizmente, tardou muito pouco.


Na verdade, veio a jato, pelo voto nas eleições de 15 de novembro do ano passado, cinco meses após a tragédia nas torres gêmeas do Cais de Santa Rita. O justiceiro, o novo prefeito de Tamandaré, Isaias Honorato da Silva, o popular Carrapicho (Republicanos), tirou de cena o grupo Hacker, pondo fim a uma oligarquia de mais de 30 anos. Carrapicho desbancou a opulência reproduzindo a velha política do tostão contra o milhão. É produto de um contraste radical ante a riqueza dos Hacker.


Nascido no canavial, entre Rio Formoso e Tamandaré, filho de cortadores de cana, o carrasco dos Hacker é um homem pobre. Ganha a vida desde cedo, tão logo perdeu os pais, como pintor e lanterneiro, depois fez um curso para marinheiro e passou a pilotar embarcações de pequeno porte de gente famosa na área empresarial e política. Nas horas vagas, cata caranguejo e siri para aumentar a renda no sustento de quatro filhos.


No primeiro dia como prefeito, após uma campanha radicalizada na qual foi até ameaçado de morte, amanheceu pelas ruas catando lixo, reforçando o serviço de limpeza urbana da cidade. “Nunca tive vergonha de nada. Fui recolher o lixo porque estou acostumado a dar duro na vida e agora, como prefeito, tive que dar a minha colaboração para a limpeza da cidade, completamente abandonada pelo meu antecessor”, diz Carrapicho.


Ele teve 54% dos votos válidos sem apoio de ninguém, com exceção dos deputados Silvio Costa Filho (Republicanos) e Romero Sales Filho (PTB). Do lado empresarial, apenas Fernando Ferraz, seu amigo de longa data, estendeu as mãos. “Foi a campanha do liso. O povo dizia: 'vou votar no liso'”, relembra. Carrapicho não é um aventureiro nem caiu de paraquedas na politica de Tamandaré. Levado pelo voto popular, antes de chegar ao poder, teve dois mandatos de vereador, mas no meio do segundo deu açoites numa sessão da Câmara e derrubou, literalmente, a mesa e a tribuna da Casa.


Punido, foi afastado um ano e meio, mas voltou graças a uma ação na Justiça bancada por um movimento popular. “O advogado custou R$ 45 mil, mas quem pagou foi o povo fazendo rifa e todo tipo de mobilização que se possa imaginar”, conta ele. A reação violenta e física da tribuna se deu, segundo ele, por perseguição ao seu trabalho em favor de recuperação de jovens das drogas. “Como capoeirista, dou aulas em comunidades pobres com taxa muita alta de jovens envolvidos com drogas”, afirma.


De retorno ao parlamento municipal, Carrapicho foi estimulado a disputar a eleição para prefeito em 2016, não derrotou os Hacker, mas teve seis mil votos. Quatro anos depois, a população foi às ruas comemorar sua chegada ao poder no embate do rico contra o pobre, com um detalhe que enfureceu ainda mais os tamandareenses: derrotar Sérgio, o marido da mulher que, por omissão, permitiu que um garoto despencasse do 9º andar depois de ser abandonado por ela no elevador. 

Um comentário:

  1. Ninguém duvide da justiça divina! Demora, porque o tempo de Deus é dferente do nosso, mas chega.

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