segunda-feira, 22 de abril de 2019

PADRONIZAÇÃO DAS FEIRAS LIVRES GERA INSATISFAÇÃO


Padronização dos bancos das feiras de Garanhuns, que está sendo posto em prática pela Prefeitura, está dando muito o que falar.

Insatisfação é generalizada entre os feirantes e repercute na Câmara Municipal, onde mesmo vereadores aliados do prefeito Izaías Régis não veem com bons olhos as medidas que estão sendo tomadas.

Entre os vereadores que têm críticas à proposta, pelo menos em relação ao aumento de mais de 100% dos aluguéis das bancas, estão os vereadores Marinho da Estiva, Betânia da Ação Social, Tonho de Belo, Zaqueu e o presidente do Legislativo Municipal, Daniel da Silva.

Marinho assumiu de forma destemida a defesa dos feirantes, inclusive os visitando, na Rua Oliveira Lima (Heliópolis), na quinta-feira, e neste domingo pela manhã, na Cohab II.

Todos os feirantes com quem o vereador conversou reclamam dos novos preços que vão ser cobrados e consideram que o aumento foi extorsivo.

Numa entrevista a uma emissora de rádio local, Marinho da Estiva disse que a Prefeitura estava “privatizando” as feiras de Garanhuns e dificultando a vida de muitos pais de família.

Prefeitura promoveu processo de licitação, ao qual concorreu e venceu a Plena Gestão Empresarial, uma firma de Caruaru, que a partir de agora é quem vai mandar de fato nas feiras livres da Suíça Pernambucana.

Com esta empresa, bancas serão padronizadas, serão melhores que as atuais e segundo o Secretário de Agricultura, Gersinho Filho, a Plena vai garantir também mais conforto, segurança, limpeza e até banheiros químicos nas feiras.

Segundo ele, com essas medidas os feirantes também sairão ganhando, pois o movimento aumentará.

Os feirantes e alguns vereadores, porém, não acreditam nesses argumentos e consideram que alguns comerciantes que pagavam 5 ou 8 reais por um banco e vão passar e pagar 20, terão dificuldades para manter seus negócios.

Verdade é que antes mesmo da padronização começar alguns pais de famílias de Garanhuns já perderam sua renda.

É que antes da entrada da empresa de Caruaru nesse negócio, pessoas da cidade alugavam as bancas usadas pelos feirantes e sobreviviam dessa atividade.

Agora que as bancas serão disponibilizadas pela Plena, os proprietários dos velhos bancos de madeira terão de arranjar outro meio de vida.

Os vereadores, além de se preocupar com a situação dos garanhuenses que vivem da feira livre, questionam os lucros exorbitantes que será obtido pela empresa de Caruaru.

Segundo os cálculos feitos, de acordo com os valores que serão cobrados e a quantidade de bancas, em apenas um ano a firma da capital do Agreste terá embolado perto de R$ 2 milhões.

“No primeiro ano eles tiram todo o investimento e já lucram. Nos anos seguintes (o contrato é de 144 meses) o que eles receberem será praticamente tudo lucro, uma vez que a partir do segundo ano o investimento será mínimo. Em 11 ou 12 anos terão embolsado uma soma superior a R$ 23 milhões”, informou a vereadora Betânia da Ação Social.

Para outro vereador, o negócio parece suspeito. “Com tanto dinheiro em jogo será que não tem alguém do município também lucrando com o negócio”?, questionou, preferindo que seu nome não seja mencionado.

Representantes da população de Garanhuns no Legislativo também reclamam que a Prefeitura fez todo projeto de padronização, incluindo licitação e contratação de empresa, sem ter antes estabelecido um diálogo com os feirantes.

Abaixo uma tabela feita por vereadores com previsão de quanto a Empresa Plena vai arrecadar com as feiras por semana, por mês e por ano:


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