domingo, 25 de março de 2018

TRIBUTO A JOHN WAINE, O ÚLTIMO PISTOLEIRO


Por Altamir Pinheiro

No ano de 1939, lá se vão 80 anos, o jovem diretor, JOHN FORD, aos 44 anos, mas com uma bagagem de 20 filmes nas costas, foi ousado ao inovar no faroeste que já dava sinais ou começava   a entrar em decadência, pois ele segurou a peteca  ao  arriscar todas as suas fichas em um jovem ator para interpretar o papel de um bandido   procurado pela justiça. Pois bem, o ator chamava-se JOHN WAYNE(32 anos) e a película cinematográfica intitulava-se No Tempo das Diligências... Diga-se de passagem, a primeira obra prima do faroeste na longínqua década dos anos trinta!!!  Começava ali a mais brilhante carreira de um ator no cinema norte-americano, John Wayne,  e para sorte nossa, um ator de faroestes. Obrigado por isso, John Ford!!!

A  sinopse nos conta que, um grupo de estranhos viaja em uma diligência para o Novo México: uma prostituta  e um bêbado, expulsos da cidade por uma "liga da moral"; um banqueiro, um cavaleiro do Sudeste; a esposa grávida de um oficial da cavalaria; o vendedor de uísque; o delegado Curly; e o condutor, Buck. No meio do caminho eles encontram o cowboy Ringo Kid (John Wayne), fugitivo da cadeia. O delegado não tem escolha senão prender Kid e mantê-lo algemado sob custódia. Mais à frente eles encontram um destacamento militar, que lhes avisa que os apaches estão no caminho. A grávida começa a passar mal, mas os passageiros resolvem seguir em frente. Quando os índios surgem, o delegado solta Ringo Kid para ajudar na luta. Haverá mortes entre os passageiros, até se chegar ao desfecho final.

O cinéfilo Darci Fonseca relata muito bem o cenário onde se desenrolou toda a filmagem  de uma fita que se tornou obra prima do faroeste norte-americano que tinha o título de Diligência nos Estados Unidos, A Cavalgada Heroica em Portugal e no Brasil foi gravado com este nome:  No Tempo das Diligências. O que mais marca o espectador em “No Tempo das Diligências” é o esplendoroso cenário no qual aparentemente transcorre a maior parte da história. Este western foi o primeiro filme com sequências filmadas no Monument Valley, para onde John Ford retornaria inúmeras vezes para filmar outros westerns nos próximos 25 anos.

O diretor John Ford era tão caprichoso que não ficou satisfeito com a entrada de Ringo Kid em cena, achando-a fraca. Após o filme concluído, Ford convocou John Wayne para refazer a cena à frente de um cenário em back-projection. Foi quando teve a ideia de Ringo Kid rodar seu rifle criando um impacto visual que nunca mais seria esquecido. Inesquecível também a participação do dublê Yakima Canutt em duas sequências da perseguição à diligência. A primeira quando ele como um apache salta sobre os cavalos e acaba caindo entre as parelhas. A segunda espetacular cena de ação é quando Ringo Kid (John Wayne substituído pelo dublê Yakima) salta da boleia sobre as parelhas para deter a diligência desgarrada. Segundo o cinéfilo paulista,  “No Tempo das Diligências” é um faroeste com brilhantes sequências de ação, mas nunca antes e poucas vezes depois o gênero produziu um filme que expusesse de forma tão admirável e profunda tantos personagens em admiráveis interpretações.

É curioso pensar que este filme, que ressuscitou o filão num momento onde o western era visto como um gênero ultrapassado e pouco comercial, tenha sido o responsável por revelar ao mundo a maior estrela da história dos filmes de faroeste, a encarnação do cinema de bang bang em pessoa: John Wayne que se transformou no Papa dos filmes de faroestes.

Conforme assegura o expert em faroeste Juliano Mion, até então um ator de filmes pouco expressivos, Wayne já havia tido suas incursões no cinema, mas nada o alavancou mais do que esta produção. Aqui se consolidaria de forma definitiva a parceria entre Wayne e o diretor John Ford, que viu naquele rapaz um tanto rude e explosivo a personificação do caubói destemido. Wayne serviu de exemplo, de padrão de herói norte-americano, do homem simples e de personalidade forte, que doma o imaculado território estadunidense como um vaqueiro domestica seu gado.

Para os profundos conhecedores de todo ou o maquinário de filmagem, Em 1939 ainda não havia o formato Cinemascope, que permitia ao cinema a configuração  widescreen, com sua grande amplitude horizontal. Ford compensa isso nos diversos enquadramentos que faz nas pradarias do Monnument Valley, na divisa entre os estados de Arizona e Utah. Para compensar o formato até então quadrado do cinema, preenchia quase todo o quadro com o céu e a paisagem natural, reservando um pequeno espaço na base para o solo, um recurso que foi utilizado inclusive no final de O Vento Levou, após o discurso inflamado de Scarlett O’Hara.

Com isso Ford conseguiu dar uma noção visual da dimensão e da vastidão e complexidade que é o território norte-americano, com suas disputas entre homens e índios, bandidos e mocinhos. As colinas de arenito do Monnument Valley viraram símbolos do próprio faroeste. Talvez por sua perenidade, por sua capacidade de resistir ao tempo e registrar toda a história de uma nação e de um cinema – algo que No Tempo das Diligências representa. E mais: o plano em que Ford enquadra  o rosto de John Wayne com apenas 32 anos é como quem anuncia o nascimento de um mito. Este filme foi um divisor de águas e o  início de uma longa parceria, a primeira das muitas colaborações entre John Ford e John Wayne.

Talvez a maior contribuição de No Tempo das Diligências para a sétima arte,  seja no que se refere a sua linguagem cinematográfica. Ford era antes de mais nada um preservador da estética, um homem que conseguia fazer cinema de autor dentro de propostas comerciais do sistema de gêneros imposto pelos estúdios. Para se ter ideia, Orson Welles, quando questionado quais seus três diretores favoritos, respondeu categoricamente: John Ford, John Ford e John Ford.

Venha conosco nesta grande aventura através de uma paisagem de enormes formações rochosas, donde,  Cinéfilos de filmes faroestes do mundo inteiro visitam anualmente o MONUMENT VALLEY que fica na divisa ou faz fronteira com os Estados do Arizona-Utah, cenário dos famosos filmes do diretor John Ford e do ator John Wayne. Nessa enorme extensão que é uma das maravilhas da natureza há enormes dunas de areia, trilhas rochosas, vestígios históricos visitado por um grupo de pessoas lideradas por guias turísticos,  montando seus cavalos que é alugado aos turistas que se propõem cruzar o cenário mais conhecido dos filmes de faroestes do velho oeste americano.


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