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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A POLÍTICA E A AMIZADE. A POLÍTICA DA AMIZADE?


Por Michel Zaidan Filho*

Os gregos – que eram sábios – separaram como ninguém o espaço da pólis (política) do espaço do óikos (casa). Fizeram isso para não contaminar o espaço da política com os interesses comezinhos da luta pela sobrevivência. Como dizia o filósofo, um homem que precisa dedicar grande parte de seu dia ao trabalho, não era livre. Só os que podiam se dedicar inteiramente aos negócios públicos, desinteressadamente, podiam ser chamados de cidadãos. 

Essa desconfiança da mistura entre política e interesses se manifestou, mais tarde, no pensamento da Hannah Arendt que chamou os parlamentos modernos de praças de negócio, comandadas pelos simples interesses: e não pelo bem comum. Daí pensar a dignidade da política, como uma” vita contemplativa”, distanciada do vil interesse material. Seu primo, Walter Benjamin foi mais além: negou-se terminantemente a conceder à política moderna qualquer propósito sensato, concebendo-a como um mero discurso estratégico, submetido sempre à uma vontade de poder. Foi preciso recorrer à linguagem e aos atos retóricos para pensar a política como a arte do diálogo, da comunicação, do entendimento mútuo, à serviço da libertação (Habermas). 

Hoje, a inevitável judicialização da política acabou com as belas promessas do discurso político e entregou aos juízes a decisão sobre o certo e o errado do mundo político, deslocando a sua racionalidade para o interior das cortes.

É possível salvar a política, na concepção do “bom e justo governo da cidade”, como queria Aristóteles? Ou será que ela é uma atividade decididamente comprometida com meros imperativos de poder, sem pretensão de validade ética ou cognitiva? – É possível pensar uma política da amizade, da boa-fé, do entendimento ou do diálogo entre pessoas de boa vontade?

Aqui, sobressai o nome de Platão e de sua obra “O banquete”. Só é possível resgatar a dimensão da amizade, da boa vontade e da boa-fé entre os políticos, os as pessoas políticas (zoon politicom), se fôr possível pensar na reerotização das relações humanas, de um modo geral. Enquanto banirmos essa razão sensível dos nossos negócios, a política continuará a serviço de interesses estratégicos ou materiais, com muito pouco margem de manobra para a dimensão da amizade, do acordo, do diálogo e do entendimento. Nem só do pão e do dinheiro vive a criatura humana. Vive-se também, e sobretudo, de respeito, auto orgulho, de atenção. A política do interesse tem que permitir a política do reconhecimento, se quisermos reabilitar o discurso político e a nossa confiança nos políticos. Senão Thomas Hobbes, Maquiavel, Nietzsche e Foucault terão dado a sua última palavra sobre isso. E aí não teremos salvação.

*Michel Zaidan é garanhuense, professor da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, Cientista Político com vários livros publicados e colaborador deste blog.

2 comentários:

  1. José Fernandes Costa28 de dezembro de 2015 19:28

    Só me interessei em ler essa minicrônica de Michel Zaidan, porque ele escorregou logo na saída. - Quem diabos disse ao Michel que "polis" quer dizer política??!! - Até onde aprendi, polis significa cidade ou estado. - Daí metrópole = cidade grande, estado, província; e até nação! - Temos Paraisópolis, Junqueirópis, Anápolis, Fernandópolis etc., etc. - 2. Depois, o Michel sapeca crase diante de nome masculino! Vejam: "... do entendimento mútuo, 'à' serviço da libertação... " (??) - E ainda bota acento onde não o cabe e inventa palavras que ainda não existem! Olhem aí: "... se 'fôr' possível pensar na 'reerotização' das relações humanas... " (??!!) - Santo Cristo!! - E ainda tem um adjetivo flexionado às avessas. - Ei-lo: "... com muito 'pouco' margem de manobra para a dimensão da amizade... " - 3. Vou parando por aqui, porque a lista é grande!! - Sim: auto-orgulho tem hífen. - Abraço. /.

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  2. Eu vou dar alguns simples exemplos fora os outros e tantos que existiram e existem entre nós.Em 2006 meia dúzia de gatos pingados apoiaram Dr. Eduardo Campos a Deputado Federal.Em 2010 essa mesma gente apoiou Dr. Eduardo Campos ao governo do Estado.Esse pessoal nada tinha nem um carro velho para andar.Alguns deles são catadores de lixo e outros sofreram perseguição política.Tiveram pouco mais de 2.100 votos.Em 2008 o que faz o ex-governador sobe no palanque dos adversários e dos inimigos.Em 2014 com raiva do ex-governador eles se revoltaram e foram apoiar Armando Monteiro.Enfeitaram a cidade toda e colocaram bandeiras azuis da entrada da cidade ao centro nas principais praças e ruas.O homem tinha 40%.O que fez Armando Monteiro vai a cidade e faz um comício de arrombar.Na outra semana esse grupo rasgou todas as bandeiras e foram apoiar Paulo Câmara Governador.Agora só falta o Paulo Câmara subir no palanque do prefeito atual e repetir a mesma ação e atitude do ex-governador.Por isso que não existe mais consideração a ninguém e muito menos amizade.A mesma coisa ocorreu com o ex-governador Jarbas Vasconcelos menosprezou todos os companheiros e somente deu valor aos ricos e poderosos.Em 2010 saiu candidato a governador e teve apenas 112 votos.

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