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sexta-feira, 18 de abril de 2014

GÁRCIA MÁRQUEZ E "CEM ANOS DE SOLIDÃO"

Gabriel Gárcia Márquez, que morreu ontem, aos 87 anos, foi um dos maiores escritores do século XX. Colombiano, faz parte de um seleto grupo de latino-americanos que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Seu  romance “Cem Anos de Solidão”, obra-prima com toques de “realismo fantástico”, desde o seu lançamento até hoje já vendeu mais de 50 milhões de exemplares em todo o mundo.

Gabo, como era também conhecido o escritor, foi jornalista e escritor brilhante e esteve aliado às lutas políticas da esquerda na América Latina e no mundo.

Quem não leu “Cem Anos de Solidão” precisa conhecer esse livro que expressa através da literatura a realidade não só da Colômbia, mas também da Argentina, da Bolívia, do Uruguai, do Brasil e de toda nuestra América.

Abaixo um trecho do romance, para que o leitor do blog sinta a força da prosa de Gárcia Márquez:

Melquíades, que era um homem honrado, preveniu-o: "Para isso não serve." Mas José Arcadio Buendía não acreditava, naquele tempo, na honradez dos ciganos, de modo que trocou o seu jumento e um rebanho de cabritos pelos dois lingotes imantados. Úrsula Iguarán, sua mulher, que contava com aqueles animais para aumentar o raquítico patrimônio doméstico, não conseguiu dissuadi-lo. "Muito em breve vamos ter ouro de sobra para assoalhar a casa", respondeu o marido. Durante vários meses empenhou-se em demonstrar o acerto das suas conjeturas. Explorou palmo a palmo a região, inclusive o fundo do rio, arrastando os dois lingotes de ferro e recitando em voz alta o conjuro de Melquíades. A única coisa que conseguiu desenterrar foi uma armadura do século xv, com todas as suas partes soldadas por uma camada de óxido, cujo interior tinha a ressonância oca de uma enorme cabaça cheia de pedras. Quando José Arcadio Buendía e os quatro homens da sua expedição conseguiram desarticular a armadura, encontraram dentro um esqueleto calcificado que trazia pendurado no pescoço um relicário de cobre com um cacho de cabelo de mulher.

Em março os ciganos voltaram. Desta vez traziam um óculo de alcance e uma lupa do tamanho de um tambor, que exibiram como a última descoberta dos judeus de Amsterdam. Sentaram uma cigana num extremo da aldeia e instalaram o óculo de alcance na entrada da tenda. Mediante o pagamento de cinco reais, o povo se aproximava do óculo e via a cigana ao alcance da mão.

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