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SKANK E O ROCK BRASILEIRO - GRANDES NOMES DA MPB - 97º

O ROCK - Alguns preferem nem definir o que é rock. É que o termo é abrangente e se refere a um gênero musical popular que surgiu e se desenvolveu nos Estados Unidos, na década de 50. O som dos negros do sul dos EUA, o blue, o jazz, o country e até o clássico influenciaram, como que se fundiram para fazer surgir o ritmo contagiante que pegou os jovens de jeito e assustou os setores mais conservadores da sociedade americana.

Posteriormente o rock se subdividiu, deu origem a sub-gêneros, apareceu o folk rock, o blues-rock e o jazz rock. Depois veio o heavy metal, o hard rock, o rock progressivo e o punk rock. Nos anos 80 e 90 vieram a new wave, o rock alternativo e o nu metal.

Na América, em 1951, o rock já era mostrado num programa de rádio. Começou a despertar a atenção e a ganhar a simpatia dos jovens, dos rebeldes. Em 1954 Bill Haley lança com grande sucesso “Shake, Rattle and roll”. Um ano mais tarde estoura no meio musical o cantor Elvis Presley, que nas suas apresentações levava a juventude à loucura. Terminou sendo aclamado como o “Rei do Rock”.

Durante um tempo o novo gênero ficou restrito aos States, mas não demoraria a ganhar o mundo. Na década de 60, a banda inglesa The Beatles provocaria uma revolução e os rapazes de Liverpool se tornariam astros mundiais. Outro grupo importante foi os Rolling Stones, à frente Mick Jagger, que ainda hoje está aí fazendo rock de primeira.

Chuck Berry, Little Richard, Bob Dylan, The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd, diferentes grupos e cantores fariam história com o rock e sua música chegaria aos países mais distantes.

Há diferenças entre o rock e o pop, mas eles se confundem. Na Inglaterra a questão chegou a ser debatida no Parlamento sem que se chegasse a uma conclusão.

Bono, vocalista da banda U2, tem uma frase famosa sobre a polêmica: "O pop diz que tudo está bem e o rock diz que não está, mas é possível mudar".

Os Beatles foram os principais responsáveis para que o termo rock passasse a significar música jovem de maior valor artístico e relevância social que a canção popular (raiz óbvia do termo pop), supostamente descartável. Porém, os próprios Beatles continuam sendo até hoje a grande prova de que é possível ser rock e pop ao mesmo tempo.

O ROCK NO BRASIL - Os precursores do rock no Brasil foram Sérgio Murilo e Celly Campelo (foto). O cantor fez sucesso com versões de Marcianita, Broto Legal e Oh! Carol. Canções que no futuro receberiam inúmeras regravações, inclusive de Raul Seixas, Gal Costa e Roberto Carlos. Já a cantora tornou-se rapidamente uma pop star com Banho de Lua e Estúpido Cupido. Os dois foram indicados, respectivamente, o rei e a rainha do rock no Brasil. A mania de realeza entre nós vem de longe.

A partir de meados da década de 60, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderleia e a turma da Jovem Guarda passaram a ser os roqueiros brasileiros. O som passou a ser rotulado com o nome de iê-iê-iê. A coisa chegou a um ponto que até um filme dos Beatles foi traduzido no Brasil com o título de “Os Reis do Iê-Iê-Iê”. Alguns consideraram ridículo, mas era a força dos que faziam a Jovem Guarda na época.

Nos anos 70 surge Raul Seixas e os Secos e Molhados. Este último sacudiu o país em pleno regime militar, com a inovação, a irreverência e a criatividade de Sérgio Ricardo e Ney Matogrosso, porém o grupo em pouco tempo se dissolveu e apenas o vocalista conseguiu manter a fama, trocando o pop/rock, com o tempo, por baladas românticas, blues e boleros.

AS BANDAS - Na década seguinte, com temas mais urbanos e falando da vida cotidiana, surgem bandas como: Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii, Blitz e Os Paralamas do Sucesso.

Na década de 1990, fazem sucesso no cenário do rock nacional : Raimundos, Charlie Brown Jr., Jota Quest, Pato Fu, Skank entre outros.

São mais de 20 bandas importantes, que produziram e ainda o fazem, um rock bem brasileiros e de boa qualidade. Citemos os grupos mais expressivos: Paralamas do Sucesso, Titãs, Ultraje a Rigor, Roupa Nova, RPM, Patu Fu, Sepultura, Capital Inicial, Blitz, O Rappa, Camisa de Vênus, Charlie Brow Jr., Raimundos, Cidade Negra, Jota Quest, Biquíni Cavadão, Ira, Los Hermanos e Nação Zumbi.

Lá atrás tivemos fazendo rock ou iê-iê-iê, grupos mais populares, ainda como resultado da Jovem Guarda. O maiores foram Renato e Seus Blue Caps, Os Incríveis e The Fevers.

Nos anos 90 rapazes suburbanos de São Paulo criaram Os Mamonas Assassinas. Um sucesso retumbante que veio de Brasília Amarela e explodiu no ar num desastre de avião.

Bandas de qualidade como o Legião Urbana e Barão Vermelho perderam o pique quando seus vocalistas – Renato Russo e Cazuza – resolveram seguir sozinhos na carreira artística. Dos Mutantes e Kid Abelha já escrevemos aqui alguma coisa, quando fizemos o perfil de Rita Lee e Paula Toller.

O rock brasileiro ilustra bem como é absurdo classificar como MPB apenas um determinado tipo de música feita no país. Tem algo mais popular e brasileiro de que “É uma partida de futebol”, de Skank?

O futebol é uma paixão nacional. Tanto quanto o carnaval, as novelas de televisão e a religiosidade, está impregnado no homem e na mulher brasileira. E poucos artistas fizeram grandes músicas captando esse sentimento das ruas ou,  melhor,  das arquibancadas. Assim, de cabeça, só lembro do Jorge Ben Jor, com Fio Maravilha e do Skank com a música citada.

Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?
A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda é uma partida de futebol
Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar, se ele não ganhar
Mas se ele ganha, não adianta
Não há garganta que não pare de berrar
A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol
O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol
O meu goleiro é um homem de elástico
Os dois zagueiros tem a chave do cadeado
Os laterais fecham a defesa
Mas que beleza é uma partida de futebol
Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?
O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante,
Que emocionante é uma partida de futebol !

Já que não podemos escrever detalhadamente sobre cada cantor ou banda de rock, porque daria um livro à parte, vamos focar no Skank, o grupo mineiro que faz sucesso desde o início dos anos 90.

O SKANK

O Skank nasceu em 1991, em Belo Horizonte. O primeiro álbum , “Skank”, foi lançado de forma independente, em 1993, mas rapidamente o sucesso da banda na cena underground despertou o interesse da poderosa Sony Music. Junto ao Skank, a multinacional inaugurou no Brasil o selo Chaos.

Lançado em 1994, o segundo disco do Skank foi o trampolim para o estrelato: foram vendidas mais de 1 milhão de cópias de “Calango” e músicas como “Jackie Tequila” e “Te Ver” tornaram-se verdadeiros hits, cantados por todo o país. O álbum abriu as portas para uma nova geração de bandas brasileiras atenta às novidades do rock mundial e, ao mesmo tempo, curiosa com as raízes da tradição local.

Desde o início até os dias atuais o Skang acumula troféus e vitórias. Foram vários prêmios, apresentações por todo o país e reconhecimento também no exterior. Há poucos anos, em 2009, o álbum “Estandarte” foi indicado ao Grammy Latino, na categoria “Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro”.

No dia 19 de junho de 2010, o Skank gravou, no Estádio do Mineirão, na Pampulha, em Belo Horizonte, o CD, DVD e Blu Ray, “Multishow ao Vivo – Skank no Mineirão”, projeto da banda em parceria com a Sony Music e o canal Multishow. O show, que teve seus ingressos esgotados dias antes, recebeu mais de 50 mil pessoas, que lotaram o Mineirão no último evento realizado no estádio, antes de seu fechamento para a Copa do Mundo de 2014.

Formada por Samuel Rosa (vocal e guitarra), Henrique Portugal (teclado e guitarra), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferreti (bateria), a banda Skank já vendeu mais de 6 milhões de discos no Brasil. Em 2010 esteve pela primeira vez no Festival de Inverno de Garanhuns e lotou completamente a Esplanada Cultural Guadalajara. Foi um dos maiores show já realizados na cidade em mais de 20 anos de FIG. (Este texto foi construído com base na consulta aos principais sites de rock e música brasileira, principalmente o Site Oficial da Banda Skank e Enciclopédia da Música Brasileira. Também deu subsídios à matéria o livro "Roberto Carlos em Detalhes", do historiador Paulo César Araújo).

É UMA PARTIDA DE FUTEBOL - Clicando no nome da música, todo em maiúsculo, você acessa um vídeo do yotube com a Banda Skank cantando uma de suas mais conhecidas músicas no Mineirão.

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2 comentários:

  1. Roberto Almeida, admiro o seu blog e leio-o sempre. Mas ao vê-lo (o blog) hoje, devo admitir que decepcionei-me. Skank grande nome do rock? Só em um devaneio louco de um fim de Fevereiro justificaria tamanha asneira. Comparar Skank com o MONSTRO Jorge Ben? "Uma partida de futebol" talvez seja a pior música já escrita em solo nacional, as rimas são ridículas, os acordes bobos e infantis agridem a inteligência de quem aprecia o bom rock'n roll.
    Entenda, o rock é simples. Veja o caso do Ramones, só para resumir, é genial só com três acordes. Não defendo firulas, nem virtuosismo musical; é que o Skank é ruim mesmo.
    Entendo o seu gosto musical, tampouco quero discuti-lo. Mas colocar Sakank como um garnde nome da MPB?
    Me desculpe, mas você forçou.

    Abraços Fraternos.

    Carlos André - Boa Vista

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  2. Eu gosto muito de Skank e concordo que junto às outras bandas citadas seja reconhecida sua importância na música brasileira; qto a Jorge Ben Jor realmente é um monstro repetitivo e superado.

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