sábado, 22 de outubro de 2011

O DISCURSO DO REI - FILMES INESQUECÍVEIS - 65º

Bons filmes, não importam quando foram feitos, resistem ao tempo. Por isto esta série sobre cinema contempla grandes produções do passado e vem até o presente, passando seu olhar sobre as obras de qualidade dos cineastas contemporâneos. Aqui já escrevemos sobre Luzes da Cidade (1931), E o Vento Levou (1939), Casablanca (1942), A Felicidade não se Compra (1946), Suplicio de uma Saudade  (1955), Um Corpo que Cai (1958) e Anatomia de um Crime (1959). Todos os citados são clássicos que não se esquece, permanecem atuais, encantam ao fazer rir e chorar, trazer lembranças da guerra, falar de amor, gerar tensão e medo, discutir o direito, enveredar pela psicologia.

Há pouco tempo, escrevemos sobre 10 grandes obras primas do cinema contemporâneo, conseguindo reunir o trabalho de cineastas de diferentes países. Propositalmente, não incluímos nenhum americano. Logicamente não se trata dessa besteirada de anti-imperialismo, até porque os cineastas da terra do Tio Sam são maioria nas resenhadas publicadas. E na relação de mais 5 filmes de qualidade realizados nos últimos anos, três deles desta feita são dos estúdios de Hollywood. Confiram essas dicas de trabalhos que certamente estão fadados a se tornar inesquecíveis.

- O Discurso do Rei – Inglaterrra, 2010. , dirigido por Tom Hooper, escrito por David Seidler e estrelado por Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter. No filme, o rei Jorge VI, para superar sua gagueira, contrata Lionel Logue, um fonoaudiólogo pouco convencional. Há uma resistência inicial de sua majestade aos métodos de Logue, mas o profissional termina por convencer o herdeiro de Jorge e os dois homens tornam-se amigos. Logue trabalha para que o novo rei consiga fazer um importante discurso no rádio, no início da segunda guerra mundial.

Ao contrário de O Cisne Negro, é um filme fácil de entender, com uma linguagem acessível e ingredientes capazes de torná-lo popular. Não por acaso foi o vencedor do Oscar 2011, ficando inclusive com as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator. Colin Firth realmente dá um show de interpretação.

- Sempre ao Seu lado – Americano, 2009, com direção do sueco Lasse Hallstron, tendo como ator principal Richard Gere, brilhante como sempre. Este filme, baseado numa história real ocorrida no Japão, na década de 20, é simples e tocante, capaz de emocionar até os que costumam usar somente a razão. Parker, um professor de música, encontra na estação de trem um cachorrinho da raça akita. Leva o animal para casa, a esposa inicialmente resiste a ficar com o bicho em casa, porém termina cedendo. Todos na família vão se apaixonar por Hachi principalmente seu dono. Lealdade, amor, sofrimento, saudade... sentimentos como esses estão presentes na dosagem certa, sem fazer de Sempre ao Seu Lado um dramalhão piegas e sim uma obra de grande sensibilidade, que pode ser apreciadas tanto pelos mais simples como pelos cinéfilos mais exigentes.

Cisne Negro – Americano, 2010, com direção de Darren Aronofsky. Um drama psicológico com um visual exuberante e um elenco de primeira. Natalie Portman, a bailarina que busca a perfeição para ser o principal personagem de O Lago dos Cisnes, de Tchakoivsky,  ficou com o Oscar de Melhor atriz deste ano. O filme é perturbador, envolve o expectador de tal maneira que a partir de um determinado momento ninguém sabe mais o que é realidade ou ficção. No bom elenco ainda as participações marcantes de Mila Kunis, Vicente Cassel e da veterana e expressiva Wiona Ryder.

- Jogada de Gênio - Americano, 2008, direção de Marc Abraham. É um longa-metragem corajoso, baseado em fatos reais, revelando a trajetória de Robert Kearns, o inventor do limpador de pára-brisas intermitente. Ele dedicou anos de sua vida para provar que foi o criador deste equipamento hoje usado por todos os carros do mundo. Nos vários anos da sua luta contra a Ford chegou a ser internado com distúrbios mentais e depois a esposa o deixou. Recuperado, continuou sua batalha por mais vários anos para provar nos tribunais que o seu invento foi roubado, sem que tenha recebido um centavo pelos direitos autorais. Numa batalha quase interminável, já com os cabelos grisalhos, Robert vence a luta, tendo direito a cerca de US$ 30.000.000 de indenização.

Xeque-Mate – França, 2009, direção de Caroline Bottaro. Um filme inteligente, bonito, contando de forma otimista uma história de mudança pessoal. Hèlene, uma mulher simples, sem muita perspectiva de vida, trabalha como arrumadeira num hotel e um dia descobre a existência do xadrez. Bota na cabeça de aprender como se movem as peças naquele jogo de refinados. Seu professor é o mal humorado Kröger, que no início demonstra muita má vontade e termina por encampar a luta e evolução de sua pupila. O marido e os filhos resistem a princípio as mudanças da personagem, mas a solidariedade no final prevalece. Poderia ser um longa banal ou monótono, mas dirigido com maestria e tendo uma interpretação madura de Sandrine Bonnaire (Hèlene), pega o espectador pela mente e pelo coração. Resultado acima de positivo.

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