O ESPÍRITO DE GRACILIANO RAMOS E GUIMARAES ROSA EM CAPOEIRAS

Guimarães Rosa e Graciliano Ramos
Fabiano e Sinhá Vitória,
personagens do filme "Vidas Secas"


O escritor mineiro João Guimarães Rosa, que também era médico,  inovou de forma substantiva a língua portuguesa. 

Autor de "Grande Sertão: Veredas" e de "Sagarana" misturou a fala rústica e popular do sertão mineiro com termos eruditos, arcaísmos e línguas estrangeiras.

Guimarães Rosa  criou um estilo único e inventivo repleto de neologismos, sonoridades poéticas e profundidade.

Há quem diga que o escritor incorporou em torno de mil palavras à língua portuguesa.

O alagoano Graciliano Ramos, em seus livros, sem "inventar" tantas palavras, como o mineiro, também expressou o jeito de ser do homem simples do povo.

"Vidas Secas", a obra prima de Graciliano, tem personagens rudes, de poucas palavras.

No Nordeste, nas pequenas cidades e na zona rural, temos ainda hoje tipos que se parecem com os personagens do escritor alagoano e mesmo do mineiro.

Junior Almeida, que escreve causos sobre Capoeiras, uma vez relatou uma história engraçada, envolvendo pessoas da cidade.

Na campanha política de 1988 o veterinário Antônio Carlos Vieira e Valter Elias, o Valtásio, disputaram a prefeitura.

Os ânimos se acirravam a cada dia e num comício o candidato da situação chamou o oposicionista, Antônio Carlos (Batata), de corrupto.

Um candidato a vereador foi escolhido para dar a resposta e se saiu com esta:

"Valtu, oh Valtu! Você disse que Dr. Carro é corrupo. Valtu, isso é uma calunga, Valtu. Uma calunga!".

Nos sertões descritos por Graciliano Ramos ou Guimarães Rosa aconteciam coisas assim.

FUTEBOL

Tem outra de Capoeiras, não sei se meu irmão Junior já relatou do seu jeito essa história.

No antigo Estádio Carlos Rios os atletas da cidade participavam de um treino.

Num determinado momento, Toinho, um dos jogadores da pelada, dirigiu-se ao companheiro de equipe:

"Jurindi! Mata de estambo e dá de coice pro riba de Opitácio".

Essa eu vou ter de traduzir.  Toinho, no seu linguajar de homem simples quis dizer: "Jurandir, mata (a bola) no estômago e dá de calcanhar por cima de Epitácio".

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