O DIA EM QUE GEISEL IMPEDIU O GOLPE DENTRO DO GOLPE

Ernesto Geisel, o quarto presidente do Brasil após o golpe de 1964,  era evangélico, conservador e um homem sério.

Foi ele quem começou a abertura política que levou o país de volta à democracia.

Inclusive fez o sucessor - João Batista Figueiredo, último do ciclo militar - ao contrário dos seus antecessores: Castelo Branco, Costa e Silva e Garrastazu Médici.

No dia 12 de outubro de 1977, Geisel convocou o ministro do Exército, Silvio Frota, para uma conversa no gabinete.

Foi direto ao assunto: disse que os dois não estavam mais se entendendo e aconselhou que o ministro pedisse demissão do cargo.

Frota, que era linha dura e se posicionava contra a abertura, por favorecer aos "comunistas", se negou a entregar o cargo.

O presidente, seco, falou: "Então eu demito você"!.

O general do Exército saiu da audiência "bufando", convencido de que devia dar um golpe dentro do golpe, para derrubar Ernesto Geisel.

Só que o presidente entendia de quarteladas, tinha sido um dos conspiradores de 1964 e de outros movimentos antes, alguns vitoriosos outros não.

O dia 12 tinha sido escolhido justamente por ser feriado nacional. As tropas estavam desmobilizadas em Brasília e em outros estados.

Além disso, Geisel avisou com antecedência alguns comandantes militares que ia demitir Frota.

O ministro demitido não conseguiu apoio, um dos seus aliados foi espertamente escolhido pelo presidente para sucedê-lo no cargo e o golpe fracassou sem ao menos começar.

Ernesto Geisel ficou mais forte, cumpriu seu mandato integralmente e Silvio Frota, defenestrado, viveu o resto da vida no ostracismo.

Essa história é contada em detalhes no livro "A Ditadura Envergonhada", do jornalista Elio Gaspari.

Quem deseja se informar sobre o período da ditadura militar deve ler Gaspari. 

Ele escreveu quatro livros sobre o assunto, descrevendo desde o golpe até o desmonte da ditadura com o participação de Ernesto Geisel e do general Golbery do Couto e Silva, que foi o intelectual do regime.

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