A jovem denuncia há tempos que sofre agressões e abusos sexuais desde criança, sem que a mãe nunca tenha feito nada para defendê-la.
Revoltada, Heloísa luta na justiça para ter o direito de não usar o nome da mãe em seus documentos.
No Fantástico, a biomédica disse que o pedido foi feito para tentar apagar as memórias de uma infância marcada por violência física, abusos sexuais e anos de sofrimento, que resultaram em diversas denúncias e processos judiciais.
MUDANÇA DE NOME
Na justiça, Heloísa, que foi registrada como Larissa, conseguiu a mudança de nome.
Permanece a luta para excluir o nome da mãe da certidão de nascimento e dos demais registros civis.
Questionada no Fantástico se preferia não ser filha de ninguém a continuar sendo registrada como filha da mulher que a criou, respondeu sem hesitar que sim.
Ela disse que manter esse vínculo nos documentos faz com que reviva lembranças dolorosas em situações cotidianas.
"Eu vou em lugares em que preciso confirmar o nome da mãe, preciso escrever o nome dela. Em hospital vem o nome dela na pulseira", desabafou.
VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA
Durante a entrevista, Heloísa Rodrigues revelou que as agressões começaram ainda na infância e se intensificaram após a separação dos pais, quando ela estava para fazer cinco anos.
Um dos episódios mais marcantes, segundo ela, aconteceu quando a mãe ateou fogo à cama onde ela e o pai estavam.
Documentos obtidos pelo Fantástico' mostraram que as denúncias começaram ainda quando ela era criança.
Em 2010, registros do Conselho Tutelar apontam que a jovem procurou o órgão para denunciar maus-tratos contra os irmãos.
No mês seguinte fez uma nova denúncia envolvendo agressões contra uma das irmãs.
A mãe chegou a assinar um termo de responsabilidade junto ao Conselho Tutelar.
ABUSO SEXUAL
Além das agressões físicas, Heloísa afirma ter sido vítima de abusos sexuais desde os nove anos de idade.
Relatou o primeiro episódio à mãe, mas não recebeu acolhimento.
Em 2017 a vítima reuniu vídeos, áudios e outros materiais e publicou um relato nas redes sociais.
A denúncia chegou ao Ministério Público de São Paulo e deu origem a uma investigação criminal. A mãe foi ouvida apenas como testemunha.
De acordo com a reportagem, dois homens foram condenados.
Um recebeu pena de 31 anos e oito meses de prisão por violência sexual contra as três irmãs. Outro foi condenado a nove anos e quatro meses por violência sexual contra duas das irmãs mais novas.
Ambos recorreram e estão em liberdade.
NEGATIVA DA JUSTIÇA
Após deixar a casa da mãe, em 2021, Heloísa iniciou o processo para alterar sua identidade civil.
A ação foi acompanhada por laudos psicológicos e depoimentos de testemunhas.
Embora a Justiça tenha autorizado a mudança do prenome e a retirada do sobrenome materno, o pedido para excluir o nome da mãe dos registros oficiais foi negado.
Na decisão, o magistrado entendeu que não existe previsão legal para apagar a maternidade biológica dos documentos, por considerar que esse vínculo representa um fato histórico e biológico, independentemente da qualidade da relação entre mãe e filha.
A defesa de Heloísa recorreu da decisão e afirma que o Direito brasileiro já reconhece diferentes formas de parentesco. De forma que podem ser discutidas alterações dos documentos em situações excepcionais envolvendo histórico comprovado de violência.
MEDIDA PROTETIVA
Em 2025 a biomédica apresentou uma nova denúncia contra a mãe, desta vez por violência doméstica, perseguição e suposta participação nos abusos relatados ao longo dos anos.
A Justiça concedeu uma medida protetiva determinando que a mãe permaneça a pelo menos 500 metros de distância da filha. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Entrevistada pela reportagem do Fantástico a mãe de Heloísa, que não teve seu nome revelado, negou todas as acusações de maus-tratos, conivência com abusos sexuais e qualquer recebimento de dinheiro para permitir contato da filha com homens.
Ela também afirmou que a filha inventava histórias desde a infância para morar com o pai.
Num vídeo que divulgou no Instagram, Heloísa disse que homens que não cumprem o papel de pai podem ter seus nomes retirados dos documentos dos filhos.
O mesmo, no seu entendimento, deve ser aplicado as mulheres que falham como mães.

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