NA DITADURA AGNALDO TIMÓTEO COMPÔS MÚSICAS DE TEMÁTICA HOMOSSEXUAL

Na época da ditadura militar a repressão não era apenas política, mas também moral.

Cantores românticos como Odair José, Waldick Soriano, Wando e até Lindomar Castilho tiveram canções proibidas por questões morais.

Até meados dos anos 70 não era possível, por exemplo,  fazer qualquer referência à homossexualidade numa música.

"Bárbara", música de Chico Buarque, teve a expressão nós duas cortada da letra, por ser uma citação ao relacionamento entre Ana de Amsterdã e Bárbara, duas mulheres.

Já Odair José teve inteiramente vetada a canção "O Desespero", em 1974,  por também fazer menção a um relacionamento homossexual. 

“Você diz a todo instante / que eu não sou, meu bem / aquilo que aparento ser / diz até que não sou homem bastante / pra conseguir do meu lado ter você...”.

Essa estrofe, imagine,  fez com que a música não passasse pela censura. 

OUSADIA

Agnaldo Timóteo, porém, conseguiu driblar os censores ao estrear como compositor,  com a música "A Galeria do Amor".

A canção foi feita em homenagem à galeria Alaska, reduto gay no Rio de Janeiro da década de 70.

Uma ousadia e tanto de Agnaldo e sua música tocou muito nas rádios, na época. Nem todo mundo sacou que "A Galeria de Amor" exalta o amor entre pessoas do mesmo sexo, mas a letra é bastante clara.

"Numa noite de insônia saí, procurando emoções diferentes e depois de algum tempo parei, curioso por certo ambiente, onde muitos tentavam encontrar o amor numa troca de olhar.  Na galeria do amor é assim, muita gente a procura de gente, a galeria do amor é assim, um lugar de emoções diferentes, onde a gente que é gente se entende, onde pode se amar livremente". 

Nos anos seguintes (76 e 77), Timóteo gravou mais duas músicas de temática homossexual "Perdido na Noite" e "Eu Pecador".

O artista reconheceu a ousadia dessas composições na época em que foram feitas, mas comentou que não poderia ter deixado de expressar o sentimento de milhares de pessoas.

Agnaldo Timóteo falou sobre o tema ao jornalista e escritor Paulo César Araújo, que registrou as informações no livro "Eu Não Sou Cachorro Não", lançado em 2002.

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