BENITO DE PAULA, A CENSURA E A HOMENAGEM A GERALDO VANDRÉ


Paulo César Araújo  revela no livro "Eu Não Sou Cachorro Não" que a música de Benito de Paula "Tributo a um Rei Esquecido" foi feita em homenagem a Geraldo Vandré.

O artista paraibano incendiou o Brasil em 1968 com "Pra não Dizer Que Não Falei de Flores", uma crítica dura ao militarismo.

"Nos quartéis lhes ensinam antigas lições, de morrer pela pátria e viver sem razão",  provocou Vandré,  deixando enfurecidos os  fardados que defendiam o regime militar.

Depois de irritar os milicos e ficar conhecido como cantor de protestos, o artista passou a ser perseguido e teve de deixar o Brasil.

No exílio, passou por países como o Chile e a França.

Quando retornou ao Brasil, no final dos anos 60,  já estava mudado e há indícios de que foi torturado. Nunca mais foi o mesmo.

A canção de Benito de Paula reflete esse processo de mudança de Vandré.

"Ele foi um rei e brincou com a sorte, hoje não é nada e retrata a morte. O que foi que fizeram com ele?', instiga o cantor/compositor de Nova Friburgo.

Benito, aliás, teve o seu primeiro LP censurado, pois teve a ousadia de gravar "Apesar de Você", de Chico Buarque, autor que no final da década de 60 estava perdendo a fama de bom moço e se tornando persona non grata entre os militares.

"Tributo a um Rei Esquecido" não foi foi proibida pela censura brasileira, mas Benito de Paula teve de se explicar para os agentes da repressão.

Uma outra música do compositor, "Proteção às Borboletas, driblou a censura no Brasil, mas foi proibida na Argentina.

O país vizinho vivia uma ditadura terrível na época e eles não gostaram nada da frase "tudo que eu quero é liberdade", cantada por Benito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário