Em 1962 o Brasil foi bicampeão do mundo.
Lembro apenas, vagamente, de populares soltando bombas para comemorar a conquista.
Neste ano distante, Capoeiras era uma vila de São Bento do Una e eu tinha apenas 5 anos.
Chegou 1966, aos 9 anos ouvi pelo rádio os jogos do Brasil na Copa da Inglaterra.
A seleção brasileira venceu a Bulgária por 2 x 0, gols de Pelé e Garrincha.
O pensamento funciona como uma máquina do tempo.
Não é que estou de volta aquele momento, vendo as pessoas na comemoração da vitória no primeiro jogo?
Os jogos seguintes foram contra Portugal e Hungria e o Brasil perdeu ambas as partidas por 3 x 1.
Um desses jogos, lembro ainda, foi num dia de sexta-feira. Meu pai de semblante triste, pela segunda derrota consecutiva e a despedida da canarinha do torneio mundial.
No ano de 1970, aos 13 anos, assisti pela primeira vez (como os demais brasileiros) uma Copa do Mundo pela televisão.
As imagens eram em preto e branco, mas foi uma experiência incrível.
A estreia contra a Tchecoslováquia e a vitória de 4 x 1, de virada.
Dureza contra a Inglaterra, mas derrotamos os campeões de quatro anos atrás, com gol de Jairzinho, depois de um bailado de Tostão e de um passe mágico de Pelé.
Passamos pela Romênia e Peru. Aí veio o Uruguai e ganhamos de 3 x 1, numa nova virada.
A final foi contra a Itália e o jogo foi duro até os 20 minutos.
Daí em diante fizemos 2, 3 e 4, com o lateral Carlos Alberto estufando as redes, ao receber um passe na medida do craque da camisa 10. Quem era ele?
O Pelé, é claro.
1974, não sei porque, estava em Caetés no dia da partida Brasil e Holanda.
A "laranja mecânica" jogava demais e nos mandou de volta para casa ao vencer por 2 x 0.
A Copa de 1978 foi na Argentina e nossos rivais conquistaram o título
Lembro mais de 1982. Tínhamos uma ótima seleção, comandada pelo Telê Santana.
Podíamos ter chegado à final e sido campeões. Mas fomos atropelados pela Itália e um cara chamado Paulo Rossi, que fez três na partida e tirou o Brasil daquela copa.
A Itália voltou a ser campeã em 1986, jogando no México, onde tínhamos sido tricampeões.
Mas em 90, na Itália, quem ficou com o troféu foi a Alemanha.
Enfim, em 94, acabamos com o jejum de 24 anos.
O Brasil venceu a Itália na final, nos pênaltis, com ajuda do craque italiano Roberto Baggio, que chutou tão longe do gol que a bola veio parar no Maracanã.
Em 1998 a França tinha um timaço e ganhou do Brasil por 3 x 0, no último jogo.
Se a memória não me trai foi nessa copa que Zidane fez dois gols, um deles de cabeça. E ele nem parecia tão alto.
O penta foi conquistado pelo Brasil em 2002 e ainda está bem viva em minha memória a atuação de Ronaldo Fenômeno, autor dos dois gols na vitória contra a Alemanha.
De lá pra cá não ganhamos mais. Em 2006 a Itália foi campeã derrotando a França nos pênaltis, na final.
A Espanha ganhou seu primeiro título mundial em 2010, na África do Sul, vencendo a Holanda (eterno vice) na final por 1 x 0.
O Brasil sediou a Copa de 2014 e passou pelo maior vexame de sua história. Levou de 7 x 1 da Alemanha e só não foi mais porque os europeus tiraram o pé do acelerador no segundo tempo.
Eu tomava um copo d´água, a Alemanha fazia um gol. Ia no banheiro, eles faziam outro. Piscava o olho, Galvão Bueno gritava: "Gol da Alemanha!".
Não dá pra esquecer aquele dia. Ficou um trauma. Até hoje o Brasil não se recuperou daquele dia.
E acabou essa história de que somos os melhores do mundo.
A França voltou a ser campeã do mundo em 2018, na Rússia e foi vice quatro anos depois, no Catar, quando disputou aquela final eletrizante com a Argentina, num jogo que terminou 3 x 3.
Os argentinos superaram o bom time francês nos pênaltis.
Neste sábado vi o Brasil estrear em mais uma Copa do Mundo.
A seleção de Marrocos é muito boa e nos dominou completamente até os 32 minutos do primeiro tempo.
Vini Júnior, num lance isolado, usando do talento individual, botou o Brasil no jogo.
No segundo tempo houve um certo equilíbrio e o placar de 1 x 1 terminou sendo justo.
Copa do Mundo é um negócio tão bom que só tem de quatro em quatro anos.
Vamos ver como termina essa deste ano, com os americanos praticando toda sorte de arbitrariedades, mas nenhum veículo da imprensa brasileira ousa dizer que o clima por lá é de ditadura.

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