CRÔNICA - A VIDA QUANDO NEM SONHAVAM EM INVENTAR A INTERNET


Até os anos 70, nas pequenas cidades do interior, a Semana Santa vinha acompanhada de regras.

Não podia comer carne de jeito nenhum, até o banho era proibido, com recomendação severa das avós.

Sexo nem pensar, pecado mortal.

As crianças, claro, não pensavam nisso, estavam mais interessadas nos desenhos que passavam na TV, com imagens em preto e branco até meados da década.

Até as prostitutas respeitavam a sexta-feira da paixão.

Nos cinemas passavam filmes religiosos contando a vida de Jesus.

A festa de Natal também era diferente da atual.

Havia menos dinheiro e não se trocavam presentes como hoje, cidades como Garanhuns não recebiam a decoração esmerada dos dias atuais.

Barracas ocupavam toda a extensão da Avenida Santo Antônio, de maneira que o centro da cidade era uma espécie de Arena e recebia público expressivo, tal como acontece atualmente nos estádios de futebol.

Necessariamente se vestia roupa nova, as meninas mais vaidosas que os meninos, todos lindos, felizes, porque tinham a vida pela frente.

O disco de Roberto era mais aguardado que o peru, o panetone. A gravadora CBS fazia uma "operação de guerra" para colocar o LP em tempo nas lojas de todo o Brasil.

Logo as canções novas estavam tocando em todas as rádios, com músicas que sobreviveram ao tempo e mais de 50 anos depois são ouvidas por pessoas de diferentes gerações.

Não havia WhatsApp, Facebook, qualquer coisa parecida. Nem sonhavam ainda em inventar essa tal de internet.

Tínhamos meninos batendo bola na calçada, empinando pipas,  meninas pulando corda;  jogo de botão, bola de gude,  barra bandeira, milu, pega ladrão.

Os adultos conversavam sentados em cadeiras colocadas na calçada.

As pequenas cidades não conheciam drogas como maconha ou cocaína, embora o alcoolismo já fizesse vítimas.

Se escreviam cartas, colocadas no correio, muitas tendo como destino a cidade de São Paulo, então o caminho inevitável de muitos nordestinos.

Água era uma dificuldade, principalmente quando vinha a seca, que obrigava o governo a criar frentes de emergência.

A aposentadoria no Brasil veio para ficar em 1923, mas o trabalhador rural só a conquistou em 1971, em pleno governo militar.

Belos tempos, belos dias... 

Ah! Aquelas jovens tardes de domingo, de sonhos e emoções, jogos inesquecíveis com Pelé e Garrincha  levando torcidas à loucura.

"Hoje os meus domingos são doces recordações... O que foi felicidade me mata hoje de saudade".

Da rosa, de Rosa, da inocência que partiu, trocada pelo choque de realidade.

Pela modernidade que nos deu muito, nos levou ao espaço,  à lua, nos permitiu viver mais e permanecer jovens, cheios de desejos mesmo quando o corpo não acompanha a mente.

*Ilustração: https://asimplicidadedascoisas.wordpress.com/2012/03/11/a-infancia-nos-anos-60-e-70/

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