Aos 79, o artista aparece num vídeo cheio de vida e energia.
Sempre que o escuto ou vejo passa pela minha cabeça São Bento do Una.
Talvez porque eu seja um pouco filho da cidade que o colocou no mundo também.
Quando nasci, no distante ano de 1957, Capoeiras era um distrito de São Bento, tendo se tornado município no dia 21 de dezembro de 1963, no primeiro governo de Miguel Arraes.
Criança, algumas vezes fui com meu pai à terra dos Valença. Principalmente na Festa de Reis, ainda hoje um acontecimento em todo o Agreste.
Passei anos fora, até retornar a Garanhuns, que se tornou o meu lugar.
Em 2008, salvo engano, estive em São Bento do Una no final da última gestão de Paulo Afonso.
Tinha o aspecto de cidade abandonada, parecia até ter passado por uma enchente ou mesmo sido bombardeada.
Não foi à toa que Padre Aldo se elegeu prefeito, trocando a batina, por oito anos, pela cadeira de governante.
A população de São Bento estava consciente do desastre administrativo, queria mudanças e deu ao religioso uma vitória maiúscula, que se repetiu quatro anos depois.
Já na gestão de Aldo Mariano, estive no município vizinho a Garanhuns algumas vezes.
E o aspecto já era outro. Cada vez que eu passava por lá observava as mudanças, as transformações.
As ruas com jeito de 100 anos ganharam asfalto, as escolas receberam o tratamento merecido, o comércio melhorou, o povo recuperou a autoestima, São Bento voltou a se olhar no espelho com orgulho.
Só quadras poliesportivas foram construídas quase 10, na gestão do padre.
Hoje está prefeito um integrante do governo de Aldo Mariano, o Alexandre Batité.
Parece fazer um bom trabalho também, tanto que se reelegeu com folga, mesmo enfrentando o homem mais rico da cidade, apoiado pela governadora.
Na memória tenho São Bento das Festas de Reis, da Corrida da Galinha - evento criado na gestão de Paulo Bodinho - de Dr. Lívio Valença, que também foi prefeito e atendia num consultório modesto, no centro da cidade.
E a cidadezinha retratada nos romances de Gilvan Lemos, tão ilustre quanto o Alceu e seu Espelho Cristalino.
São Bento do Una é quente e bem localizada. Está a 60 km de Garanhuns, 27 km de Belo Jardim, pouco mais de 20 km de Lajedo, 33 km de Capoeiras e 208 km do Recife.
Os Valença que fizeram história em Garanhuns, Adelmar e Amílcar, eram parentes de Alceu.
Assim, São Bento se entrelaça com a Suíça Pernambucana, com o ex-distrito Capoeiras, com Lajedo, Belo Jardim e Caruaru, que fica a pouco mais de 50 km da Terra do Bitury.
O velho e bom Alceu mora em Olinda, que adotou também como sua.
Dessa maneira, São Bento do Una também tem uma ligação com a velha Marim dos Caetés.
Numa de suas melhores canções, bebendo na fonte do poeta Ascenso Ferreira, Alceu Valença canta: "Vou danado pra Catende com vontade de chegar..."
Neste domingo, pouco depois de assistir o vídeo do bardo são-bentense, eu retornei à infância, à juventude, sem precisar abandonar o presente.
Não "viajei de trem", como o saudoso cantor do Espírito Santo, Sérgio Sampaio. Voei pela asas da imaginação.
Revi Lívio, Zé Mota, Marcílio, Altino, o cine que foi de Zezinho Borrego (que virou supermercado), Marcos Freire no comício de 1982, padre Aldo discursando com eloquência, 15 anos atrás, Washington Cadete fazendo oposição cerrada, Batité vencendo de lavada...
Fui danado pra São Bento e voltei bem ligeiro. Já em casa, meu cachorro fez festa, latindo.
Bom domingo pra todo mundo.

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