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quarta-feira, 17 de julho de 2019

FÓRUM DE CAPOEIRAS PODERÁ SER FECHADO


Por Junior Almeida

O então prefeito Manoel Reino da Silva foi quem iniciou a construção do fórum de Capoeiras e seu sucessor, Carlos Batata, que inaugurou o prédio e a nova comarca em 18 de agosto de 1989. Foi uma conquista e tanto para um pequeno município de menos de vinte mil habitantes.


Facilitou muito para o povo da terra, pois, até a instalação da comarca, tudo em relação à Justiça era resolvido em outras cidades. Casamentos, audiências, julgamentos e até mesmo as contagem de votos. Quem passa dos quarenta anos de idade deve se lembrar das muitas apurações eleitorais no fórum de São Bento do Una, e logo após, as suas carreatas de vencedores e vencidos com destino à Capoeiras.


Quando aconteceram os primeiros júris no fórum local, que recebeu o nome de “Adalberto Bezerra”, as bancas da sala de julgamentos ficavam lotadas para ver tal novidade. Parecia até um teatro, onde o espetáculo era a condenação ou absolvição do réu.


Pois bem, passados trinta anos, agora os famosos julgamentos em que enchiam de pessoas as galerias, a comodidade (para o povo de Capoeiras) de resolver algum problema judicial sem precisar sair do município, ou mesmo o status de possuir uma comarca, podem estar com os dias contados. É que o TJPE – Tribunal de justiça de Pernambuco estuda extinguir comarcas que não atinjam o número mínimo de mil processos por ano e, Capoeiras está nessa lista.


Atualmente, no fórum de Capoeiras, além da juíza e do promotor, trabalham mais seis funcionários da Justiça, além duas pessoas no cartório eleitoral, três no cartório registro civil e mais quatro funcionários da Prefeitura, cedidas ao fórum.


Se o fórum de Capoeiras for fechado, o cartório de registro civil, que tem como titular Albérico Bezerra, o Betinho, permanece na cidade, apenas sai do seu local atual, mas o cartório eleitoral pode ser deslocado para Caetés ou mesmo São Bento do Una. Um dos muitos problemas que podem surgir é, por exemplo, um casamento civil, que os noivos terão que se deslocarem para a sede da comarca, no caso Caetés ou São Bento.


Na semana passada foi noticiado que os vereadores de Capoeiras discutiram na Câmara Municipal maneiras de impedir que o município perdesse sua comarca. Muito bom. É louvável que os representantes do povo se preocupem com esse terrível retrocesso, mas seria interessante também que os senhores parlamentares se perguntassem o que acontece com sua terra, que descobrissem, por exemplo, por que tantas pessoas migram para outras cidades. Podiam também pressionar os gestores ou que criar uma lei, talvez, que os obrigasse morar no município, ou mesmo que, dentro da lei, fizessem que parte dos salários dos seus servidores fosse gasto apenas no município. Poderiam questionar se é justo com Capoeiras, que quem ganhe seu dinheiro só gaste em outras cidades?


Curiosidade: não faz muito tempo que dentro de uma rivalidade entre duas cidades pequenas, os moradores de Capoeiras diziam que “Caetés era dependente em tudo do seu município: feira, banco, água e comarca.”


O tempo passou, e atualmente Caetés tem uma feira livre bem movimentada, que ocupa toda avenida principal da cidade, uma agência do Bradesco (Capoeiras é posto), água de boa qualidade nas torneiras todos os dias, vinda da Barragem do Cajueiro, em Garanhuns e um prédio novinho, onde foi instalada a sua comarca, que por ironia do destino, pode absorver a de Capoeiras. De quebra, Caetés conta ainda com uma moderna agência do INSS, que atende os moradores dos dois municípios.


Alguns moradores de Capoeiras dizem, em tom jocoso, que "se o Banco do Brasil fechar, será a 'pá de cal' para a cidade". 


Particularmente torcemos para que isso não aconteça. Que permaneça na terrinha o banco, a comarca,  que sejam abertos novos comércios, novas indústrias, novas escolas; que a cidade se modernize. Torcemos também para que quem ganhe o dinheiro de Capoeiras, tenha um mínimo de consciência e gaste o que ganha no município que lhes garante o sustento. Nada mais justo. 


*Foto: Blog Capoeiras.




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