segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

ELEIÇÃO NO ESTADO COM CHEIRO DE SEGUNDO TURNO

Pernambuco este ano não tem um candidato que seja claramente favorito para vencer a disputa eleitoral.

O governador Paulo Câmara (PSB), apesar da vantagem de estar no cargo, com obras para anunciar e inaugurar, apoio da maioria dos prefeitos e deputados, não está com “essa bola toda”, segundo mostram as pesquisas, com um índice de rejeição preocupante, na faixa dos 60%.

Armando Monteiro (PTB), que segundo o Instituto Múltipla assumiu a liderança na preferência do eleitor, este no formou um palanque que deve concentrar o maior PIB de Pernambuco.

Além do senador, tem Fernando Bezerra Coelho, Mendonça Filho, Bruno Araújo, os Lyra de Caruaru, o prefeito Izaías Régis e mais uma porção de lideranças com votos e muito dinheiro para investir numa campanha política.

São dois Golias, que deveriam polarizar a disputa. Mas não é o que está acontecendo. Armando e Paulo não estão lugar garantidos no segundo turno, pois um terceiro candidato (a), a vereadora Marília Arraes, pode repetir o primo Eduardo Campos, que em 2006 saiu do terceiro lugar para disputar o segundo turno com Mendoncinha e vencer de goleada.

Marília tem a favor de si apenas a força da juventude, uma militância aguerrida, três ou quatro prefeitos, duas ou três dezenas de vereadores, sindicatos e um sobrenome de mito, um homem que quando estava vivo e governou Pernambuco era recebido nas feiras do interior como uma espécie de Frei Damião da política.

Até chá faziam, em alguns lugares do interior, com alguma substância ligada ao “Pai Arráia”, o cearense-pernambucano Miguel Arraes de Alencar.

Marília Arraes tem um discurso que lembra o do avô, tem coragem e ideologia definida, traz em si o “sentimento do mundo” e um olhar de mulher sobre a realidade pernambucana.

Não dá para saber agora se apenas com isso ela poderá enfrentar e derrotar duas máquinas azeitadas com muito dinheiro.

A garota, porém, está na luta e já venceu ou primeiro “round”. 

Venceu as resistências internas do PT, de líderes envelhecidos que não queriam deixar florescer o novo no partido em Pernambuco.

A luta daqui pra frente será contra o caciquismo, o coronelismo, a velha política, o poder econômico, o dinheiro a rodo para comprar consciências de prefeitos, vereadores, deputados e da população em geral.

Vai ser uma briga boa e se Marília Arraes continuar com a garra que tem demonstrado, usar da inteligência e captar o desejo de mudanças,  poderá pregar uma peça nos dois gigantes: Se chegar ao segundo turno será mais de meio caminho andado para vencer os coronéis e reacender a esperança, pelo menos em Pernambuco.

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