sábado, 25 de novembro de 2017

CAPOEIRAS: UMA TERRA À ESPERA DE UM GOVERNO


Por Carlos Alberto*

Capoeiras é um pequeno município pernambucano, situado no agreste meridional do Estado. Tem hoje uma população estimada em 20 mil habitantes e está prestes a comemorar 54 anos de emancipação política.

Antes era distrito de São Bento do Una. Outrora, Capoeiras foi um município pujante, tinha uma das maiores feiras de gado do interior nordestino, que atraia compradores de diversos estados. Já foi conhecida também pela grandiosidade de suas festas, como a de São José, por exemplo, que era esperada ansiosamente pela população de toda a região. 

Hoje a feira de gado praticamente não existe mais como antigamente, as grandes festividades deixaram de acontecer, a violência urbana cresceu de forma assustadora, os escândalos administrativos se multiplicam e a autoestima da população sofreu uma queda avassaladora.

Os mais antigos lamentam tudo o que tem acontecido no município nos últimos tempos. "Eu não esperava chegar na minha velhice e ver minha cidade se acabando assim. De que adianta ter sido emancipada politicamente e estar nessas condições hoje? O povo aqui não tem mais estímulo, já tem gente se mudando, indo morar em outras cidades. Seria melhor ainda pertencer a São Bento", lamenta um agricultor de 83 anos e que pediu para não ter o nome divulgado. 

O cenário traçado por ele não é exagero. Entulhos se acumulam pelas ruas da cidade, nem mesmo o serviço básico de capinação está sendo feito e o mato já cresce no meio fio das ruas calçadas.

No centro da cidade, obras inacabadas no calçamento da rua principal. A praça João Borrego, no coração de Capoeiras, está tomada pelo mato e o abandono é visto nitidamente na pintura velha e suja dos canteiros da praça. Basta uma volta de carro pelas ruas do subúrbio para constatar os buracos que tornam muitas vias praticamente intransitáveis e o lixo que se acumula pelos cantos das ruas.

A iluminação pública praticamente não existe. À noite a escuridão que invade a cidade favorece a ação de marginais. Não é à toa que o número de assaltos e de casos de estupro tem crescido em Capoeiras.

Por falar em violência, até a escola municipal no povoado Riacho do Mel foi vítima de assalto e o governo municipal nada faz para contribuir com o Estado no enfrentamento ao crime. 

Recentemente um ônibus escolar do programa "Caminho da Escola", se envolveu num acidente em Garanhuns, quando não deveria ter saído do município. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o acidente pode ter sido provocado pelo estado precário dos pneus que estavam lisos, o que mostra a falta de zelo com o patrimônio público e a despreocupação com a segurança dos alunos. Não bastasse isso, em Capoeiras aluno que mora na zona rural do município precisa pagar uma taxa de dois reais para conseguir usar o transporte que deveria ser público.

A cobrança tem uma explicação: os motoristas, em sua maioria, estão sem receber da prefeitura e por isso precisam pedir ajuda aos alunos para manter os veículos circulando, caso contrário, os alunos ficariam sem transporte para chegar até a escola. Há motoristas que estão sem receber da prefeitura há seis meses. O caso inclusive já foi levado ao conhecimento do Ministério Público de Pernambuco.

Na saúde, faltam medicamentos e profissionais para atender o cidadão dignamente. Na zona rural, o homem do campo se vê abandonado. Não há nenhum programa social voltado diretamente ao agricultor e até as estradas que dão acesso aos sítios e povoados se encontram intransitáveis.  Os moradores precisaram se juntar para fazer reparos básicos, caso contrário, não conseguiriam se deslocar de carro nem de moto pela localidade.

Recentemente a prefeita Neide Reino foi condenada pela Justiça por improbidade administrativa, que pela lei é mau uso do dinheiro público. A decisão da magistrada local é para que ela perca o mandato, no entanto, a prefeita recorreu e aguarda decisão final no comando do município.

Em se tratando de gestão do dinheiro público, Capoeiras assiste a episódios desanimadores. A prefeitura tem um débito com o fundo da previdência municipal, que já passa de sete milhões de reais. Enquanto em municípios como a Pedra, por exemplo, o caixa disponível é de 15 milhões, em Capoeiras é zero.

Esta semana a prefeita enviou à Câmara de Vereadores um projeto de lei aumentando consideravelmente o valor dos impostos cobrados na cidade, o que irá prejudicar centenas de famílias que já estão em situação financeira difícil diante desta grave crise econômica que o Brasil atravessa.


Situação difícil também é a de centenas de servidores contratados. Muitos estão sem receber os salários há quase cinco meses e estão sem previsão para atualizar as contas. O caos administrativo está estabelecido. Resta agora saber de onde virá o socorro.

*Carlos Alberto, popularmente conhecido como Carlão, é radialista.

*O blog está à disposição da Prefeitura de Capoeiras, caso queira questionar o artigo do radialista.

Um comentário:

  1. O nosso socorro vem do Alto
    Vamos rezar por esta situação...
    Que Deus nos abençoe!!!

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