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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

GILBERTO FREYRE E A MORDIDA DO TUBARÃO


Do jornalista Homero Fonseca*

Lançado em 1934, o sempre assaz louvado Guia pratico, histórico e sentimental da cidade do Recife, de Gilberto Freyreé, como o nome indica, precursor dos atuais guias turísticos. Entretanto, sendo seu autor quem é, não há de espantar as tiradas poéticas, observações agudas e idiossincrasias do texto, de cambulhada com um número espantoso de dados numéricos, históricos e culturais da cidade.

É o caso do trecho em que o sociólogo fala dos encantos dos mares recifenses, inclusive histórias populares de fantasmagóricas aparições de criaturas fantásticas, em que se insere o delicioso caso do aparecimento de tubarões (já naquela época!).

Acompanhem-me:

“De 1900 até hoje, nunca mais deu às praias das vizinhanças do Recife nenhum peixe cabeludo nem monstro marinho. Uma vez por outra, algum resto enorme de baleia. Ou então um tubarão ainda vivo que dizem se anunciar por um cheiro bom de melancia.

Tubarão há na verdade muito pelas águas do porto do Recife. Às vezes, os vapores saem seguidos por uma porção deles. E ai do coitado que cair no mar, dia de tubarão assanhado! Os recifenses guardam a memória do velho prático da barra, Herculano Rodrigues Pinheiro, que uma noite de escuro caiu no mar e nunca mais se soube dele: dizem que os tubarões o comeram.

Outros se lembram de um homem que, no tempo da antiga Lingueta, estava sempre na beira do cais mancando entre os remadores fortes: esse dizem que tinha um pedaço de bunda tirado. Dentada de tubarão.”


*Homero Fonseca, natural de Caruaru, é  escritor e jornalista profissional, com passagens pelos principais jornais do Recife e sucursais da imprensa do Sudeste. Foi Secretário de Imprensa da Prefeitura da capital, numa das gestões de Jarbas Vasconcelos e editor da Revista Continente Multicultural, na melhor fase da publicação.

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