sábado, 16 de maio de 2015

VIDA DE RAPARIGA

JORNALISMO - Magno Martins está fazendo uma espécie de retrospectiva de sua vida de jornalista. No seu blog, a cada dia publica histórias deliciosas como essa:

No dia 1 de maio de 1984, desembarquei em Brasília carregando uma cachorrinha, sem dinheiro, sem lenço e sem documento. Formado em Jornalismo pela Unicap, escolhi Brasília pela aptidão à política. Não foi fácil conseguir um lugar ao sol.
As referências pernambucanas no jornalismo em Brasília eram, pela ordem, Ricardo Noblat, que escrevia no JB, Antônio Arrais, que atuava no Estadão, e Jota Alcides, na então EBN, depois Radiobrás e hoje Agência Brasil.
Tinha também Antônio Martins, cujo sobrenome estava longe dos Martins meus, que vem de minha mãe sertaneja, como eu, das barrancas do Pajeú.
Martins era um dos mais afamados, escrevia uma prestigiosa e lida coluna política no jornal O Globo. Temperamental e afobado, Martins, que virou consultou e dono de uma empresa de assessoria, era uma fera.
Atrás de emprego, recorri à todos os pernambucanos que podiam me dar uma colher de chá por já estarem consolidados no mercado e deixei Martins por último.
Na chegada à redação de O Globo, o encontrei com os pés em cima do birô, cigarro na boca e uma pilha de jornais e livros à mesa de trabalho.
Martins me olhou enviesado, ouviu meu drama, perguntou se já tinha alguma promessa de emprego e sapecou:
"Senta ali naquela cadeira, pega aquela máquina e bate teu currículo, junta algumas matérias assinadas e põe debaixo do teu braço. Sai por ai se oferecendo nas redações feito rapariga".
Assustado, segui o script de Martins e 15 dias depois recebi uma ligação de O Globo. Fiquei feliz da vida, achando que no dia seguinte já estaria no Congresso cobrindo política.
Mas, qual foi a oferta? Fazer freelancer no Norte do País, onde havia uma deficiência de O Globo. Martins ordenou:
Pega, cabra besta!
E lá fui eu conviver com índios!


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