domingo, 22 de janeiro de 2012

TOM JOBIM - GRANDES NOMES DA MPB - 93º

Pianista, violinista, arranjador, compositor, cantor. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, ou simplesmente Tom Jobim, foi um artista que conseguiu reconhecimento da crítica, dos colegas do meio musical e do público mais exigente ou mais refinado. Teve ainda projeção internacional como poucos nascidos deste lado dos trópicos.

Tom Jobim nasceu na Tijuca e morou a maior parte de sua vida em Ipanema, no Rio de Janeiro. Cedo aprendeu a tocar violão e aos 13 anos aprendia também o piano, tendo como um dos seus professores o alemão Hans-Joachim Kielllreutter.

Antônio Carlos chegou a cursar Arquitetura, deixando a faculdade pela música. Isso parece ser uma constante no meio artístico.

Compositor e arranjador sofisticado, o maestro foi influenciado pelo jazz e pela música erudita.

A revista americana Rolling Stone chegou a considerar o compositor carioca como o maior expoente da música brasileira de todos os tempos.

Tom Jobim nasceu no Rio de Janeiro, em 1927 e morreu em Nova Iorque, em 1994, com 67 anos de idade. Estava hospitalizado, por conta de uma cirurgia, quando teve uma parada cardíaca e faleceu.

Antes de se consagrar como um extraordinário músico e compositor, Tom trabalhou em escritório, mas logo percebeu que aquela não era “sua praia”. Decidiu ser pianista e passou a tocar em bares e boates de Copacabana. Nos anos 50 se empregou como arranjador da gravadora Continental e depois passou para a Odeon.

Desse período trabalhando em gravadoras surgem suas primeiras composições, como Incerteza, feita em parceria com Newton Mendonça. Pouco depois nasceu Tereza da Praia, criada junto com Billy Branco, praticamente seu primeiro sucesso, gravado por Lúcio Alves e Dick Farney, este último um dos maiores vozeirões da música popular do Brasil.

A parceria seguinte de Jobim seria com Dolores Duran, quando nasceu a canção Se é por Falta de Adeus. Em 1956 musicou, tendo como companheiro de criação Vinícius de Moraes, a peça Orfeu da Conceição. O poetinha se tornaria um dos parceiros mais constantes e desse espetáculo musical faria parte também a composição Se Todos Fossem Iguais a Você, gravada desde então por cantores de diferentes gerações.

Em 1958 foi lançado o LP “Canção do Amor Demais”, reunindo novamente Tom e Vinícius e a divina Eliseth Cardoso como intérprete. Nas gravações a cantora foi acompanhada no violão por João Gilberto, então desconhecido, mas que daria novo rumo a música popular brasileira.

Jobim, Vinícius e João Gilberto seriam os principais responsáveis, a partir do disco de 1958, pelo surgimento da Bossa Nova, um movimento até certo ponto sofisticado, que tornaria mais respeitável a música produzida no Brasil.

Diferente da revolução do Tropicalismo, da inocência da Jovem Guarda, a Bossa Nova se destacou pela orquestração e por incluir entre seus adeptos cantores e compositores mais exigentes com a letra, a melodia e a interpretação.

Além do trio Jobim, Vinícius e João Gilberto, podem ser citados como expoentes do movimento a cantora Sylvia Telles, João Donato, Carlos Lyra, Baden Powell, Maysa, Nara Leão, Toquinho e Elis Regina. Bem depois surgiria no meio artístico a cantora Leila Pinheiro, assumidamente influenciada pelos bossanovistas.

A partir do final dos anos 50 e do início da década de 60, Tom Jobim se tornou um músico conhecido no Brasil e no exterior. Foi um dos destaques de um Festival de Bossa Nova realizado em Nova Iorque e em 1963 compôs, novamente em parceria com Vinícius de Moraes, a música “Garota de Ipanema”, que se tornaria uma das canções brasileiras mais executadas no exterior. Além de ser sucesso no Brasil, é claro.

Os anos de 62 e 63 foram muito produtivos para o maestro. Nesse biênio surgiram Samba do Avião, Ela é Carioca, o Morro não tem vez, Vivo Sonhando e a bela Inútil Paisagem. Todas se tornaram clássicos.

Em 1967 lá estava outra vez Antônio Carlos Jobim nos Estados Unidos. Voltou a terra de Tio Sam para gravar com um dos grandes mitos americanos, o cantor e ator Frank Sinatra. De volta ao Brasil, participou do Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo e ficou com o primeiro lugar, com a música Sabiá, feita em parceria com Chico Buarque. O público não gostou da decisão do júri e vaiou ostensivamente as intérpretes Cynara e Cybele (do Quarteto em Cy). A maioria queria que Caminhando (Pra não dizer que não falei de flores) de Geraldo Vandré, ficasse com o grande prêmio.

Na década de 70 alguns bons artistas do primeiro time da MPB gravariam discos com Tom Jobim. Destaque para Edu Lobo, Miúcha e Elis Regina. Também nesse período surgem algumas das melhores criações do compositor como Águas de Março, Ana Luíza, Lígia, Correnteza, o Boto e Ângela.

Passados 18 anos da morte do artista carioca, ele continua tendo sua obra reconhecida e a cada dia novos artistas regravam alguma de suas músicas. Dois veteranos da música nacional, Caetano Veloso e Roberto Carlos, fizeram um show e gravaram CD e DVD, em 2008, somente com músicas de Antônio Carlos Jobim.

O nome de Tom Jobim também rendeu biografias escritas por críticos musicais importantes como Sérgio Cabral, Tárik de Souza, Tessy Callado. Tem também o livro “Antônio Carlos Jobim, um homem iluminado”, de autoria de sua irmã, Helena Jobim.

Tom não era tão bom cantor e intérprete quanto Milton Nascimento, Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso ou mesmo Roberto Carlos. Mas sobrava talento como compositor, pianista e arranjador.

Seu reconhecimento como artista chegou a tal ponto que o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, foi rebatizado para receber o seu nome. “Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Antônio Carlos Jobim”.

Abaixo, a letra “Eu sei que vou te amar”, uma das mais inspiradas composições do artista:

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

DESAFINADO - Clique no nome da música, em maiúsculo, e confira um vídeo do youtube com Tom Jobim e João Gilberto cantando "Desafinado".

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