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domingo, 16 de outubro de 2011

O ABSURDO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A novela Fina Estampa, da Rede Globo, volta a abordar um tema que vez por outra está presente nos folhetins: o problema da violência contra a mulher. Desta vez quem vive a esposa atormentada pelo marido machão é a atriz Dira Paes (foto),  no papel da sofrida Celeste, praticamente o oposto da Norminha da outra novela.  O marido, Baltazar, é interpretado pelo ator Alexandre Nero. Apesar da discussão do tema na televisão, nos jornais e revistas, nos colégios, faculdades e através da internet, pouca coisa mudou ao longo dos anos, pelo menos aqui no Brasil. Os dados são alarmantes: mais de 60% dos homicídios praticados contra mulheres têm em cena os maridos ou ex-parceiros. E mesmo com a criação das Delegacias das Mulheres nas principais cidades do país elas continuam com muito medo. Nada menos que 68% temem denunciar os homens que vivem lhes batendo.

Um comentário:

  1. A violência contra a mulher existe porque existe o machismo e a misoginia que está impregnada em nossa sociedade. Enquanto na novela se mostra o absurdo da esposa que não toma a iniciativa e nenhum comentário por parte da emissora da Globo sobre os serviços da rede de atendimento a mulher e a central de atendimento a mulher(número 180), a ministra Iriny Lopes da Secretaria de políticas para mulheres (SPM) enviou um ofício a emissora e a ministra foi tratada com um certo desdém pelo autor Aguinaldo Silva e pela emissora.
    Fora o caso da novela um dos assuntos mais comentados da semana foi sobre o rapaz (Rômulo) que quebrou o braço de uma estudante de Direito numa boate em Natal porque ela não quis ficar com ele. É revoltante que uma moça vá a uma balada para se divertir e saia de lá com o braço quebrado. O fato é que Rhanna teve de passar por uma cirurgia em que foram colocadas quatro placas de titânio e dezesseis pinos em seu braço. Que ela vai ficar com uma baita cicatriz por toda a vida. E que Rômulo já respondia a processo por ter agredido sua ex-mulher. Ou seja, ele é recorrente. Tem um histórico de quem não sabe lidar com frustrações e de quem se vale da violência ao se relacionar com mulheres.
    Representa o típico babaca que gosta de insistir numa mulher que já deixou claro que não está interessada nele é sinal dessa ideia de merecimento. Só o costume de homens chegarem numa mulher que paqueram agarrando seu braço, cintura ou cabelo, como é comum, já vem desse sentimento de merecimento.
    Pior é ouvir comentários do tipo “se ela tivesse beijado ele nada disso teria acontecido” e “balada não é lugar de moça de família”.
    Para que tais agressões contra a mulher diminuam seria preciso investir fortemente em outros tipos de política públicas, INCLUSIVE voltadas não só as mulheres, mas para os homens também, campanhas massivas para atingir o público masculino. Na rede pública de saúde profissionais que prestem atendimento psicológico a mulheres e homens também, programas de TV que discutissem o sexismo, campanhas que valorizem a mulher, O QUE NÃO É O CASO DA PROPAGANDA QUE GISELE BUNDCHEN DE LINGERIE NA HOPE entre outras similares não ajudam, pois coloca a mulher como objeto reforçando o estigma e fomentando a violência contra a mulher. Pensamento único é o que temos na mídia, ou quantos programas de TV você conhece que discutem o sexismo? Nossa liberdade de escolha é tremenda: somos livres para escolher entre CQC ou Pânico. Ora, TV é concessão pública. Que se exija das TVs, que exibem sem piscar comerciais e programas machistas, homofóbicos, racistas, a veiculação de campanhas educativas. Que míseros quinze minutinhos por dia, espalhados por toda a programação, sejam usados pelo governo e ONGs para reagir contra os preconceitos. Talvez demore muito para que uma campanha educativa contra o machismo consiga superar a misoginia que reina na nossa sociedade. Mas é preciso começar já.

    roberta almeida - Recife - PE

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