sexta-feira, 14 de agosto de 2009

MISERÁVEIS COMOVEM A MÍDIA

O jornalista Fernando Rodolfo, apresentador do Jornal da Sete, na FM Sete Colinas, dedicou praticamente todo o programa de hoje à história de um rapaz do Magano que roubou um pacote de fraldas e está preso. Enquanto isso, a mulher ficou doente em casa, com três filhos pequenos (um deles um bebê de apenas um mês, que nasceu prematuro), sem o marido e comida, remédios ou as fraldas roubadas no desespero. O profissional fez uma campanha e conseguiu um monte de donativos para a família.
Já Ronaldo César, no seu sempre criativo e informativo blog, informa que toda noite uma mulher de idade avançada dorme na porta do Núcleo de Assistência Social da Prefeitura de Garanhuns, o NASG. Ele desconfia que ela faz isso para revender as fichas.
Infelizmente, esses dois casos não são isolados. Nem na cidade, nem no Estado, muito menos no País. Apesar do bolsa-família, do aumento real do salário-mínimo do crescimento do emprego no país (pelo menos antes da crise) e outras coisas positivas da era Lula, a desigualdade social continua brutal, com uma péssima distribuição de renda.
Contribui com esse quadro, também, a corrupção que campeia no País - e não é só no senado federal, é bom que se esclareça. O quadro de corrupção é endêmico: Nos poderes executivo, legislativo, judiciário, nas polícias, no meio empresarial, no setor esportivo e por aí vai. Os pobres, que recebem o mau exemplo que vem de cima, também pensam em dar um jeitinho de se dar bem. Muitos tubarões escapam impunes da roubalheira, mas os pequenos, como esse ladrão de fraldas do Magano, normalmente terminam na cadeia e terminam virando bandidos de verdade porque o sistema não recupera ninguém.
Não estou tendo um ataque de pessimismo, é a nossa realidade.
E isso não será resolvido com ações de caridade ou campanhas isoladas de um e outro, embora seja positivo tanto denunciar, quanto extender a mão a quem precisa. Pior é a omissão, fechar os olhos à realidade ou negar água ou comida a quem precisa.
A questão não será resolvida pela Dilma, Marina, Serra, Aécio ou Ciro. Precisamos de um presidente de vergonha, um congresso que também tenha essa qualidade e que se invista mais em cultura e educação. Quem faz universidade, tem a oportunidade de ler livros ou se habilita a apreciar uma obra de arte no cinema ou no museu dificilmente vai roubar fraldas ou comida no supermercado.
Enfim, os políticos como um todo precisam melhorar, a mídia precisa ser parceira e responsável e conscientizar, e o povo brasileiro, que já evoluiu um pouco, é verdade, precisa avançar ainda mais.

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