Passei o Dia dos Pais sem escrever uma nota sobre o Dia dos Pais. Não dava para escrever sem ter passado as 24 horas, porque a qualquer momento, mesmo no último segundo pode acontecer alguma coisa. Então quando já estava perto da meia-noite, cansado do que tinha feito ou deixado de fazer no domingo - li o JC, escrevi as notas do blog, almocei no restaurante Churrascaria da Paz (que estava cheio, como todos eles), tomei chocolate quente na Avenida, vi um bom filme em vídeo e já por volta das 22h assisti uma bela reportagem do Paulo Henrique Amorim sobre o Dia dos Pais.
Foi depois dessa matéria na Record, tocado pelos depoimentos dos papais, que escrevi um texto com jeito de poesia. Acho que foi o primeiro do ano neste estilo. Hoje ele abre o blog, uma vez que somos pais todos os dias, não apenas uma vez por ano.
DIA DOS PAIS
Meu pai partiu faz 10 anos.
Está presente, porém
como se estivesse ao meu lado.
Lembro de tanta coisa...
Quando havia carnaval no distrito
e as outras festas: São João, São Pedro, Natal,
a procisssão no dia do padroeiro.
Outras lembranças:
Disputas de futebol
no campo do vilarejo,
o interesse pelas notícias no rádio,
depois a TV que surgia.
Primeiro em preto e branco
com mais alguns anos
a novidade da tela em cor.
Ele seguro, sereno
prudente, pensativo
preocupado com o futuro de sua prole
e as contas para pagar.
No entanto nos deixava tranquilos,
porque guardava as angústias só para si.
Além dos mais era ancorado por uma verdadeira esposa,
uma mãe dessas que a gente quase não vê mais hoje em dia.
Amo meu pai.
O do passado
quando ele cuidava de nós todos,
o do presente,
com essas lembranças;
a impressão de tê-lo ainda aqui do lado.
Mas agora também tenho filhos.
E os amo de uma maneira intensa,
tanto como amava e amo meu pai.
Não sei se meus filhos me veem
como vejo meu pai.
Posso não ter passado segurança,
não ter sido tão cuidadoso.
Ter dado carinho,
contudo me ausentado mais do que devia.
Mesmo assim os amo muito.
Esse sentimento está na cabeça,
no coração, no tato, no olfato,
nos outros sentidos.
Se eles não ligam para mim
como eu ligava para o meu pai
não importa tanto.
Nada vai diminuir o meu amor por eles.
No máximo alguma desatenção pode trazer
um pouco de tristeza, de melancolia.
No entanto eu espero que o sentimento
por meu pai, por meus filhos,
seja o bastante para inundar meu próprio universo,
neutralizando os pensamentos negativos,
evitando qualquer forma de depressão.
Meu pai e meus filhos estão presentes
mesmo quando estão distantes.
Mesmo quando não telefonam e por algum motivo
esquecem o dia 19 ou o Dia dos Pais.
Eu carrego os genes daquele que me fez,
assim como meus meninos e meninas
carregam a carga genética transmitida a cada um deles.
Isso ninguém tira.
Nem o divórcio,
nem as mentiras
ou meias verdades.
Nem mesmo os pecados
que ao longo da vida cometi.
Pais, filhos
esse amor que alguns não entendem,
são obras de Deus.
E é impossível destruir as sementes lançadas pelo Criador.
Pais... Melhor é tê-los. Pois se os temos, os sabemos... saudades do meu
ResponderExcluirAbraços e parabéns, Almeida