GOVERNO DE PERNAMBUCO

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Natal de Garanhuns

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A Magia do Natal

domingo, 30 de abril de 2017

A CHEGADA DE ANTÔNIO CARLOS BELCHIOR NO CÉU


Por Roberto Almeida

Belchior chegou no céu num dia 30 de abril. Há anos estava cansado de andar com os pés cheios de poeira, tinha esquecido o coração selvagem, resolvera os problemas de alucinação,  e agora ansiava por viver tudo outra vez.

Longe de casa, a sua simpática Sobral, no Ceará, resolveu partir desta para outra no interior do Rio Grande do Sul, terra de Elis Regina, que tornou conhecida no Brasil inteiro umas de suas melhores canções, “Como Nossos Pais”.

Poeta, compositor inspirado, cidadão consciente, o artista cearense por certo andava desiludido da vida, ainda mais com tantas turbulências no país chamado Brasil.

Tudo tem sua hora e um dia todos temos que dar adeus à divina comédia humana.

Assim fez o artista, que nunca envelhece, como nos ensinou outro poeta, este da Bahia.

E num dia nublado, cinzento, não apropriado para entusiasmos exacerbados, Antônio Carlos chegou ao céu depois de viver o seu tempo na terra, em meio a secas, jogos de futebol, oportunismos políticos, missas nas igrejas e formigas trafegando sem porquê, enquanto o sangue ainda jorra nos jornais.

Tão logo chegou ao paraíso, um lugar totalmente diferente deste, do lado de cá, Antônio Carlos Belchior foi recepcionado por um coral de anjos e levado ao grande salão de artes do céu.

Talvez por que tenha partido a menos de oito dias, Jerry Adriani foi o primeiro com quem o cearense deu de cara no imenso salão celestial.

Dois estilos diferentes, duas vertentes diferentes da música popular brasileira, nem por isso os dois cantores deixaram de expressar a alegria do encontro e se abraçaram com emoção.

Jerry com aquele sorriso cativante, Belchior com a expressão séria que o caracterizou em vida, sem que os olhos conseguissem esconder que no fundo da alma era apenas um cidadão comum, um sujeito bonachão.

Se o ídolo da Jovem Guarda não era tão da sua turma, o mesmo não se pode dizer de Raul Seixas, que veio logo a seguir e embora tenha feito parcerias com Adriani, quando viveram a existência terrena, filosoficamente estava mais próximo do homem nascido em Sobral.

Raul reinventou a música popular brasileira, com seu “Ouro de Tolo” e foi um dos poucos artistas que teve a coragem de fazer um canto para sua própria morte. “Que venha vestida de cetim, com a sua mais bela roupa”, disse ele na surpreendente canção.

Não há dúvida que o maluco beleza foi um místico, lunático às vezes, que passou por todas as religiões, porém sem deixar de iluminar os céus com sua cabeça privilegiada, o coração noturno e a procura de Deus em todas as coisas.

Belchior, mas pé no chão, fez música sobre a hora do almoço e cantou até os exilados, que em sua época de pop star tiveram que sair do país e foram sofrer na França, sentindo frio e saudades da América do Sul.

Foi singular o encontro do cearense e do baiano e eles se entenderam como irmãos, ficando logo claro que no céu seriam grandes parceiros,  para toda a eternidade.

Aí chegou Gonzaguinha, ao lado do pai, e os dois lembraram do tempo em que não faziam outra coisa senão viajar e viajar pelo imenso brasilis.

Provavelmente por ter morrido no Rio Grande do Sul, não demorou muito Antônio Carlos se deparou com o escritor Érico Veríssimo, autor de O Tempo e o Vento, Caminhos Cruzados, Noite, O Resto é Silêncio e tantos outros livros que encantaram a vida do cantor na sua adolescência.

Belchior aproveitou para confessar ao escritor que era seu fã, enquanto este disse que gostava muito de suas composições, pelas suas preocupações metafísicas e seu viés escancaradamente humanista.

“Acho que nos identificamos. Meu trabalho na literatura e o seu na música se encontram nas paralelas”, comentou o Veríssimo.

Gonzagão perguntou pelo Fagner, com quem fez alguns duetos maravilhosos na vida puramente física e Gonzaguinha, bem leve, comentou que o céu ganhava muito com a chegada de Belchior, garantindo que por certo até Jesus ia ficar radiante perante o reforço do time da MPB no paraíso.

Quando chegou a Elis Regina o autor de Mucuripe não conseguiu conter as lágrimas. A “Pimentinha” estava do mesmo jeito, sorridente e com a mesma voz de brilhante que conquistou o Brasil nos anos 70.

Quase não conseguiram se desgrudar, após fortes abraços e beijos, contudo chegavam outros e outras que partiram bem antes e Belchior não queria discriminar ninguém, convencido de que o céu não tem espaço para preconceitos.

Assim, saudou com carinho o Jessé, este cantarolando “Porto e Solidão”, interrompido, no entanto por Cássia Eller, ela ainda parecendo uma garotinha.

Reginaldo Rossi,  Paulo Sérgio, Leandro e Evaldo Braga chegaram abraçados, o primeiro vestindo não se sabe por que uma roupa de garçom, enquanto o segundo, sussurrando, soltava as primeiras estrofes da última canção.

Os da velha geração também apareceram e Belchior sentiu-se feliz ao ver que estava na companhia de Vicente Celestino, Silvio Caldas, Eliseth Cardoso, Noel Rosa, Ataulfo Alves, Pixinguinha, Francisco Alves e Orlando Silva.

“Quanta gente boa, meu Deus!”, soltou o compositor, ainda mais que não mais que de repente Clara Nunes, Vander Lee, Cazuza e Renato Russo também vieram lhe abraçar.

Chico Anísio veio contando piadas, fazendo tipo e o clima ficou ainda mais descontraído pela entrada em cena dos meninos traquinos do grupo Mamonas Assassinas.

Foi um desfilar de artistas que não acaba mais e tudo era alegria, festa, comemoração.

Mesmo os santos, como Francisco de Assis, pareciam estar de bem com a vida eterna, bem humorados... E todos contribuíram para que a tristeza não encontrasse guarida, a saudade fosse guardada num matulão emprestado por Marinês e Jackson do Pandeiro, num clima verdadeiramente amistoso que irmanou cada um deles, vivendo numa intensidade até então desconhecida, num lugar sem espaço para a tristeza e a dor. E que era possível cantar sem riscos, com público garantido e uma gente educada aplaudindo sem parar.

Tudo lindo, divino, maravilhoso e melhor ainda porque agora seria pra sempre. Nunca, nunca ia acabar.

“Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho, deixe que eu decido a minha vida...”


Salve Belchior!

*A maioria das frases e expressões aspeadas ou em itálico se referem a títulos ou versos de canções de alguns dos artistas citados.

**Foto: O Globo.

GARANHUNS LAMENTA MORTE DE JOÃO RICARDO

Familiares, amigos, políticos, funcionários do município e a população de Garanhuns lamentam a morte do ex-secretário municipal João Ricardo Pinto de Araújo, de 57 anos.
Segundo Marcos Moraes, que era muito amigo de João, o servidor da prefeitura sentiu-se mal em casa, ontem à noite, foi levado a um hospital da cidade, onde veio a falecer.
Funcionário da Prefeitura Municipal há muitos anos, João Ricardo exerceu as mais diversas funções na Secretaria de Obras, tendo sido inclusive o titular da pasta,  anos atrás.
Trabalhou nas gestões de Bartolomeu Quidute, Silvino Andrade, Luiz Carlos de Oliveira e Izaías Régis.
Em março do ano passado, segundo foi noticiado pelo radialista Pereira Filho e pelo blogueiro Gidi Santos, Ricardo teve um desentendimento na Secretaria de Obras, passou mal e precisou ser levado ao Hospital Monte Sinai. Mas recuperou-se e vinha trabalhando normalmente.
Atualmente estava lotado na Secretaria de Juventude, Esportes e Lazer, que tem como titular o jornalista Carlos Eugênio.
Ainda de acordo com Marcos Moraes, o ex-secretário municipal deixou esposa, quatro filhos (Rafaela, Katarina, Ricardinho e João Manoel) e dois netos.
O corpo de João Ricardo está sendo velado na Funerária Areias, que fica na Rua Joaquim Távora, nas proximidades do Posto Modelo.
Logo mais às 16h, o corpo do ex-secretário de Obras será sepultado no Cemitério de São Miguel.
Além dos familiares, muitos dos que conviveram com João estão abalados e ou inconsoláveis.

MORRE O TALENTOSO COMPOSITOR BELCHIOR

Sete dias depois de Jerry Adriani, e com a mesma idade, 70 anos, morreu neste sábado (29),  à noite,  o cantor e compositor cearense Belchior.

O artista faleceu em Santa Cruz do Sul (RS) e será sepultado em sua terra natal, o município de Sobral, no interior do Ceará.

A causa mortis não foi divulgada pela família. O governador cearense Camilo Santana (PT), divulgou nota lamentando a perda de Belchior e reconhecendo a importância do cantor para o Estado e a música popular brasileira.

Se Jerry Adriani foi um dos principais nomes da Jovem Guarda, nos anos 60, Antônio Carlos Belchior se destacou como um dos melhores compositores brasileiros da década de 70, brilhando na música popular, ao lado de conterrâneos como Fagner e Ednardo.

Dentre suas músicas mais conhecidas, ainda hoje cultuada pelas novas gerações, estão Como Nossos Pais,  Coração Selvagem, Alucinação, Tudo Outra Vez e a Divina Comédia Humana.

O blog já publicou mais de uma matéria sobre o artista, dentre elas o perfil abaixo, reproduzido dos nossos arquivos:

A IMPORTÂNCIA DE BELCHIOR - Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle nasceu na cidade de Sobral, no interior do Ceará. Foi na terra natal, ainda menino, que  se encantou pelas feiras e se tornou poeta e repentista. Estudou música coral e piano com um artista chamado Acaci Halley. Ainda em Sobral, foi programador da rádio da cidade. Quando passou a morar em Fortaleza, conheceu o grupo de cantores e compositores que futuramente seria chamado de “O Pessoal do Ceeará”. Dele faziam parte Fagner, Ednardo, Rodger, Teti, Cirino, dentre outros.

Belchior morou no Nordeste até 1970 e se apresentou em festivais da região de 1965 até começar a nova década, quando decidiu tentar a sorte no Rio de Janeiro. Na chamada “cidade maravilhosa”, hoje assombrando o mundo por conta do crime organizado, chamou a atenção pela primeira vez, no meio artístico, ao vencer o IV Festival Universitário de MPB. Ainda em Fortaleza, o compositor iniciou o Curso de Medicina. Em 71, no RJ, o amor pelas canções se impôs definitivamente.

Elis Regina, a grande cantora brasileira dos anos 60 e 70, acostumada a gravar compositores novos e torná-los conhecidos do grande público, incluiu no seu disco de 1972 a música Mucuripe, uma composição de Belchior e Fagner muito significativa na vida dos dois cearenses. Em 1974 esta canção seria gravada também por Roberto Carlos, que até então reinava absoluto no mundo da música popular do Brasil.

Com a gravação do primeiro compacto simples, que tinha uma das faixas Na Hora do Almoço, Belchior ainda não chegou às paradas de sucesso. Nem seu primeiro LP, Mote e Glosa, lançado pela Continental, em 1974, teve grande repercussão. Mas Alucinação, o vinil de 1976, pôs o artistas nas paradas de Norte a Sul e ele virou cult, principalmente entre o público jovem e universitário.

O disco trazia 10 faixas, todas elas assinadas por Belchior e a maioria delas foi sucesso no país, executadas exaustivamente nas AMs e nas FMs, estas últimas começando a se espalhar nas capitais.  Apenas Um Rapaz Latino-Americano,  Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, Sujeito de Sorte, Como o Diabo Gosta, Alucinação, Não leve Flores, A Palo Seco, Fotografia 3 x 4 e Antes do Fim, fazem deste vinil um dos melhores álbuns brasileiros dos anos 70, inclusive com um belíssimo trabalho de capa, que foi escolhida entre as mais criativas da década.

Pouco tempo depois Elis Regina voltaria a gravar Belchior, com grandes interpretações de Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais. Esta última, incluída no disco de 76 da cantora, se transformou numa espécie de Hino da Juventude da época e quem não conhecia o compositor cearense passou a conhecê-lo e admirá-lo.

No ano seguinte o cearense lançou Coração Selvagem, outro bom disco, incluindo hits como Paralelas, Todo Sujo de Baton e Galos Noites e Quintais, músicas que estão entre as mais representativas de sua carreira. A faixa título tem uma letra muito bonita, na linha dos grandes sucessos do álbum Alucinação. Paralelas e Todo Sujo de Baton receberam regravações de outros artistas brasileiros, inclusive uma boa versão da cantora Vanusa, já então meio desaparecida do cenário musical do país. "Galos Noites e Quintais", seria regravada por Jair Rodrigues, numa arrojada interpretação do cantor de "Disparada". 

Outro grande êxito da carreira do cearense é a música Comentário a Respeito de John, que em alguns sites é apontada como uma homenagem a Lennon. A letra, contudo, em certos trechos, parece direcionada ao ditador brasileiro João Batista Figueiredo, último dos presidentes da República do regime militar pós 64.

“Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho, deixe que eu decida a minha vida...”, canta Belchior nesta bela música.

Pessoalmente, tive a satisfação de ter assistido shows em teatro ou nos Festivais de Inverno de Garanhuns de grandes nomes da MPB, como Fagner, Ednardo, Gonzaguinha, Elis Regina, Simone, Cássia Eller, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Betânia, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Adriana Calcanhoto, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Aleceu Valença,  Zizi Possi e João Bosco, dentre muitos outros. O Belchior, no entanto, foi o único desse grande time que nunca tinha visto no palco.

Tive opotunidade de acompanhar um show que ele fez em Garanhuns, em 2004 ou 2005, num desses festivais de músicas promovidos pelo então deputado estadual Izaías Régis. Tinha um bom público para assisti-lo e o artista, nesse tempo já fora da mídia e desconhecido por grande parte das novas gerações, parecia gratificado. Fez uma bela apresentação que encantou os presentes, as pessoas que gostam da boa música brasileira. A sua voz, que sempre me pareceu um problema, nos discos, no palco é muito melhor e fiquei muito feliz de estar vendo o cantor e compositor cearense ali, já "coroa", “mandando brasa”, provando que talento não desaparece. 

Em 2009, o programa Fantástico da Rede Globo, fez uma reportagem sensacionalista sobre o desaparecimento do cantor Belchior. Estaria sumido há dois anos, sem contato nem mesmo com os parentes. Depois, a equipe da emissora foi descobri-lo na cidadezinha de São Gregório de Polanco, no interior do Uruguai. Tudo parece mesmo ter tido um pouco de encenação da TV, pois o artista estava hospedado com a mulher, vivia uma vida normal tendo um bom relacionamento com os moradores do lugar e apenas, tudo indica, estava querendo dar um tempo, descansar, encontrar um pouco de paz.

No início deste ano, no Brasil, o artista gravou um depoimento para o filme “O Homem que Engarrafava Nuvens”, de Lírio Ferreira. O longa é um documentário em homenagem ao compositor Humberto Teixeira, nascido em Iguatu, no Ceará, autor de Asa Branca junto com Luiz Gonzaga.

Belchior estava bem vivo e lúcido.  De todo modo seu nome já está cravado na história da música popular brasileira com músicas e versos como os de Tudo Outra Vez, uma de suas mais belas canções:

"Há tempo, muito tempo
Que eu estou
Longe de casa
E nessas ilhas
Cheias de distância
O meu blusão de couro
Se estragou
Oh! Oh! Oh!...

Ouvi dizer num papo
Da rapaziada
Que aquele amigo
Que embarcou comigo
Cheio de esperança e fé
Já se mandou
Oh! Oh! Oh!...

Sentado à beira do caminho
Prá pedir carona
Tenho falado
À mulher companheira
Quem sabe lá no trópico
A vida esteja a mil...

E um cara
Que transava à noite
No "Danúbio azul"
Me disse que faz sol
Na América do Sul
E nossas irmãs nos esperam
No coração do Brasil...

Minha rede branca
Meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde
Que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo "saudade"
Como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar...

Gente de minha rua
Como eu andei distante
Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar...

Até parece que foi ontem
Minha mocidade
Com diploma de sofrer
De outra Universidade
Minha fala nordestina
Quero esquecer o francês...

E vou viver as coisas novas
Que também são boas
O amor, humor das praças
Cheias de pessoas
Agora eu quero tudo

DATAFOLHA CONFIRMA LIDERANÇA DE LULA EM 2018

Para quem não acreditou na pesquisa do Vox Populi que mostrou o ex-presidente Lula como favorito a vencer a próxima disputa presidencial, pode agora se convencer que esta é mesmo a realidade da política brasileira atual. O Datafolha, o instituto de maior credibilidade do país, juntamente com o Ibope, divulga hoje novos números da provável disputa de 2018 e confirma a liderança do petista, com um percentual em torno de 30% em qualquer cenário, enquanto Jair Bolsonaro (PP) e Marina Silva (Rede) embolam na segunda posição, com percentuais entre 11 e 16%, dependendo dos concorrentes.

Caso Lula não saia candidato Marina fica com a primeira colocação, cravando 25% da preferência popular. Ciro Gomes (PDT) também cresce caso o líder petista não participe da disputa, chegando a 11% das intenções de voto.

Os tucanos estão em baixa, incluindo Aécio Neves, Geraldo Alckmin e João Dória, este o menos rejeitado dos três representantes do PSDB. Mas de todo jeito os índices são baixos, na casa dos 10%.

O Datafolha incluiu o nome do juiz Sérgio Moro (não tem filiação partidária) na pesquisa e ele apareceu bem no primeiro turno (tecnicamente em segundo), ameaçando Lula caso chegassem os dois a um segundo turno.


Outra novidade foi o nome do apresentador Luciano Huck, que andou admitindo a possibilidade de disputar a eleição presidencial. Nesta pesquisa do Datafolha ele somou 3% das intenções de voto.

DOUGLAS FAZ UM BALANÇO DO TRABALHO EM ANGELIM

Douglas está sempre presente em Angelim
Em entrevista ao Blog do Sr. Cariri, recentemente, o prefeito Douglas Duarte fez uma aviação positiva até o momento, enumerando algumas conquistas do povo de Angelim, desde sua posse, em abril, até a véspera deste primeiro de maio.
O prefeito de Angelim destacou como exemplo da mudança que está acontecendo  no município o atendimento na área social, salientando que serviços que eram antes realizados em outras cidades passaram a ser feitos na própria cidade.

“Exames de ultrassonografia, abastecimento d’água em carro-pipa para os moradores da zona rural sem cobrar nada, manutenção e abertura de poços, nos próximos dias será adquirido um veículo destinado ao transporte fora do domicílio, (TFD), aração de terra atendendo mais de 400 famílias, exame de glaucoma, parturientes dando à luz no próprio município, coisas que antes não era possível na nossa realidade”, exemplificou Douglas.

Na visão do socialista o gestor deve privilegiar o investimento na população do município.

“A gente tem que investir em gente é isso que nosso governo veio fazer. Fazer a diferença. Não adianta tá com blá, blá, tá,  com conversa, tá com maquiagem como acontecia antes. Hoje temos um dado muito interessante: quando recebemos o município, 48% das casas de Angelim estavam infestadas com o mosquito do aedes aegypti e hoje a gente reduziu isso para 13%. É algo talvez sem muita visibilidade,  mas é um dado importante.  e também atualmente fazemos toda triagem dos pacientes com  hanseníase, com soro positivo”, revelou ao blog de Cariri.

Douglas Duarte ressalta a importância de dar atenção as pessoas, porque entende que assim o  governo se faz presente e leva a mudança para a vida cotidiana. “O nosso governo é justamente isso,  desde a cultura até a saúde e queremos muito mais, como uma educação bem melhor”, frisa, lembrando que a gestão já investiu em merenda escolar,  iniciando o ano com nutricionista; na aquisição de 300 cadeiras/carteiras escolares, compra de kits, convênio com o IFPE implantando sete novos cursos e  no abastecimento d’água do distrito de Quatro Bocas.

Graças ao trabalho realizado, a água está chegando ainda as comunidades do Poço do Boi e São José e para o povo da Ruêta. “Nós  sabemos da crise hídrica e em nenhum momento Douglas se escondeu em ver essa situação”, pontuou. 

O prefeito assegura que não tem hora para trabalhar, porque se elegeu com o propósito de servir, por isso tem procurado honrar os compromissos de campanha. A seu ver quem faz oposição vazia ou simples politicagem está equivocado, pois não é momento certo. “Aprendam a ver o que de fato está acontecendo na nossa cidade, olhem o exemplo simples que repasso: na Rua Miguel Calado tem uma tubulação muito antiga da Compesa e sempre estourava e fui atrás da Companhia - temos que fazer essa obra - fui na raiz do problema, são obras simples que vão fazer a diferença. O problema foi resolvido. Estamos trabalhando realizando obras de saneamento no bairro da Nova Aliança na beira da pista, perto do lava jato, limpeza de um poço na cidade, e o trabalho não para por aí não temos o desafio repito no bairro Nova Aliança com o advento do saneamento básico, calçamento, estou correndo atrás e não esqueci da comunidade do Beira Rio”, enumerou.

Douglas considera que as obras que são necessárias, argumenta que não adianta deixar de enxergar o problema e procurar melhorar a estrutura das escolas, como o caso da Miguel Calado que teve na atual gestão um aumento expressivo de alunos matriculados passando hoje dos 1800 estudantes.


Para o gestor, é preciso um atendimento de boa qualidade e a prefeitura necessita construir mais salas de aula e a biblioteca da escola. Mas são apenas quatro meses de administração e não dá para fazer um governo de quatro anos em 120 dias. “Analisem bem,  estou tampando os buracos existentes em toda cidade bem como no trevo da entrada de quem vem de Canhotinho e posso dizer à população angelinense que tenha fé, tenha paciência, pois eu estou com muito boa vontade de trabalhar e vou realizar tudo que a gente discutiu em campanha. 

sábado, 29 de abril de 2017

QUEM FAZ GREVE É VAGABUNDO?


Sabe aquela greve que a grande mídia diz que não aconteceu ou que foi um fracasso, e que inclusive ficou como um dos assuntos mais comentados no trending topics do Twitter, através de um bocado de robozinhos e assalariados da direita, sabe? Ela aconteceu, e como diria “Dona Irene”, garota propaganda de uma rede de lojas de eletros, “a greve foi pra torar!”

Um dia após a greve que parou o Brasil, continua a guerra de informações e de ofensas. O prefeito de São Paulo, João Dória, por exemplo, depois de dizer que quem fazia greve era vagabundo, foi de helicóptero trabalhar. O interessante é que Dória disse tempos atrás que o direito a greve era sagrado, isso quando quando Dilma dirigia o país. Tolinho ele, não?

Em cima do “mote vagabundo” de Dória, que também poderia ser o mote de FHC, que também chamou os aposentados de vagabundos, circula nas redes sociais um texto bem interessante, com centenas de compartilhamentos no Facebook, WhatsApp e outras redes. 

O referido,  de Fernando Penello Temporão, você confere aqui:

Quando um sujeito de classe média diz que greve é coisa de vagabundo, ou coisa de comunista eu fico com vontade de sentar com ele numa pracinha, comprar um algodão doce, respirar fundo e falar:

"Sabe fulaninho esperto, há 100 anos atrás não existia classe média. Não existia você. Não existia autonomia. Não existia profissional liberal. Nem existia assalariado. Há 100 anos atrás, fulaninho, existia uma pequena elite difusa que se transformou em burguesia, herdeira secular de terras, privilégios, favores e negócios que remetem aos regimes monárquicos, seja no Brasil ou na Europa. Essa elite era dona de tudo: das terras, das fábricas, dos meios de produção. E tudo o que o povão tinha era fome, sede, frio, calor e força de trabalho pra vender por QUALQUER merreca que essa elite quisesse pagar.

Sabe fulaninho, esse povão trabalhador, durante décadas, foi explorado, torturado, privado de tudo, em nome do lucro de poucos. E durante décadas esse povão precisou se unir, e lutou, combateu, apanhou, foi preso... Até ser ouvido para, pouco a pouco (bem lentamente mesmo), à duras penas, conquistar direitos trabalhistas que hoje regulam o que você faz.

E foi esse povo que, consolidados os seus direitos, passou a ser um negócio chamado: classe média. Esse povo, com muito suor e sangue, inventou uma classe social potente e enorme que, no caso, Fulaninho, é a SUA classe social. Você é o resultado prático da luta, das greves, das manifestações, e de toda organização política feitas por gente que, por sua força de MASSA, de CONJUNTO, conseguiu mudar o paradigma do século 20.

Seja você um autônomo, dono de uma pequena ou média empresa, seja você um profissional liberal, um prestador de serviços...seja você o que for, você foi inventado por GREVISTAS e só existe porque GREVISTAS permitiram que você pudesse existir e ser livre.

Sem os grevistas, fulaninho espertalhão, hoje você estaria dormindo 3 horas por dia e almoçando água com pedra. Sempre na nobre companhia de um senhorio com uma CHIBATA na mão para que você nunca se esqueça quem manda.

O tempo passou, o mundo mudou, mas nem tanto. Eles continuam tendo o poder e sendo poucos. E os trabalhadores continuam sendo a maioria e fazendo da sua UNIÃO a única arma para garantir sua sobrevivência e seus direitos.


Acorda, fulaninho! O único vagabundo aqui é aquele que teve preguiça e a incapacidade de ler os livros de história."

*Foto das manifestações da sexta, dia 28.

*Inicialmente tínhamos dado o crédito do texto a Marcos Vinícius, mas, verificando que o  autor era outra pessoa, corrigimos a postagem.

GONZAGA PATRIOTA PODE SOFRER RETALIAÇÃO

O Governo Federal listou 25 deputados federais considerados infiéis, porque votaram contra a reforma trabalhista.

Esses parlamentares devem sofrer represálias do presidente Temer, nos próximos dias, incluindo a demissão de servidores comissionados que tenham sido indicados por eles.

O deputado federal Gonzaga Patriota, do PSB de Pernambuco, está na relação dos que não estariam sendo leais ao governo e poderá ser alvo de algum tipo de retaliação.

Gonzaga é ligado à vereadora garanhuense Betânia da Ação Social e tem assegurado recursos para o município através das emendas parlamentares.

Na última vez que esteve na cidade, quando participou de um almoço com Betânia e correligionários da parlamentar, Gonzaga deixou claro que votará contra a reforma da previdência.


Se o socialista sofrer perseguição certamente terá a solidariedade dos eleitores, porque está ficando contra o governo para se alinhar aos interesses do povo.

PRESIDENTE DO TRT CRÍTICA REFORMA TRABALHISTA

Manifestação de integrantes do Judiciário em João Pessoa

Como em todas as capitais do Brasil,  milhares de pessoas foram às ruas de João Pessoa, na sexta, dia 28, para dizer não às reformas do Governo Temer.

Entre os manifestantes paraibanos, além de sindicalistas, políticos progressistas, professores e dirigentes partidários, estavam advogados e servidores da justiça, incluindo juízes e desembargadores.

O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba, Eduardo Sérgio, também se fez presente e diante dos colegas, do público e da imprensa criticou as mudanças nas leis do trabalho e na previdência social.

Ele lembrou que as leis trabalhistas foram conquistadas desde Getúlio Vargas e agora correm o risco de acabar, por conta das atitudes de um governo,considerado ilegítimo.

“As leis trabalhistas são a razão de ser da Justiça do Trabalho e agora querem surrupiar tudo na calada da noite”, disse o desembargador e presidente do TRT.

Na sua visão a própria Justiça do Trabalho pode acabar ou perder sua razão de existir, caso a agenda do governo seja posta em prática, apesar da insatisfação popular.

Eduardo Sérgio de Almeida é natural de Capoeiras, estudou nos colégios Quinze e Diocesano de Garanhuns, tendo se formado em direito, na UFPE. Antes de passar no concurso de juiz na Paraíba foi procurador da Prefeitura do Recife e advogou durante alguns anos para o Estado de Pernambuco, atuando no Hospital da Restauração.

A posição do presidente do TRT da Paraíba sobre as reformas repercutiu em toda imprensa regional e também sites nacionais.

A GLOBO FAZ MAU JORNALISMO E CULPA A GREVE GERAL


Por Paulo Moreira Leite*

Passei a tarde de 28 de abril ouvindo – na TV – depoimentos de cidadãos comuns a repórteres da Globo que ficaram sem transporte em função da greve geral. O tom da cobertura era previsível: pobres cidadãos indefesos que tiveram seu dia arruinado pela paralização de trabalhadores, a maior de nossa história.

Parece que a culpa pelos transtornos enfrentados pelas pessoas nas rodoviárias e nas estações de trem e do metrô deve ser atribuída ao movimento sindical. Bobagem.

Com um mês de antecedência, as centrais sindicais informaram ao país inteiro que os trabalhadores iriam cruzar os braços no 28 de março. Incluía-se aí, evidentemente, a paralização dos transportes, ação tradicional em toda paralisação desse porte – na Grécia, na França, ou no Brasil.

 Como se não fosse suficiente, nos cinco dias que antecederam a greve geral, uma centena de bispos da Igreja católica publicaram vídeos, na internet, convocando a população a cruzar os braços no dia 28.

 O próprio governo federal preparou-se, reforçando o aparato policial. O mesmo fizeram as PMs, na maioria dos estados. Anunciaram esquemas de policiamento, avenidas e regiões liberadas e assim por diante.

O que fez a Globo? Embora bastasse ler os jornais e dar um simples telefonema as partes envolvidas para qualquer estagiário de jornalismo inteirar-se do que acontecia, preferiu fingir que a greve não existia. Retirou o assunto de sua pauta, quando, em nome do interesse público, poderia ter antecipado a situação e alertado  os espectadores. Num clássico exercício  jornalismo de serviço, poderia sugerir providências para enfrentar aquela emergência. Não precisava apoiar nem divulgar a paralização. Tinha mesmo o direito de fazer críticas – ainda que estas seriam mais aceitáveis se o Brasil não tivesse uma mídia dominada pelo pensamento único.

Em qualquer caso, bastava não esconder de seu  público que – era previsível – o protesto teria grande adesão e era prudente tomar as providências cabíveis. Algo que qualquer emissora de Tv, em qualquer país do mundo, aprendeu a fazer décadas atrás. Pauta banal do tele-jornalismo norte-americano quando um desastre metereológico se anuncia.  

Mas não foi o que ocorreu. Possivelmente embriagada com um poder de manipulação social que possuía em tempos que felizmente não existem mais, imaginou que seria possível impedir um fato – a greve – pelo boicote da notícia.

O vexame -- cuja origem profunda se encontra no desprezo histórico pela capacidade de luta dos trabalhadores – se comprovou ao longo do dia. 

Desprevenidos como cidadãos que não são alertados para sair de casa com capa e guarda-chuva em dia de tempestade, milhares de pessoas chegaram desavisadas às estações de trem e metrô. Encontraram microfones e câmaras sempre abertas  para ouvir seus depoimentos, sendo colocados na posição de vítimas de grevistas. Com isso, cumpriam a função política de desgastar as lideranças dos trabalhadores, evitando reconhecer que elas indiscutivelmente expressam um ponto de vista partilhado por uma maioria imensa dos brasileiros. 

Ainda que uma greve geral como a de ontem seja um evento particularmente grave na conjuntura de um governo enfraquecido como Temer, é preciso reconhecer que paralizações desse porte são eventos corriqueiros sob regimes democráticos. Ao demonstrar que não aprendeu a conviver com elas, a Globo confirma que pouco aprendeu com a história do país e com seus próprios erros.

Há 37 anos, a emissora boicotava a campanha pelas diretas-já, a maior mobilização popular da historia republicana.  Chegou dizer que um comício contra a ditadura, na Praça da Sé, havia sido uma festa pelo aniversário de São Paulo. Agora, culpa a luta de trabalhadores, apoiada por várias forças legítimas da sociedade, inclusive bispos da Igreja católica, pelos efeitos previsíveis de uma opção politicamente errada de seu jornalismo. Se tivesse mesmo preocupada com eventuais dores de cabeça que uma greve geral poderia causar aos brasileiros, o mínimo que poderia ter feito era orientá-los a se preparar para ela em vez de fazer o possível para esconder uma gigantesca mobilização em curso.  


*O jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do site Brasil 247 em Brasília


**Fotos do Site Viomundo mostram São Paulo num dia normal e nesta sexta (28), com a greve geral. Em Recife, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre e dezenas de cidades não foi diferente.

O PEQUENO GOVERNADOR


Por Michel Zaidan Filho*

O atual mandatário de Pernambuco protagonizou uma cena digna do tamanho de sua ilustre pessoa. Reuniu-se    secretamente com o temeroso, em Brasília, para acerta o seu apoio à aprovação das medidas  anti-populares contra os trabalhadores, aposentados e prestadores de serviço. Gravou um vídeo, apoiando as  medidas para ser usado como propaganda pelo Palácio do Planalto. Em troca receberia empréstimos para sua gestão. 

Ocorre que o Partido do qual o governador é o vice-presidente nacional (PSB) fechou questão contrária à aprovação dessas medi das e caminha rapidamente para sair da base do governo federal. Criou-se " uma saia justa"   entre a declaração de apoio do mandatário pernambucano e a direção nacional do Partido. Resultado: o pequeno governador foi obrigado a se desdizer publicamente, através de uma declaração ambígua e inconsistente, afirmando que não podia ficar contra o Partido, mas que uma reforma trabalhista era indispensável para o desenvolvimento do País. 

De Pernambuco, só o filho do senador Fernando Bezerra Coelho, que tem um cargo de ministro  na governo federal, desobedeceu o Partido, e votou a favor das medidas anti-populares. Os demais membros da bancada pernambucana  (Mendonça Filho, Bruno Araujo, Eduardo da Fonte, o raivoso ex-governador e outros) deram seu apoio ao esbulho e deverão arcar o com ônus político-eleitoral, nas próximas eleições proporcionais

Essa vergonhosa "dança de rato" do primeiro mandatário pernambucano é mais um episódio que se somam a um conjunto desastroso de medidas equívocas, contraditórias, autoritárias tomadas por ele contra o povo pernambucano. Se é de iniciativa dele ou de seus conselheiros, o fato é que esses atos só confirmam a tese da incapacidade administrativa (e política) desse bisonho governador, transformado em gestor público pelas mãos maquiavélicas do falecido,cuja alma deve estar se escondendo das delações dos executivos da empresa Odebrecht. 


Não se sabe como será conduzida a sucessão dessa triste figura, no contexto de uma disputa quase familiar e oligárquica uterítica, que em marcando  o cenário político do estado. O antigo chefe, pelo menos, tinha jogo de cintura e agregava o conjunto do partido. Esse  nem possui capacidade negocial, não tem carisma e é um desastre administrativo. A população pernambucana precisa estar bem atenta ao desfecho desse processo, para que a "eminência parda"  desse governo não termine por impor um nome, tirado do mangua, que garanta a unidade do grupo político e que assegure a continuidade e a sobrevida dessa oligarquia.


*Michel Zaidan Filho é garanhuense. Atua como escritor, cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco na área de humanas, no Recife.

**Foto: acervo do Castanha.