Afinal de contas o episódio ocorreu o ano passado. Então só por que às portas da eleição a gravação está sendo divulgada?
Pode ter acontecido de uma pessoa ter enviado o vídeo recentemente. Às vezes esses fatos surgem quando as campanhas esquentam.
Mas também é possível que a campanha adversária de Raquel tivesse conhecimento do deslize há dias, mas resolveu utilizar o material no "tempo certo", de modo que possa fazer efeito até o dia 4 de outubro, sem dar tempo de reação à oponente.
É ético agir assim? Deixar para soltar a bomba no momento ideal?
Não vejo nada demais. Afinal de contas o erro não foi do candidato do PSB e sim da representante do PSD.
Se os governistas tivessem uma bomba de igual teor contra o ex-prefeito do Recife fariam a mesma coisa e não estariam errados.
Fatos novos muitas vezes mudam a história de uma eleição.
Citamos num texto publicado mais cedo o caso envolvendo Roberto Magalhães, que perdeu a disputa pela prefeitura do Recife, no ano 2000, depois de ser flagrado dando uma "banana" para populares, na praia de Boa Viagem.
Mas temos outros episódios na história política de Pernambuco que merecem ser citados.
Em 1985, também numa disputa pela prefeitura do Recife, Sérgio Murilo liderava as pesquisas com folga, até que perto da eleição foi revelado que o deputado do PMDB tinha cometido um homicídio, no passado.
Jarbas terminou se elegendo prefeito.
Na eleição de 2014, pelo governo do estado, Paulo Câmara caminhava para uma derrota acachapante, tendo como adversário Armando Monteiro.
Aí aconteceu o acidente que matou Eduardo Campos e a comoção dos pernambucanos deu a vitória ao PSB.
Fato que se repetiu, de outro modo, quatro anos atrás.
Marília Arraes foi líder das pesquisas até o dia da eleição. Raquel Lyra corria o risco de ficar em terceiro lugar.
No domingo cedo, antes do povo começar a votar, foi divulgada a notícia da morte do marido de Raquel, Fernando Lucena.
Marília ainda ficou à frente, no primeiro turno, com uma pequena vantagem, mas no segundo turno a comoção levou a ex-prefeita de Caruaru a uma vitória esmagadora.
Não dá ainda para saber o impacto do erro cometido pela governadora em Garanhuns.
As próximas duas semanas é que vão dizer se o fato novo foi suficiente para mudar a vontade do eleitor.
Uma pesquisa do Simplex, divulgada hoje, ainda não traz alterações.
Vamos ficar de olho no que diz o Datafolha e o Quaest.
O que temos de concreto é que o episódio colocou a governista na defensiva e o oposicionista no ataque.
Raquel tem de administrar a vantagem conquistada nos últimos meses e evitar a sangria de votos.
João Campos e equipe de marketing estão jogando dentro das regras que valem na política. Ele não tem a menor responsabilidade com a frase infeliz da adversária e vai aproveitar o quanto pode o erro cometido.
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