Logo se tornou minha professora preferida. Não somente desse aspirante a jornalista, mas de toda a turma.
Era uma mulher bonita, de voz agradável, que falava de literatura com amor e paixão.
Nós, a maioria com 17, 18 ou 19 anos, tínhamos a impressão (ou certeza) de que ela já tinha lido tudo.
Falava com desenvoltura de Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Fernando Pessoa ou Herman Hesse.
Um jovem matuto como eu, de Capoeiras, que já gostava de romances, tomou ainda mais gosto pela literatura.
Fui para o Recife e na capital morei mais de 15 anos.
Quando voltei a Garanhuns, reencontrei Luzinette Laporte aposentada, morando numa casa antiga, simples, na Rua Quinze de Novembro.
Estive lá algumas vezes e tivemos boas conversas. Era uma mulher fina, educada, uma cristã autêntica, não desses tipos de hoje, que usam o nome de Deus e espumam ódio.
A professora lia todos os números do jornal Correio Sete Colinas e sempre era generosa na avaliação dos meus textos.
Gostou também de dois livros que publiquei no início dos anos 2000: "Um Repórter na Cidade das Flores" e "Na Terra do Presidente".
Prestigiou, inclusive os lançamentos, no Sesc, quando Graça Carneiro era a diretora da unidade.
Luzinette Laporte lecionou no Diocesano, no Santa Sofria, creio que também no CMA e numa escola da rede pública.
Foi Secretária de Educação do prefeito Luís Souto Dourado e diretora da GRE, que na época era chamada de Dere.
Publicou quase uma dezena de livros, dentre eles Um amor de Mulher, A Menina que Falava com as Coisas, Os Caminhos de Isabela e O Homem com Girassóis no Olhar.
Natural de Catende, na Zona da Mata, tinha Garanhuns na alma e no coração.
Estive no Mosteiro de São Bento, na missa que celebrou os 90 anos da professora. Um ano depois ela nos deixou.
Não tinha posses, nunca carregou muitas bagagens. Amava os livros, Deus e pessoas.
Daí que foi a pessoa mais rica que conheci.
Acho que já registrei aqui, isso que vou repetir: Dona Luzinete Laporte era Cliente assídua dos CORREIOS Garanhuns. Época em que usavam as Caixas Postais e escreviam CARTAS, adoráveis CARTAS. Eram tantos AMIGOxS CLIENTES, Saudades dos CORREIOS, colegas.
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