No Brasil, o primeiro de abril mais longo da história foi o de 1964.
Começou no dia 31 de março, com as movimentações que levaram ao golpe militar e só terminou no dia 11 de abril, com a eleição indireta de Castelo Branco para governar o Brasil.
Os vencedores escolheram a data de 31 de março como a da "revolução redentora", pois pegaria muito mal dizer que o movimento para depor o presidente João Goulart teve êxito no dia 1º de abril.
Elio Gaspari, jornalista que escreveu quatro livros sobre a ditadura que infelicitou o Brasil, de 64 a 84, revela em um dos volumes, em detalhes, como se deu o golpe, e como os generais brigaram entre si pelo poder.
Com a vitória assegurada, a partir do dia primeiro, Costa e Silva se arvorou para ocupar a cadeira de presidente.
Foi derrotado por Castelo Branco que assumiu o poder no dia 11, tendo começado a governar no dia 15.
Costa e Silva conseguiu seu objetivo quatro anos depois.
A ditadura desde os primeiros dias mostrou a que veio.
Políticos, funcionários públicos, sindicalistas, jornalistas e professores foram punidos.
Muitos perderam o emprego, mandatos foram cassados, o judiciário e o legislativo tiveram de se submeter ao executivo.
Comunistas, democratas e liberais foram forçados a deixar o Brasil.
Alguns dos que ficaram aqui foram torturados e mortos.
A ditadura dos militares foi ainda pior do que a de Getúlio Vargas e até hoje persistem os efeitos do regime perverso que deu as cartas no país durante duas décadas.

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