Mas ele também produziu músicas boas, com letras inteligentes que "revolucionaram" a MPB, embora ele tenha se negado a fazer parte da "linha evolutiva" da música popular brasileira.
O primeiro grande sucesso comercial de Raul foi "Ouro de Tolo", com uma melodia completamente diferente ao que então se fazia e uma letra bem elaborada, retratando insatisfações com as supostas conquistas da classe média.
Caetano Veloso, um dos melhores compositores nacionais, uma vez deu uma declaração confessando adorar "Ouro de Tolo".
Com o êxito da primeira música a tocar sem parar nas rádios, na época, Raulzito lançou em 1973 e 1974 dois ótimos álbuns que incluíram canções que ficaram pra sempre.
"Metamorfose Ambulante" é uma das melhores faixas do disco de 1973, que tem ainda "Cachorro Urubu", outra boa sacada do Raulzito.
O álbum de 74 tem Gitã, Trem das Sete e Medo da Chuva.
A primeira, feita em parceria com Paulo Coelho, é baseada no livro sagrado hindu Bhagavad Gita (O Canto do Senhor).
Em 75 Raul Seixas gravou o disco Novo Aeon, que mantém a qualidade dos anos anteriores, mas foi um fracasso de vendas em relação a Gitã.
"Tente Outra Vez" é a faixa mais emblemática e a música atravessou gerações, recebendo uma interpretação fantástica de Elza Soares, muitos anos depois.
Anos depois, já sem a parceria com Paulo Coelho, Raul compôs, em parceria Cláudio Roberto, "Maluco Beleza".
Tal foi o êxito dessa gravação que o artista passou a ser chamado, até o fim da vida, pelo nome da música.
Em "Medo da Chuva" o Raulzito critica a instituição do casamento, mas foi além na música "A Maçã", gravada também por Simone, uma canção em defesa do amor livre.
Rebeldia também é a tônica de "Como Vovó Já Dizia", de 74, uma canção irônica, bem humorada, que critica o trabalho mecânico, a hipocrisia da sociedade e faz questionamentos ao sistema.
Raul e Paulo Coelho tiveram de alterar um verso, forçados pela censura.
"Água Viva", do álbum de 1974 é menos conhecida, mas é uma das mais lindas canções do baiano.
A música foi inspirada num poema de São João da Cruz, um místico da igreja católica que viveu no século XVI.
No álbum o poema não é citado, mas durante um show Raul confessou que tinha se inspirado nos versos do santo.
Interessante ainda é a música "Tu És o MDC da Minha Vida", na qual Paulo Coelho e Raul Seixas usam uma expressão matemática como declaração de amor.
A canção é ironia do começo ao fim, tirando um "sarro" com o bregas da época.
Mas na frente o cantor e compositor ainda emplacou Nasci Há 10 mil Anos Atrás (assim mesmo, com esse pleonasmo), Carimbador Maluco, Coração Noturno e Segredo da Luz, as duas últimas belíssimas.
Pelo que acompanhamos da trajetória do artista, o álcool e outras drogas levaram-no à decadência e quando morreu, em 1989, com apenas 44 anos, não era mais o Raulzito produtivo da década de 70 e começo dos anos 80.
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