O ROCIR SANTIAGO QUE EU CONHECI - Roberto Almeida

Conheci Rocir Santiago no início da década de 90.

Era um grande comunicador, embora não tivesse a voz possante de locutores que fizeram e fazem história em Garanhuns, como Tony Duran, Dalton Monteiro,  Solon Gomes e Rossine Moura.

Rocir conquistava o público graças à criatividade, às tiradas gostosas, ao bom humor, e pelo gosto musical apurado,  valorizando os artistas nordestinos.

É difícil ouvir "Tareco e Mariola" ou "De Mala e Cuia", na voz de Flávio José,  para não lembrar desse ícone do rádio garanhuense.

Brilhou na antiga Difusora, na antiga Meridional, na Marano e na Sete Colinas.

Era o Mução de Garanhuns, só que com mais civilidade e talento, embora não se tenha projetado tanto quanto o personagem paulista de jeito nordestino.

Rocir Santiago trabalhou ainda em rádios de Caruaru e Maceió.

O conheci melhor na campanha política de Garanhuns de 1996.

Fui responsável pelo Guia Eleitoral de rádio de Ivo Amaral e Rocir foi um dos colaboradores.

Conversei com ele sobre um quadro de humor para tirar sarro dos adversários e ele criou o "Peta e Carrapeta", que era bem engraçado.

Não sei se teve efeitos negativos ou positivos. Foi uma campanha local com ingredientes estaduais e nacionais que influenciaram no resultado final, favorável a Silvino Duarte.

Mas Rocir deu de si o melhor.

Passada a eleição, mesmo perdendo, Ivo agradeceu a mim e a equipe pelo trabalho, reconhecendo o que tinha sido feito.

Rocir Santiago nos deixou em março de 2022, aos 72 anos.

Natural de Barreiros, viveu a maior parte da vida em Garanhuns.

Acho que esta cidade lhe deve uma homenagem. Por tudo que fez por esta terra como radialista e jornalista competente e íntegro.

Não somente os familiares, mas também os amigos e amigas, os admiradores do trabalho desse profissional de mão cheia vão ficar satisfeitos.

Aqui faço a minha parte, lembrando com carinho do amigo e colega de profissão.

O meu fraterno abraço a você Rocir, onde quer que esteja. 

*Foto: Blog V & C Garanhuns.

Um comentário:

  1. Gratidão pelo Resgate Histórico
    Caro Roberto Almeida,
    Fiquei profundamente emocionado ao ler sua matéria hoje sobre o nosso querido Rocir. Como alguém que viveu os bastidores dessa história, não poderia deixar de passar aqui para agradecer pelo registro tão necessário.
    Rocir e eu fomos parceiros de microfone por muito tempo. Enquanto eu comandava o Orelhão da Sete, tive o privilégio de "enfeitar" o icônico Balcão de Bodega com as minhas vinhetas, preparando o terreno para a explosão de criatividade que ele trazia.
    Ver você mencionar o talento dele hoje me trouxe de volta a memória do Zé Rolinha e de tantos outros personagens que ele criava com uma facilidade mestre. Rocir não era apenas um colega de profissão; era uma alma criativa que deu identidade ao nosso rádio.
    Embora ele tenha nos deixado já faz algum tempo, a sua matéria prova que quem fez história de verdade nunca morre no coração do povo. Obrigado, Roberto, por manter viva a chama desses baluartes da nossa comunicação. O rádio e o Rocir mereciam essa homenagem.

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