Ele, alegre, espontâneo, abrindo um espumante popular e comemorando ao mesmo tempo a chegada de 2026 e o fato de Bolsonaro estar preso.
Um sujeito, nem recordo do nome, não deve ter gostado do conteúdo e comentou; criticou o conterrâneo da pior maneira possível.
Se preocupou com duas coisas: a marca da bebida, consumida, claro, pelas classes menos abastadas, e a porta da casa do rapaz, numa cor verde meio desbotada.
Uma opinião típica do pobre de direita.
Tenho absoluta certeza que o incomodado não come caviar nem bebe champanhe francês que custa até 800 reais uma garrafa.
É o tipo do sujeito burro que chama Lula de ladrão, ignorando que nunca conseguiram provar nenhum ilícito do político, e ele, com o nome limpo, se elegeu presidente pela terceira vez,
Se facilitar consegue um quarto mandato, embora esteja bem velhinho.
O pobre de direita fala na Lei Rouanet sem saber o que significa, quem a criou e como funciona.
Deixou de usar Havaianas por conta de um comercial de televisão estrelado pela Fernanda Torres, por imaginar que atriz na propaganda se posicionou à esquerda.
Pobre de direita reza pra pneu, acredita que Bolsonaro e os filhos são honestos e nunca leu um livro na vida, nem do Paulo Coelho.
Acha a Globo um lixo, não porque a emissora tenha apoiado golpes de estado no Brasil, mas porque a estação de TV aproveita a liberdade do regime democrático para em alguns momentos fazer jornalismo de verdade.
Aliás o pobre de direita não sabe o que é democracia e acredita que uma ditadura, capaz de lhe calar a boca, será melhor para o país.
Os ricos de direita são fáceis de explicar. Defendem governos que mantêm privilégios, querem mamar nas tetas do estado, sonegar impostos e ficar ainda mais endinheirados graças à exploração dos mais frágeis.
O pobre de direita defende o privilégio dos ricos, é o oprimido que apoia o opressor, o cara que se informa pelas redes sociais e não sabe que férias remuneradas, décimo terceiro, redução da jornada de trabalho e outras conquistas foram resultado da luta dos setores progressistas da sociedade.
Se preocupar com o rótulo da bebida do outro, com a o estado da porta da casa do cidadão, tenha dó!
Vai ver que também mora numa casa modesta, nunca nem entrou numa mansão.
O pobre de direita do Brasil de hoje, já está no poema do alemão Bertold Brecht, escrito em 1931.
Claro, o analfabeto político nunca ouviu falar do dramaturgo europeu e nem leu o poema, que transcrevemos abaixo:
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do
feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e
do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e
estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Pobre de direita é pobre duas vezes.

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