O PASSADO CONTRIBUI NA CONSTRUÇÃO DO PRESENTE E DO FUTURO


Há quem diga que não se deve viver o passado ou se preocupar com o futuro. Só o presente importa, imaginam os que são dessa corrente.

Eu não penso assim. Claro que o presente é o mais importante, pois é o tempo em que vivemos.

Mas se não planejamos o futuro, o que será de nós? O presente pode ser tornar sem sentido, fadado a virar um passado sem utilidade.

E aí envelhecemos pobres, sem poder cuidar nem de nós mesmos, deixar algo de material para filhos e netos.

O ideal, a meu ver é viver bem o presente, sem renegar o passado nem negar suas origens.

Lembranças boas podem alimentar o agora.  dar sentido aos dias atuais.

A primeira namorada, aquele beijo na adolescência que 50 anos depois você ainda sente o sabor.

Braçadas na piscina, a visão do mar, café da manhã no hotel próximo ao mar, parque de diversões, a banda na festa do padroeiro, o ato de amor repetido entre lençóis, nas noites de frio, com o vigor da juventude...

Como jogar isso tudo fora, apagar da mente o brilho nos olhos, na infância,  e os sonhos da juventude.

Tanto o passado é importante, que se escrevem livros de memórias, autobiografias, biografias e essas obras, normalmente com um toque literário, despertam grande interesse.

E também se fazem músicas recordando tempos idos.

"Meus Tempos de Criança", de Ataulfo Alves, está entre as melhores canções da música popular brasileira.

E "Meu Pequeno Cachoeiro", de Raul Sampaio, imortalizada na voz de Roberto Carlos? É uma canção belíssima.

Em 2016 Paula Fernandes e Almir Sater fizeram em parceria  "Pedaço de Chão", também com reminiscências. 

Segue um texto com parte da letra da canção:

"Pensamento distante no meio da noite, me peguei outro dia revendo o passado. Escrevi meu lamento nessa melodia, lembrei das cantigas que em noites de lua minha mãe fazia. E a casa,  cheia de voz e alegria, hoje está vazia.

"Naquela casinha eu era menina, meu mundo gigante,  um pedaço de chão. Naquele ranchinho que era o nosso ninho, vivia eu, minha mãe, meus irmãos. Contando estrelas sonhava em tê-las na palma da mão. Naquela casinha eu era menina, meu mundo gigante um pedaço de chão".

Quase todos nós, da classe média ou da plebe tivemos esse pedaço de chão. E o nosso mundo eram as ruas de uma cidade pequena, uma casa simples que percorríamos como se fosse um castelo, a mãe e o pai e nos passar segurança.

E os irmãos, os amigos, o jogo de futebol de todos os dias, mesmo na chuva.

Tudo isso é passado. Um tempo que não volta mais, porém nos fez chegar aqui, foi indispensável à construção do presente e ainda contribuirá com o futuro que virá.

*Ilustração: Diário de Rio Claro

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